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terça-feira, 16 de novembro de 2010

JÁ NÃO CHORAM OS MEUS OLHOS












JÁ NÃO CHORAM OS MEUS OLHOS

Meus dedos o lenço seco amassam
Pois o choro, já aos olhos não vem
Nasçam as rugas nasçam!
Já não choram meus olhos por ninguém.
Andam caídos em agonia
Às vezes se esforçam por chorar
O rosto se contrai perdeu luz que esplendia
E meus dedos continuam a amassar.

Dentro dos meus pensamentos moram
Aqueles que tanto amei
Por eles sim, meus olhos choram
A saudade que no coração guardei.

A saudade às vezes
Me vence de tão severa
Conspira por me esmagar
Nas asas do pensamento trago a quimera
Por ela me deixo enfeitiçar.
Quero pensar claro e tudo é nevoento
Como se caminhasse no fundo do mar
Onde tudo é abafado, cinzento
Carrego meus olhos tristes,
toldado o olhar.

Já só quero os pensamentos aquietar
Ultrapassar qualquer amarga sensação
Quero as lágrimas de volta,
Preciso de chorar!?
Para acalmar este tonto coração.

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A SECAR O ROSTO APRENDI














A SECAR O ROSTO APRENDI
Não sei do Sol p'ra me aquecer
Parei, silenciosa, sem vontade
Minhas lágrimas ninguém vem recolher
O tempo passou, deixou saudade.
A secar o rosto aprendi
Chove neste dia e chove em mim
Caí no Mundo caí!
Dentro do meu Eu há outro Eu
Que já distante nesse dia nasceu.

Tiritando de frio
Era Janeiro, me lembro era Janeiro!
Logo mil coisas enfrentei, surgiu o vazio
Então pensei: vou fazer berreiro!
E logo a minha voz se ouviu.

E assim nasceu uma nova esperança
Chegava trazia um destino p'ra cumprir
Era só mais uma criança?!
Ah! Mas logo me fiz ouvir.
Mas que dia duro!
Vontade pouca de me alegrar
O Mundo era feio, sem futuro
Mas nada abafou meu choro, nasci para ficar.
Também o Sol não apareceu
E a solidão em mim a crescer
Mas a palavra aí nasceu
Solta, livre, desesperada por viver.

E foi assim que me fiz gente
Numa luta sem igual
por um pouco de felicidade
Hoje? Bastava só um raio de Sol quente!?
No final...
deste dia, nesta hora de saudade.



rosabrava
natalia nuno

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

PALAVRAS À TOA

















PALAVRAS À TOA

Procuro esconder meu medo
Dentro dum casulo que só eu sei
E às vezes bebo lágrimas em segredo
De feridas que não sarei.

Escrevo palavras à toa
A minha mente me implora
Não importa que ainda me doa
Estou de pé, mesmo se o coração chora.
Marcas que nem o tempo apaga
Momentos tristes restos duma realidade
Também fantasias que o meu coração ainda afaga
Coisas quase perdidas em tempo de saudade.

Deste jeito deixo de mim pedaços escritos
Lembranças das quais ainda sou refém
Suspiros me saem do coração, ou até gritos
Sussurros que só eu ouço, mais ninguém!

E se houver um amanhã talvez
Aqui vos conte a todos como foi
Se tumultuoso ou cheio de limpidez
Ou tempo em que o coração bate mas dói.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 3 de outubro de 2010

AUSENCIA FORÇADA

















AUSENCIA FORÇADA

Range na porta a fechadura
E eu lembro-te com os olhos da mente
Lembro o som do ranger na  hora dura
Da despedida entre a gente.
E me deixas sem palavras e sem norte
Atrás da porta esperando
Que os dias passem e com sorte
A gente  se encontre  e vá esta dor calando.

A saudade dá frio e eu invento milagre
Escrevo-te palavras para o tempo entreter
Já não basta uma visita para matar saudade
E esta escrita só me faz doer.

Numa rajada de sabor
Chegas tu e se faz amor.
As lágrimas me chegam p'la memória
E quantas chegadas e partidas
Houve na nossa história?
Quantos dias contados, quantas portas batidas.
Meu coração a bater, fervendo de vida
Minha memória ainda está ressentida
E neste caudal de lamentos
Morro  por fim no sítio onde te espero
Com os sentidos magoados pelos momentos
Que ainda recordo com  desespero.

Foi uma violência a vida
Mas a semente germinou ainda assim
E com tanta despedida
Nosso amor não teve fim.

Alguém ficou de lágrimas  e alegria coagolada
Sentindo o tempo a passar determinado
Desisto da aventura  por estar cansada?!
Agora que caminho a teu lado?

rosafogo
natalia nuno