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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Enquanto vontade tiver...



Nasci esta noite enquanto a manhã vinha
despedi-me do ontem, onde já sou fumo
pesada de tanto passado, vida minha!?
esperança é nada...nada é meu rumo!

Sempre repetindo a mesma ladainha
com a saudade do lado esquerdo
- onde se aninha.

Criança me sinto no palco da Vida.
trepo às estrelas, páro o meu destino
esqueço a idade já enegrecida
sou pássaro farto, cansado, peregrino.

Vivo por aqui!
Morro por ali!

Quando escrevo, sinto-me viva
inteiramente viva.
posso escrever o que eu quiser!
que a minha liberdade é verde
enquanto vontade tiver
palavra alguma se perde.

ela que de alegria e tristeza me criva.

Nasci esta noite enquanto a manhã vinha
tive medo, que tardasse a madrugada
que este verso se finasse da angústia minha
e me deixasse de alma quebrada.



rosafogo
natalia nuno


domingo, 17 de outubro de 2010

SONHO e SAUDADE













SONHO e SAUDADE

Cai a noite negra insondável
E a minha Vida parece pairar
Num sonho desafiando a eternidade.

Sonho incansável!
Fecundado de saudade.
Do passado vale a pena lembrar.

Nesta noite cor de malva
O Mundo continua a avançar
Eu fico à janela do medo,
Da solidão a palavra me salva
Vou a Poesia exaltar
Neste tempo triste e ledo.

Há nuvens de tempestade
O escuro de breu, a noite caída
Visto-me da minha saudade
E serenamente fico criança adormecida.

A noite avança ribombam trovões
E eu sonho com jogo de infância
Como são belas estas minhas visões.

Neste poema em mim, preso à distãncia.
Pode até parecer loucura sem remédio
Mas a Vida sem sonho não passa de tédio.

Aproxima-se o renascer da manhã
Cai agora uma chuva miudinha
E as nuvens correm no seu afã
Eu ainda no horizonte desta saudade minha.
Fica o sonho mais nada...
Onde me invento ainda criança amada.



rosabrava

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PALAVRAS À TOA

















PALAVRAS À TOA

Procuro esconder meu medo
Dentro dum casulo que só eu sei
E às vezes bebo lágrimas em segredo
De feridas que não sarei.

Escrevo palavras à toa
A minha mente me implora
Não importa que ainda me doa
Estou de pé, mesmo se o coração chora.
Marcas que nem o tempo apaga
Momentos tristes restos duma realidade
Também fantasias que o meu coração ainda afaga
Coisas quase perdidas em tempo de saudade.

Deste jeito deixo de mim pedaços escritos
Lembranças das quais ainda sou refém
Suspiros me saem do coração, ou até gritos
Sussurros que só eu ouço, mais ninguém!

E se houver um amanhã talvez
Aqui vos conte a todos como foi
Se tumultuoso ou cheio de limpidez
Ou tempo em que o coração bate mas dói.

natalia nuno
rosafogo