palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
pousam meus olhos nos teus
como se perguntassem o que sentes
o tempo, esse não nos sobrou
saudade em nós deixou,
sonhos dormentes
e a vida se apoucou,
repetem-se os dias da viagem
e a solidão é como um rio que nos atrai
irrompe no espelho a nossa imagem
fingimos não ver, nem querer saber
o certo é que a vida descai
que importa reclamar,
sobreviveu alguma coisa de nós?
as palavras caem-me. da boca
abrigo-me nos teus braços
não me digas nada
a saudade leva-me sempre pela mão
triste sombra a minha pelo chão.
hoje nem o rubro vivo da tarde
nem a música do vento na ramagem
só a nossa imagem perpassa nas águas
que levam com elas minhas mágoas
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
o tempo sempre amanhece
o teu sentimento é o meu
a felicidade brota em dobro
e eu à vida já nada mais cobro
revejo poemas incompletos
beijos guardados num verso
é o passado insistente, fulgente
a que me não nego,
atiço as chamas, saltamos labaredas
e dizes-me ao ouvido que me amas
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
somos esse rio onde nos miramos
o silêncio onde nos amparamos
não podes voar sem mim
e eu sou asa sem pássaro
se vôo sem ti.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 21 de agosto de 2018
frase3...
levo sempre o mesmo jeito de caminhar, o meu rastro é um rastro imperceptível de formiga, só meu espírito busca as palavras e eu me espanto de as escrever...
natália nuno
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
viver será assim tão absurdo?...
os dias morrem as noites também
e eu aqui a pensar na vida
é preciso caminhar e não deixar
de sonhar...
o vento uiva suavemente,
conheço-lhe a voz sonora, ora terna,
ora irritada e exigente
e logo o dia se vai embora,
morre a vontade no meu coração
chega a noite com sua altivez de rainha
aumenta esta solidão tão minha
a vida que era um pássaro livre,
é agora amarga como o choro dum violino triste,
e eu, velha árvore batida pela tempestade
que anda sem tino,
caminho p'las ruas da saudade.
os dias morrem e as noites também
caminho com um passo arrastado
como o lento navegar das nuvens p'lo céu
a morte espreita. e o corpo vai cedecendo
quebrado... sem que entenda nada
fustiga-me o tempo e eu fico num pranto surdo
e nas janelas da insónia eu vejo como viver
é um absurdo....
e o que não entendo, é estar tão perto de mim
e tão de mim perdida,
no frio silêncio da tarde, deixo-me a pensar na vida,
com o bulir gritante da memória que não dá descanso
arrasta-me como um vendaval que não cede,
é na saudade que mato a sede, essa saudade
que me molha o peito
tatua em mim a ternura
de voltar a sentir a inocência,
e me enlaça com braços de frescura.
faz-me sentir andorinha da madrugada
ou primeira flor da primavera,
solitária e fugaz pincelada
de sol acariciante...
e aqui fico numa alegria transbordante
a relembrar a juventude, enquanto
os dias morrem e as noites também.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
hoje é assim que me sinto!
hoje apetecia-me ler cartas de amor que nunca me escreveram, e que ao ler me rasgassem o peito de saudade, e, me cobrissem os olhos de água, me lembrassem que já foram meus olhos verdes motivo de paixão...já me esqueço uma vez ou outra, e só a lembrança do teu sorriso me desperta os sentidos. mas hoje nem o vento vem falar-me do poema onde fui notícia, nem das primaveras de esperança, nem das rimas nostálgicas que me sussurravas aos ouvidos em noites d'amor...hoje queria que o sol procurasse meu endereço, ouvisse meus sentimentos e me desse um abraço quente, fizesse parte da minha solidão e me trouxesse de novo horas felizes já de mim distantes... fujo da realidade e embora pareça leviandade, para mim é um impulso de bom senso, deixo-me num mundo mágico onde eu e a poesia desfrutamos do aroma das giestas e do alecrim e assim, não me sinto derrotada, a vida é dura agora que está madura, mas a poeta essa é um ser inconstante ora feliz ora não, entra em contradição constantemente, seus dias são preciosos ou moribundos, seu sonho é um prado verde ou um céu cinzento, para sua ventura há velhas nuvens arredias do pensamento e hoje tudo vibra no coração lugar comum do amor, onde nasce sempre uma flor no seu chão....
hoje é assim que me sinto!
natalia nuno
rosafogo
pensamento...
o sonho são tuas mãos em sussurros p'lo meu corpo despido
natalia nuno
https://www.pensador.com/colecao/nataliarosafogo1943/
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
secam os goivos no jardim da horta...
sem fala com garganta a apertar
sigo em frente, ergo-me da solidão
e deixo-me desaparecida, vou então
tão longe quanto a minha memória
pode recuar...
provida de esperanças
albergo o sonho no coração
e a menina abismada
que caminha incerta, dá-me a mão.
numa solidão só sua,
encoberta pelas romãnzeiras
e seguida pela lua neste momento
que invento...de novo
volta a ser, a menina do povo.
deixa-se impregnar desse mundo
onde nada mais sabia, além
do que dizia o pai e a mãe
embalada pelo som do rio
olhando-se na corrente
- lá fica entre sempre e agora
numa ída e volta, lá onde o sonho mora
secam os goivos no jardim da horta
ai de mim, que o sonho é já tão baço
minha gente está morta...
chora o salgueiro quando por ele passo
no celeiro já não há nozes,
nem grãos de trigo ou cevada
estremeço ao ouvir-lhes as vozes
na noite pela calada, partiram,
- tudo agora é nada.
estas memórias guardadas
que às vezes penso esquecidas
são lágrimas dos olhos molhadas
são sorrisos e tristezas de chegadas e
partidas... de partidas e chegadas.
na terra onde nasci meu sonho já entardece
e meu coração estremece
o que tive, a memória não esquece,
mas já se esfuma...
que siga eu sempre em frente,
que terra pra mim só há uma,
aquela com que ainda sonho
natalia nuno
imagem da internet
pintarest
domingo, 12 de agosto de 2018
é poesia o que escrevo...
é poesia o que escrevo
escrevo um verso
um pássaro me cai aos pés
tenho de lhe dar um céu, onde possa voar
uma árvore para pousar
o silêncio do céu, o ruído da terra
um barco na linha do horizonte
ah...invento uma ponte
num lugar qualquer
e o poema começa a nascer
é poesia o que escrevo
é nela que vivo, ao longe e ao perto
na segurança do seio materno
felicidade, saudade, viver eterno
pôr do sol, fim do dia
tristeza. alegria
é poesia o que escrevo
tantas rajadas do céu
e eu a pensar
onde é que o pássaro se meteu?!
tanta inquietação no vôo
que presa ao verso me deixou
é poesia o que escrevo
devo ou não devo...sonhar?
arranjar de novo outro céu
. para o pássaro voar?
e já que metade de mim é saudade
e a outra metade é sonho
- é nele que vôo até ao fim!
e o pássaro cantando encontrará o ramo
o canto ecoará como uma oração
sempre que por ele chamo
ele volta, é minha inspiração
é esta a felicidade de ser
enquanto a vida não me esquecer
vou em busca duma luz que esconde
o pássaro, que tenta fugir sem q'eu saiba
pra onde.
natália nuno
rosafogo
20009/01
imagem retirada da internet
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