quarta-feira, 23 de setembro de 2020

a natureza abre-se ao meu assombro...

 


a natureza abre-se ao meu assombro, afasto-me da gente que passa, volto ao sossego do meu pensamento, às vezes converto-me noutro ser, o meu corpo é um mar e na corrente os meus sonhos embarcam, o tempo é abolido, e eu prossigo na luz da quimera confiada num milagre...de repente quando a turbulência aflora, caio na realidade, ficam sem luz as paisagens do meu olhar...interrompe-se o vôo ardente do meu sonhar...

natalia nuno

rosafogo

começaremos novamente amanhã...

 


começaremos novamente amanhã, recordaremos que sentimos frio, chegar-nos-ão vozes que recordaremos, mas optimistas amaremos a vida sem que o teu olhar macule a alegria do meu...chegarão horas de solidão, de recordações, e com voz ainda clara e a mente em harmonia, palavras cálidas diremos um ao outro...não sei se o novo amanhã ensombrará os nossos olhos...não, isso eu não sei...ou se a solidão será definitiva, talvez nosso amanhã nasça já sem horizonte!? mas não fico atada ao medo, beberemos mais esse dia como se fosse o sumo dum fruto , deixaremos que o sol gire nas nossas mãos, havemos de encontrar um motivo que ilumine com veemência o que já não volta...


natalia nuno

florzinhas do campo...



quem disse que as florzinhas do campo não têm beleza?!o pequeno sorriso da erva, o puro que há na inocência das folhinhas pequeninas, a sua oculta ternura, seu matinal nascimento logo que nasce o sol... são braçados de frescura, gaivotas de água, sol e melodia, que chegam à minha lembrança....gotículas de orvalho, sorrisos adormecidos, perdendo-se em meu ser, neste anos tão velozes e lentos que vivi, em experiências repetidas e que jamais esqueci... a intensa primavera, o corpo esverdeado da terra, transbordando de aromas e cores, borboletas azuis, brisa de música e nostalgia...na fiel memória, o medo de ficar vazia...

natalia nuno

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

deslizam os sonhos...

vens com o perfume de cerejas silvestres
 e é como se pressagiasse um milagre,
 mas na realidade, 
não existe agora mais que a saudade
 dum intenso amor. 
 o coração inunda de felicidade e tudo é memória, 
um mar de saudade e a escrita me desafia
deslizam os sonhos, as tuas mãos anunciavam magia 
nesses tempos risonhos dum imenso amor. 
 hoje há sonolência nos meus traços
 permanece quase desafiante, 
e como a luz cinzenta do poente 
vou dando passos, 
mesmo que a dor me quebrante
 é no fervor do meu sonho perdidos no mais intenso amor
 que sou tua e tu meu amante.

 natália nuno
 imagem pinterest

velhas palavras...


 é possível, que agora estas velhas palavras
sejam viajantes de fracasso
ou náufragas nos meus olhos em desordem
com desejo dum abraço,
desejo é uma quimera
ai quem me dera, quem dera!
a felicidade que anda fugitiva,
resta a palavra sobrevivência,
dou comigo viva!
nesta paixão tão embutida
como se fosse uma ferida.

memórias atadas
que se soltam dum tempo
que já não existe
abre-se a manhã e o sonho insiste
que nasça no meu sorriso
um bando de pássaros,
como nesse tempo amado.
o sonho me incendeia, de novo o amor por ti
e é um medo que se aninha
sofro em esquecer-me
desse amor errante que caminha,
que se despe de sentimento,
e se recompõe depois ainda mais forte
trazendo palavras velhas
de que me amarás até à morte.

depois da ternura entregue
sempre o mesmo pavor
os mesmos sonhos em solidão
pródiga a minha mão
escrevendo velhas palavras d'amor.

natalia nuno
rosafogo



domingo, 20 de setembro de 2020

fiquei-me ali a uma esquina...



fiquei-me ali a uma esquina
a somar umas vagas horas
olhei-me era ainda menina
recordei brincos d'amoras

a manhã era de poesia
e eu brinquei até à tarde
fui menina neste dia
logo me veio a saudade

escrevi meu nome no chão
com uma pedrinha de giz
depois desenhei um coração
o que à terra tanto quis...

mais que sombra não era
mas tinha asas voei...
tinha os meus à minha espera
mas era sonho e chorei

meu nome já não é papoila
desfolhou-se por entre o trigo
nem menina e nem moçoila
sou mulher de tempo antigo

mas me lembro de ter sido
meus olhos se lembram bem
a menina dum tempo ido
entre o rio e a banda de além

e sempre que o sol sorrir
meu coração reaquecer
à minha memória há-de vir
o som do moinho a moer

encho as mãos de lirismo
elas que cantam e choram
há dias em que tanto cismo
que saudades não demoram

fico como ave lenta
sem vontade de voar
mas o coração acalenta
que um dia hei-de voltar

faço bravo meus versos
como Poeta amo a terra
trago-os aqui, ali, dispersos
já p'lo mundo andam na berra.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest 


o outono já se faz presente...

 


o outono já se faz presente na sua escura fragrância, é um jardim na penumbra...a sua luz é sensual, passa o seu tempo numa quieta agonia, é tempo de inacabados sentimentos, vai-nos desfigurando as feições e despindo a vida em silêncio, fala-nos com voz melancólica, sutura-nos as feridas, para que nunca mais voltem e desfralda um arco-íris em nós para que a memória não se esfume, quer que perpectuemos o valor da vida para que não se apaguem recordações, e nem sorrisos que arrancamos aos sonhos... tranquilo amigo é este tempo de outono...que se importa que continuemos cuidando de nós, mesmo no frio das horas..olho o horizonte e procuro por aquele fogo feliz, e já não sinto e não sei por quanto tempo seguirei neste mundo a que pertenço, as ruas são incertas e fugidias e as sombras aumentam, sinto o mundo a desabar fico sentida e muda de olhar quebrado, estremecem os rios do meu corpo e o vento adormece no meu peito...

natalianuno