segunda-feira, 14 de abril de 2025

pensamentos desatados...



procuro por entre as sombras
que são aliadas do meu desalento,
um rumo,
para não cair no desconhecido
no nada, sem sentido

não posso enterrar o momento
que ainda me pertence
nem o consolo que ainda me conforta
entorpecida a vida, 
ainda a morte não vence
mas, o desconsolo por vezes 
me põe morta

tudo o que a vida me deu
com o tempo foi-se perdendo
ou, quase tudo se perdeu!
ficou por detrás dum véu de bruma
como um sonho distante, 
feito espuma,
meta impossível de alcançar

procuro claridade onde pousar
com um escondido resto de esperança
vou até ao esquecimento desbravar
os sonhos, que ainda por mim
parecem esperar.

natalia nuno








que faria eu sem o sonho?...

por detrás dos vidros molhados
ouve-se o eco do vento
e a solidão que a nada se compara
o bulir gritante da folhagem
em lamento
e a minha, muda imagem

violenta-me o corpo sem sono
a chuva torrencial cai
meus sonhos empobrecidos
meu rosto frio, museu,
da garganta nem um ai!

faço das  palavras meu sonho,
um sonhar de juventude
abro a mente à claridade
depressa existo
- entre a tristeza
e a felicidade.

natalía nuno






sábado, 12 de abril de 2025

saudade de ti...

entediante é o vazio da vida
nem o céu azul é mais azul
na lembrança nada passa,
dói a memória perdida
 
a juventude ao longe,
as palavras estão gastas
a companhia é o silêncio
e a visão dum mundo perdido
quando de mim te afastas

fico à tua espera
ameaça-me a incerteza
da última vez,
quem sabe amanhã talvez,
procures em meu coração
um abrigo

escrevo-te palavras com suavidade
e as semeio ao vento
nas lentas e frias madrugadas,
quando do tempo vivido
- só resta saudade!

no pensamento 
inúteis palavras caladas.

natalia nuno

quinta-feira, 10 de abril de 2025

firmeza de seguir...



olho os oiros velhos
do horizonte
é hora de magia,
cantam as águas na fonte
logo a chegada da noite,
e assim, 
me despeço de mais um dia

a vida sempre nos dá a cor
dos instantes
passeio os olhos pela vastidão



com sorriso de orvalho
que não teme o trovão

abro asas e como gaivota
que aceita o destino, continuo
a voar
sob o poente oscila o arvoredo
e na memória há sempre um lugar
para lembrar, a vida que busquei
e a luz que brilha e sustenta
a minha felicidade

destinei caminhos a percorrer,
o que me vai na alma 
é a ansiedade de viver,
quando o sol começa a descer
pulsam em mim todos os sonhos
com intensidade, 
e logo a saudade me vem abarcar


natalia nuno


cativa das memórias...

tão perto a noite agressora
um gume frio despoja-me 
do sono
mesquinho deixa-me ao abandono
surgem sombras pavorosas,
obscuras horas
rostos com aversão
nem alento me traz a recordação

penso que a vida 
também foi de verdade
quando o coração parecia um deus
hoje, ainda me dá saudade!

saudade do que já não volta
saudade do que deixou nostálgico
sabor
repasso de novo as lembranças
do amor

amanhã é sempre perto
para quem tem caminho feito
e sempre longe, para quem anda
de sonhos coberto

sento-me nos degraus da fantasia
a debruar sonhos
trago um cofre de lembranças
no peito,
olho a luz de dias risonhos,
existo num lugar sem tempo
onde me desconheço

dentro do sonho caminharei
até que se faça de madrugada
ou até que me seja a memória
- apagada!

natalia nuno



melancolia...



cobre-se a noite de veludo
no meu peito a melancolia
as estrelas alumiando tudo
e eu à espera dum novo dia

já a luz entra pela janela
logo o vento dobra a cortina
a madrugada vem tão bela
quisera ser, sempre menina

esta luz nos olhos me cega
custa-me encarar a realidade
e logo a vida que me pega
sou só, levo comigo saudade

cá dentro da memória vai
e vem um sonho vadio,
o peso do tempo se esvai
o coração é espaço vazio.

o dia sempre amanhece
e me enebria de prazer
na noite saudade acontece
mais o q' tem de acontecer.

natalia nuno

terça-feira, 8 de abril de 2025

inquietude...



são cinzentas as certezas
dos dias iguais
a mente se distancia
ao que não retorna mais

no calor dos sonhos
surge a fantasia
mas no rosto indolente
o tédio pendura-se dia a dia

tudo é irreal e incerto
na noite eterna e muda
nos relógios d'outras horas
ficou o passado
e a saudade em mim que não
desgruda

Cai névoa no olhar
lembro pegadas distantes
ouço o pesar
do coração a todos os instantes
vencido e resignado

regresso ao fundo da memória
invento-me como outrora
velha fogueira que reacende
fogo, do fogo
que ninguém entende.

natalia nuno