palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
estrelas já não alumiam...
sem trégua...
sento-me nesta tarde a tocar a noite, e vou dialogando comigo própria como se quisesse adivinhar o caminho ainda por descobrir, percorro algum passado e vejo-me sempre a sorrir, na criança encantada que ainda me vem seduzir...nada nem ninguém destrói essa imagem, tão perto de mim e tão perdida, penetra-me, mas logo me abandona e a saudade vem à tona, e o frio da vida surge e, logo asfixia...já não aguento o vazio das horas, nem suporto a solidão, os sonhos são migalhas de pão que me separam da morte, estou só, neste comprido corredor, já nada tenho, nem dor, nem grandes palavras onde me possa refugiar
- escuto o desagregar...
nnuno
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domingo, 14 de dezembro de 2025
palavras sonâmbulas...
como o celeiro abriga o trigo, o coração abriga a saudade, que é uma mistura de amor e ternura, de afecto, vindo do passado, que arrecado e não deixo passar ao lado, trago na bagagem a memória do que vivi, o que ainda me estimula, e é uma mais valia enquanto a mente funciona... mesmo seguindo sendo eu mesma, à minha frente uma neblina fosca, que me deixa na dúvida, e me põe a caminhar por ruas estreitas, incertas, onde a única certeza, é a vontade que tenho de não me deixar desabar, enquanto restar uma última esperança,.. aguento o vazio das horas, há nelas sentimentos inexplicáveis, que se vão perdendo sem me aperceber, mas que ainda me molham o peito e fazem doer...quero mergulhar no sonho, sentir a correnteza de mansinho, quero depois estar do lado da vida...por vezes minha cabeça trago confusa, porque a torturante saudade se faz acompanhar de ansiedade crescente...
natalia nuno
sábado, 13 de dezembro de 2025
memórias dos dias II...
há sempre uma sombra nostálgica no pensamento, que não me permite esquecer, uma lembrança veemente que surge na mente em tempo de melancolia, e descarrega um fardo de ventos e de chuvas, a pedir que lembre mais uma dia, a criança em mim... trazem o aroma da infância e a saudade de quem já me é estranho, a voz já não é a mesma, os gestos foram esquecidos e os sorrisos ficaram là à distância... figura melancolicamente confundida, mas que ainda me olha com ternura, as imagens cruzam-se no pensamento como aves a recolher ao ramo e, no rosto a ternura, a luz e o sonho detêm-se ainda no olhar, o único que me é familiar...
- agora no tempo velhíssimo, está tudo perdido entre si, já não há saída deste labirinto, o que existe do meu mundo é um borbulhar de imagens, um sonho que ficou inacabado, um coração que se agita de ânsia em cada palpitação, e a mente caída na armadilha do tempo... sem remédio, assediada pelo tédio que veste de melancolia o coração.
nnuno
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
vai a lua enfraquecida...memórias
domingo, 7 de dezembro de 2025
minha fé no singelo...memórias
às vezes as pequenas coisas são a nossa salvação, quando a memória dos dias é já quase nada, e a vida nos arrebata o pouco que temos... o tempo é uma sombra nostálgica e as recordações estão quase soterradas... então, persistimos na beleza dum simples poema, olhamos os narcisos de amarelo dourado, lembramos dum primeiro amor, dum sorriso aberto, tudo isso é ter por perto, motivos válidos para continuar o caminho...quando persentimos que tudo se converte num tempo obscuro, quando enfrentamos a solidão e o silêncio, ficamos surpreendidos e mudos como um vento adormecido, parece já nada fazer sentido, mas se a memória lembrasse ainda, o riso das águas, o voejar dos pássaros, o tocar as flores com as mãos, bastaria, para que o sonho prosseguisse, e a vida não nos asfixiasse de vez...
nnuno
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
quase a velhice chega e me aborda...memórias
o coração não se rende e avança, como quem segue um caminho florido, tem tendência para acreditar que a vida continua, apesar de tanto ter já vivido, agarra-se ao sonho que já vai distante, agita o seu bater sabendo que o sonho não vai regressar e que a meta está a chegar, esquece o sentido do tempo enquanto a memória assume a desordem, e já é um vento livre, que faz eco numa clareira de sílabas confusas, como a chuva de outono... e apesar de que, cada letra dita, esforçada ou não, arrasta sempre o passado para viver a essência da memória, ficam sempre os dias metade luz e metade escuridão, até chegarem à fronteira do nada...e é tudo tão confuso que de repente a velhice chega e me aborda, traz-me a desgraça do espelho e prende-me a uma perpétua insónia...
nnuno
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