quinta-feira, 25 de setembro de 2025

sou o tempo que em mim perdura...


só me restam poucas palavras por dizer
que ressoam em espaço fechado
e eu proponho-me a esquecer
mas fica uma ferida aberta
por tanto as ter amado

assola-me o frio
da noite deserta
sinto na pele orfandade e o medo
o peito aperta,
num instante sinto uma lágrima
que me procura

sou o tempo que em mim perdura
trago a memória da infância
interrompe-me a voz da água
e à distância, meus olhos calam a mágoa

a vida vai caindo cansada
no fundo bem fundo do meu ser
a ela me sinto agarrada
e vou vivendo, enquanto o peito
de ar encher

há palavras que se calam entre as tuas
que jamais  esquecerão
o amor e a tranquilidade 
para sempre vivendo como recordação
em harmonia lenta, com saudade!

natalia nuno


terça-feira, 23 de setembro de 2025

murmúrios da noite...





noites intensas
com o vento a rondar
rio de trevas, cresce a solidão
e, nem restos de sonhos a sobrar
a ânsia e a dor são agasturas,
reverdece a nostalgia no coração
das noites enluaradas de ternuras.

sou mulher sonhadora
entregue ao tempo, à chuva e ao vento
a vida me é devedora
da pele lisa que já não tenho,
de lembrar-me quem sou, e de onde venho

defraudados os sonhos surge o amargor
o frio da vida e do espelho, 
trago o rosto impávido de certeza,
a única coisa que resta são estas mãos,
com sua estranha destreza.

escrevo cada palavra com a doçura
que a saudade me dá de mão cheia,
sempre com lealdade e ternura
como se fosse abraço que me rodeia

não posso saber quando será a definitiva
neste mar fugaz que é a vida
por maior que seja o vazio, 
pelo tempo que perdurou em mim
ficará por certo, dentro do meu ser, perdida.

a memória leva-me ao eu mais distante,
enquanto a desmemória
- é meu medo constante!

natalia nuno
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parte de mim...



a solidão refugiou-se no meu peito,

 partilha comigo o tempo,

 acomodou-se, 

e agora passámos a andar de mãos dadas


emoções dentro de mim

dão conta da minha conduta, 

um dia me sinto demasiado nova, 

outro demasiado velha, 

e lá se vai meu equilíbrio, minha harmonia, 

aqui delinearei parte de mim, dia a dia

e escreverei do passado sem pretensão  

e estados de espírito no presente,

deste meu coração.


natalia nuno

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rente ao mar...

 



hoje o mar alterou-se, sabe-se lá porquê...

 ficou paranoico, avassalador, 

mas depois, deixou-nos a fúria

- de o amarmos em liberdade,

mais tarde passou-lhe a cólera 

e veio-nos beijar com paixão, e delicadeza,

e ali mesmo fiz um verso e foi o desvario

 

com frio,

nele adormeci o sol , 

coloquei cigarras a cantar nos canaviais

 e acreditei 

que era verdade o sonho que eu, o mar e o sol sonhávamos...


natalia nuno

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sexta-feira, 19 de setembro de 2025

ao tocar a noite...



lembranças ilusórias
que são ilusões sem fim
trazem histórias
destroem-me os dias
e os sonhos que restam em mim

sonhos poeirentos
turvos, sem luz
são pássaros aos ventos
amor no peito girando
- a saudade lembrando!

chega o inverno a meu sangue
débeis versos chegam ao fim
corpo de estremecimentos exangue
esfiapado o viver, a morrer em mim.

ainda a criança que sou
arrasta-se a criança que fui!
delas a melancolia se aproximou
e  assim a Poesia tristeza possui.

natalia nuno
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música de outono...

no patamar da noite

fecham-se flores no jardim

e eu recebo a SAUDADE em mim


esse preciso sentimento

que tudo torna presente

traz música de outono

 ao pensamento

e amortalha os ais que o coração sente.


na nostalgia da tarde, há rosas

que chamam por mim

lembranças sem fim, 

-ouço-lhes a voz!


e o silêncio torna-se profundo

a noite espreita, 

imensa é escuridão

minha vontade, numa esquiva hesitação

é  pássaro cansado da viagem,

sem asas, nem ramo

- onde se abrigar!


sobrevive a esperança do amor 

o poder tocar.

 

natalia nuno

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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

quando o mundo pára...

há um brilho de vida

no olhar, quando falas de amor
na noite sempre se adivinha o desejo

e lá vem o calor, 

de mais um abraço

na boca o sabor, o sabor do beijo

no corpo o cansaço

o último estertor sai-nos da garganta

e um pássaro esvoaça na retina

tudo nos encanta, sou tua menina.


o tempo agrediu-nos, tanto devorou

mas o amor saiu ileso,  sobreviveu,

é lâmpada que não se apagou

 

natalia nuno

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