sexta-feira, 21 de agosto de 2020

serei eu uma lenda?!...



o sol afunda agora o rosto
nas águas profundas do mar
que arrebatado varre a areia
sem parar...
a terra harmoniosa, é Agosto
só uma lágrima se esgueira do meu olhar.
sol posto, saudade também no meu rosto
ao ouvir o sussurro das águas dos ribeiros
quando a memória já se apaga, tempo que é praga,
relembro amores primeiros,
tudo no meu âmago a acontecer
promessas de futuro falseadas,
passam velhos sonhos e a vontade de viver.

não será canto vazio este dos lábios saído,
se as palavras alcançarem a manhã vindoura
e o amanhecer...
valeu a pena ter vivido!
a maturidade da vida vai longa e amiúde
relembro os sonhos da juventude
no olhar um frio solitário
tudo o tempo dissipou
mas, só muito viveu quem muito amou!

afasto a cortina da janela para ver
se é já noite ou ainda é dia
na senda ilusória da minha fantasia...mas,
já o sol em mim não aquece
resta a dor estranha do porvir
e neste eterno sentir
só a esperança ainda floresce na minha senda
Serei eu uma lenda?!

natalia nuno
rosafogo



domingo, 16 de agosto de 2020

hoje quero-te...



hoje quero-te como bálsamo para
o desalento, com
amor que sempre renasce como fénix
na solidão profunda do pensamento,
hoje quero-te, na saudade à flor do
peito,
com a alegria doutro tempo que em mim
repousa,
quero-te tanto, como a força que me prende
a este  amor perfeito,
apesar deste estranho medo que em mim
pousa?!
hoje quero-te como o sol quer aos frutos
que doura,
quero-te, embora o querer seja diluída névoa
de esperança,
imploro-te afecto, para que a solidão
seja menos desoladora.
e o sol me sorria, como na infância.

hoje quero-te em mim, como nocturna
inspiração
como viva recordação,
essência da minha lembrança...

disfarço da minha alma o sofrimento
deixo que da minha escuridão se faça luar
nada sou, tudo em mim é esquecimento
para lembrar-me apenas de te amar.

natalia nuno
rosafogo
03/05/1998

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

o brotar da nostalgia...



cansadas docemente sobre o regaço
gestos multiplicados sempre iguais
mãos hábeis... morrendo de cansaço
cálices de amor q' agora não são mais

perdidos andam  pensamentos à toa
procurando-me cada vez mais no fundo
solidão, carência nada há  que não doa
despojada de sonhos invento meu mundo

perco o olhar, não há sonhos ou desejos
apenas se esgota na distância do que vivi
lábios, já não se entregam aos teus beijos

passam as noites e não vislumbro nos dias
a ternura cega que vinha falar-me de ti!
do quanto, fervorosamente tu me querias.

natalia nuno
rosafogo









domingo, 9 de agosto de 2020

no silêncio d' alma...



lembranças são testemunhas
do meu silêncio
enquanto a tarde desvanece
escuto os pássaros na folhagem,
tudo à minha volta escurece.
também a minha imagem
como o sol vai desaparecendo,
esplendor sem futuro, morrendo
e na despedida do outono
um caminho duro, de esquecimento
e sono...
jardim ermo sem rosas, vazio
a sede de sonhar por mim passa,
o rio que me envolvia fez-se mar
sulca-me o rosto retorna e fustiga-o
esquece as margens de flores, a graça
que nele havia,
inunda meus olhos dia após dia...

recordo meu amor que era inteiro
e tanta a ternura cega
onde será seu paradeiro
que não têm hora nem entrega?!
é tamanha a minha fragilidade...
que me aflijo e consumo
mas novo dia começa,
sigo meu rumo
e as lembranças são já «Saudade»
que me acode ao coração
que tilintante bate e não cessa.


natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

laivos de sonho...



as palavras afluem ao pensamento
como um bando de pardais
já diminui a luz do dia é o momento
em que a saudade dói demais.
o sopro doce do vento
adoça o coração,
ouve-se a folhagem no jardim
tenho sede de libertação...
laivos de sonho passam por mim
vai alto o sol avermelhado,
o tempo marca a velhice 
causa desgaste
é fardo a cada dia mais pesado.

a inspiração é um estado intermitente
como nuvem que mesmo sem água ainda chora.
é quando a gente sente que está na hora
de soltar o estado d'alma na poesia
com muito amor e nostalgia,
é felicidade que pensamos possuir
liberdade como pássaro que voa
- mas ela vai-se, esboroa!
cerro pálpebras, sigo mais além
no sonho, onde há corações e abraços
e não deixo que nada nem ninguém
se interponha ante meus passos.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 2 de agosto de 2020

asas para o vôo de cada dia...



que trago espinhos
ninguém diria,
expurguei a solidão
segui outros caminhos
e hoje em dia,
trago paz no coração.
abraço o remanso
deste rio que existe em mim,
e não é que não me atente
a água que canta na mente
utopia e saudade sem fim.
o tédio às vezes cresce tanto
que meu pensamento cria
asas de liberdade,
enquanto o sonho acalanto,
logo uma porta larga se abre
à saudade...
às searas ondulantes ao vento
aos sóis nascentes, às manhãs
de tempo ameno
o olhar  sereno, sustém o tempo
e a solidão, o pensamento
vai criando com ousadia
asas para o vôo  de cada dia!

e o coração?
ora revolto ora manso
vai procurando poiso para o
descanso!
Olho-me com olhar de desconfiança
vou acenando a despedida
levo comigo a criança
que caminhou a meu lado toda a vida.

natalia nuno
rosafogo
poema esquecido na sebenta
data de Janeiro/2012

sexta-feira, 31 de julho de 2020

aldeia amada...


Hoje deixo este poema do Poeta conterrâneo que muito admiro pela sensibilidade que sempre encontro nos seus poemas, sinto-me homenageada, pois o meu poema «do que fui sou a saudade», serviu de mote a este tão belo.
ALDEIA AMADA
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"SE CALHAR NÃO SOU NINGUÉM?!"
(Verso do poema "Do que fui, sou a saudade...", de Natalia Canais Nuno, que serviu de mote a este poema.)
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Venço devagar, passo após passo,
a distância que me afasta
da memória com que refaço
o tempo que em mim se gasta.
A luz ainda tremula na candeia sobre a mesa
E a telha vã do telhado deixa entrar a luz da lua
para mostrar toda a pobreza
que se arrasta no desamparo da rua.
Humildes olhos enquanto choram rezam
ladainhas de dor e vãs esperanças,
vivem do labor que tanto prezam,
qual sonho que acalentam desde crianças.
P'los caminhos, entre silvados e chão duro,
trinados de rouxinóis e chiadouros,
escorre o suor e nasce o futuro,
que é rumo dos que lutam sem desdouros.
"Se calhar não sou ninguém..."
ou talvez seja pedaço de quase nada
que ama quando recorda e, mal ou bem,
é feliz por ser filho da aldeia amada.
Em 30.Jul.2020
PC