sábado, 26 de outubro de 2019

na hora tardia...



na hora do crepúsculo há um afã inquietante, um molho de emoções dentro de nós e, um vento tranquilo que se esfuma, é o pulsar da magia, as flores fecham-se e as sombras surgem por entre os arvoredos,  e mais uma ruga taciturna no rosto...a luz do orvalho, a natureza renascendo,os vôos livres que se cruzam no ar, e um lago de palavras vai perdurando na minha memória num duro silêncio, num sossegado esquecimento, nessa luz engrinaldadas,  que a meu sonho torna feliz e minha lembrança faz florir...as lembranças são fontes de juventude que deixei dispersas pelo caminho,  filha da terra que sou, amo flores e faço-lhes versos loucos, meus olhos as beijam como quando era criança, só eu as vejo nessa luz que me encandeia quando descanso a cabeça na almofada...hoje, sou a menina solidão, menina saudade feita, de mágoa e de alegria, menina que mais que primavera é já outono, que necessita dum sonho que a sustente, nestas horas caladas, em que a solidão dói, doridamente..........................

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

queixume saudoso...


comove-se o olhar fica perdido
molhado de chorar e já vencido
caem as geadas no rosto
e o sol já no poente, é posto.
recolhem-se os pássaros enquanto
há folhas nos ramos
e, recolhemo-nos nós enquanto
é tempo e nos amamos...
o tempo vai passando e atormenta
a dor dói, o coração sofre, e o olhar
lamenta...
hoje o vento faz-me companhia
num chorar triste, nem ele traz alegria,
tem vindo a crescer p'la tarde acima
com o destino de entrar-me pela janela
o meu destino é encontrar uma rima
para que ele fale dela,
invento e visto-me de memórias
caminho neste entardecer
e lembro tudo o que ficou por dizer.

os meus olhos entretêm-se a olhar
mesmo sem saírem daqui
estão sempre em outro lugar,
há tardes de Setembro em que o pensamento
me embala o coração,
basta-me um pouco de ilusão
e a cada pensamento, invento
um sonho mais formoso, que valha a pena
e o coração resiste mais e mais
a este queixume saudoso, a que
me dou neste poema...

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

prosa poética...



é o passado que se desenha na aura deste pensamento em vôo nas minhas mãos... enquanto os meus olhos riem, treme a água no açude e eu criança, com um tremor de asas no sangue...no reino da minha infância o silêncio, e o vento rondando nas ramas, logo o chilreio lânguido do pássaro, ignoro quem voa melhor, se ele, se eu... juntos pelo acaso deste sonho meu.


natalia nuno

pequena prosa poética





hoje não lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia... mas, hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas no silêncio, a noite morreu e eu não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim e a boca cheia de silêncios...
natalia nuno
rosafogo

sábado, 12 de outubro de 2019

pequena prosa poética...



ando à procura de sonhos onde possa abrir caminhos aos salpicos de sol, aos sorrisos vestidos de branco, à imagem escondida no recanto da memória, aos fios brancos de cabelo da minha fisionomia, e à minha velha ânsia que continua a debater-se...antes que tudo me sufoque...
natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 1 de outubro de 2019

dou voltas à solidão...



dou voltas à solidão
deixa-me avara de palavras
que me sobem à boca e morrem
no soluço desta solidão louca.
sabem que dentro de mim é escuro
e no canto do olho uma lágrima aflora
na viagem sem regresso
tudo aqui deixo e minha alma chora
uma ameaça velada e
a noite, deixa-me apavorada.

o tempo deita-se e acorda comigo
sua intenção é clara não pára,
se a vida é um milagre, porquê
este vôo breve?
e porquê tanto nos esconde?
que a terra me seja leve
ao partir não sei quando nem pra onde.

os sonhos enchem-me a imaginação
a solidão é velha companheira
e a palavra é doce e cheira a alecrim,
digo de mim para mim,
és boa conselheira!
alguma coisa me diz,
apesar do travo amargo
a menina em mim, ainda existe e
- é feliz!

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

poema só para mim...



na tarde avançada
é já sol-pôr
no pensamento uma lembrança
adormece a terra
fecha-se a flor
a noite avança
o silêncio toca o meu deserto
a solidão o sossego da alma
e o futuro tão perto
já tudo se acalma
já, já e, tudo será fim
não estarei, é a lei
ausento-me deste jardim
onde criei
este poema só para mim.

Santa Justa/Setembro 2019