sábado, 5 de agosto de 2023

e eu sem um ai...

a claridade  desperta-me o olhar
agora que a vida vai
na intensa fronteira da morte


uma lágrima do olhar me cai
subtil e profunda
e eu sem um ai...
mas a vida começa como se nova 
fosse
e os sonhos me trazem
miragem de felicidade, doce,
e eu volto a ser como a de outrora
tão tua, como sempre fui
vida fora.

passam os dias por mim
do começo  ao fim
há sempre um que geme escuridão
solidão, obscuridade,
passou por mim o Outono
já trago dele  saudade.

natalia nuno
rosafogo
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domingo, 30 de julho de 2023

junquilhos na primavera...



entramos no caminho das incertezas
a alegria que nos iluminava
perdemo-la ao abandono
somos agora, paisagens de outono
que adianta dizer-te mais?
pede ao sol que amadureça a seara
no cinzento da tua mente,
que o coração resiste!
embora bata lentamente.

vamos adiando a espera
talvez vejamos nascer
os junquilhos na primavera.

refugiamo-nos em pequenas coisas
deixa que a serenidade 
possa estar na minha mão
sou um pouco de qualquer coisa
até um prego do meu caixão.

sou gaivota que sobrevoa
no silêncio da manhã
a saudade que não perdoa,
tristeza e monotonia
misturadas de esperança vã

procuro curar o coração
àquela que deixei de ser
- sou a que quer esquecer
o tempo, e seu obscuro poder

espero, como quem espera por um
estranho
num largo corredor, 
levo com apertado amor
o nosso sonho, de antanho.

natalia nuno
rosafogo





sexta-feira, 28 de julho de 2023

ao olhar para trás...




já confusa fica a memória
não há esperança que a salve
vai-se apagando sem dar conta
e mais uns dias vividos
já a vida vai a uma ponta
esta é a realidade,
ao olhar para trás
surge a saudade.

foi-se o calor dos sonhos
a impetuosa fantasia
tão própria da idade
sabendo que a vida aí
- é tão nossa!
quanta saudade
de tudo o tempo se apossa.

hoje parece que esse tempo
não me pertenceu
a noite já não é surpresa no meu
rosto
sombras desvanecidas
asas caídas
no olhar o sol posto.

natalia nuno
rosafogo


terça-feira, 25 de julho de 2023

sombras...


murcham as flores que coloquei
num verso onde não havia água,
morreram os amores que amei
no coração, a sofrer de mágoa.

chegou a minha vez
agora murcho eu
murcha a minha tez.
por tanto tempo correu
a vida que Deus me deu,
que resta, 
este poema sem valor
e aperta-se no peito a dor.

na memória momentos partilhados
recolho todos os instantes
gestos e ternuras não esquecidas
e tuas mãos acompanhantes
fazendo de meu corpo avenidas
intensas madrugadas
estremece a claridade,
quando nos vê abraçados
amanhece, e aos ouvidos a música 
de sonhos sonhados.

perdura nos meus olhos a sombra 
que os ameaça
desvanece o coração e o tempo passa.

natalia nuno 
rosafogo

sábado, 22 de julho de 2023

um fardo de nostalgia...



quase a vida no limite
longe dos sonhos,
que se perderam 
com o pulsar do tempo,
também os dias risonhos
se perdem no rumor das palavras,
reflecte-se no rosto a vida dura
fazem-me companhia
os momentos ébrios de ternura,
de alegria e loucura
no presente relembrados

a vida vinga-se a cada dia
ficam entre nós, diálogos calados
um fardo de nostalgia
outrora de alegria...

olho as sombras que a luz
inventa,
sorrio àquele tempo jamais
esquecido, a hora vai lenta
o silêncio cresce, lês os jornais
e eu vou buscando o sonho  

intensa esta madrugada
até o amor nos esquece
desliza no peito uma dor calada
olho teu rosto, um mar sombrio
e logo a saudade aparece e
eu  para ti sorrio...

rosafogo
natalia nuno



quarta-feira, 19 de julho de 2023

a dor que se dobra...



vou semeando o canto
com plena alegria
de crer-me ainda jovem,
acariciada pela generosidade
do vento, que me põe a memória
em delírio
acalento com ansiedade
mais um dia
a mágica saudade,
com a obsessão da luz que me forja 
os sonhos.

na avidez deste inverno
nada me dói mais
do que a dor que se dobra
no pensamento, e se torna 
um inferno

a memória sobrevive
é meu perfume constante
embriaga-me perante
o imprevisível..
-.faz-me esquecer,
cabe a Deus esse saber.

natalia nuno 
rosafogo

segunda-feira, 17 de julho de 2023

quase sem dar conta...



recolho em meus olhos 
a grandeza deste dia ensolarado
contemplo a liberdade das aves
e penso no meu passo já aquietado
sabes?!
quase sem dar conta
meu afã ficou à deriva
assegurou-me apenas a solidão
que é o que sobra da vida.

murchou meu tempo de qualidade
o tempo o tirou
com alguma maldade,
mas, hoje o dia está ensolarado
e meu pensamento ocupado,
vou olhando o horizonte
reclamo apenas dignidade.

da janela da minha vida
esqueço o sentido do tempo
rememoro-me menina, 
com saudade.

natáli nuno
rosafogo
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