palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 4 de julho de 2019
nostalgia de doer...
toca-me a saudade
e ela quebra-me em pedaços
o meu ousar vai declinando
fico pássaro sem asas querendo tocar o céu
lembro então como tudo era diferente
e me sentia gente nos teus abraços.
quando a tarde morre, o coração embarga
tento esquecer mas a saudade não me larga
lembro do meu rosto e do beijo enamorado
fica meu peito ansiado... e,
não entendo porque vive mas vive batalhando
ainda está amando, num compasso turbulento.
em vão desprendo o pensamento
meu olhar fica distante
mas logo a saudade volta a mim fecundante,
então nem sempre é noite, e nem sempre é dia
ela me traz tristeza mas também alegria.
e no meu corpo ardente, mansamente,
esqueço a solidão que me apavora,
sinto-me leve vai-se perpectuando a descida
esqueço o sabor amargo da vida
agiganta-se o meu céu
e volto sempre à menina que sou eu...
medo tenho, do dia que me deixe de ti saudosa
sinto esse mal como ninguém sente
ficarei sem riso, sem canto, chorosa
estremece o peito sempre que esta nostalgia
de doer me vem à mente.
natália nuno
sábado, 22 de junho de 2019
coração doído...
a luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre o nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade o cansaço os sentidos adormecidos e a luz se fecha. E as rosas respiram o orvalho da noite, nos montes tão velhos quanto eu o dia e a noite faz-se paz... até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia...nas telhas partidas dos telhados já entram raios, é o sol que abre as pestanas dizendo bom dia à terra, e o ar do campo é lavado e saudável, acordam os girassóis, não há tempo a perder que o sol vai caindo calmo e tranquilo fechando os olhos...lá cai mais um dia!espero há horas calada pelo amanhecer da noite, mais uma tarde que se despede os sinos tocam as trindades, de repente lembro as horas e é então que sinto um vazio cheio de novas esperanças no sereno da noite, faço aceno ao dia que parte, a solidão é difícil e profunda, tão próxima estou do passado e tão ausente do presente, dou dois passos em frente e ando só por andar não por ter pressa de chegar. invento sonhos a vida inteira, trago o coração doído, o tempo sempre à minha beira e eu pensando tê-lo perdido.
natalia nuno
rosafogo
rosafogo
quarta-feira, 19 de junho de 2019
ao fim do dia...
para me olvidar dos cansaços, pego nos sonhos que restam em mim, sossego nos versos em silêncio antes do dia deixar de ser dia, lembro a infância ao longe, e ainda que me sinta nua de palavras, ficarei apenas a olhar o sol-pôr vermelho alaranjado, a ouvir o rio que corre sem pressas, o som de cada gota de chuva que cai na terra abençoada, e o meu sentir será de bem estar...tontices estes meus sonhos quando o silêncio é pesado e as lembranças surgem em tropel. são os sonhos que sustentam este meu apego ao passado onde me aninho, onde consigo voar pelos campos, nas searas de trigo e então ateia-se no olhar um brilho desmedido, que havia perdido... em desafogo fica a alma e o coração, a esperança se move de novo e volto a acreditar no sonho, no sentir das minhas madrugadas...o silêncio toca o meu deserto, pedaços da vida surgem diante dos meus olhos
natalia nuno
ter o céu por perto...
quero fugir para bem longe
para o silêncio das coisas
onde só oiça o bater do coração
no teu peito...
e nessa doçura delicada, deixar-me
no ventre da lua,
em delírio, exausta e saciada
no doce silêncio de ser tua,
matando a fome do teu corpo, e a sede
do meu, deste peito cheio de afecto
e ter o céu por perto.
deixar irromper o beijo
adormecer no aroma do desejo satisfeito,
ah! e depois deixar acontecer
fechar os olhos e de amor deixar-me morrer.
neste coração silencioso baila a lembrança
saudosa, de te amar estremecidamente,
e no calor dos teus braços, o meu corpo
inteiro estremecer
num suspiro, após suspiro.
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a minha mente, ainda sente,
o odor do amor onde me embriago
a respirar de saudade, da paixão
que ainda em mim trago.
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
segunda-feira, 17 de junho de 2019
os pássaros me esperam...
os pássaros me esperam
cantam nos meus sonhos sombrios
como se entendessem que quero vencer
a tristeza e os frios que de mim se apoderam,
minha memória é a nascente
saciam a sede nas minhas mãos em concha,
cantam até se extinguir o dia
fazem dos meus sonhos semente,
do sol pôr até à aurora fria.
ao longe já a calhandra rasgou o céu
o tempo já pouco faz sentido, e eu...
meus olhos lançam-se ao esquecimento
e de momento a momento, sigo perdida
como água errante que não modela o rio
cotovia na noite escura...ferida!
choro por dentro, fica o coração vazio.
saudade de tudo que sumiu.
saudade volta sempre a mim, desencadeia a primavera
e os pássaros ficam de surpresa à espera,
à espera dos sonhos com luar
do viver com ventura intensa
com manhãs de verão, e as portas do coração
abertas de par em par, com alegria imensa
com esta emoção que me prende a garganta
e esta saudade tanta...
natalia nuno
rosafogo
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sexta-feira, 14 de junho de 2019
no lusco fusco da mente...
quem escreve poesia, entra num sonho
que chega sem se anunciar
como o aroma do jasmim que se sente
ao passar...
saboreia os versos, enamora-se das palavras
liberta-se da dor, entra numa aventura e sente
que não está só,
como se uma trepadeira se expandisse
lhe subisse aos sentidos,
e fizesse renascer os sonhos ardidos.
escrever poesia, é afundar na saudade
é deixar vir tudo à lembrança, é ter a felicidade
de encontrar-se de novo com a criança
que no sonho adormeceu. mas ficou de
pedra e cal, a acenar à vida, com fé e
esperança...
surpreendida com a rapidez do tempo.
escrever é viver, é ressurgir da neblina
num dia enublado, a qualquer hora pode ser
abrir a alma, e deixar avançar na memória
a menina, a que desperta sempre como semente
e por mais que disfarce, o coração a sente.
é tarde, no lusco fusco da mente
há uma manta de retalhos
onde as lembranças, são carreiros de formigas
que caminham docemente, como se fossem meus
agasalhos. ou as vozes amigas
me lembrassem uma história que já não lembro
e ainda houvesse ouvidos pra me escutar
e mãos para me acariciar...
ninguém me tolherá o pensamento
nem o passo, nem de escrever o sentimento
porque se o faço, a água do rio por mim escorre
em liberdade, e eu deixo-a percorrer
este meu corpo feito saudade que não morre,
como o sol que sorri e chora
serei eu assim também, até que chegue minha
hora.
natalia nuno
rosafogo
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sábado, 8 de junho de 2019
ladainha...
quando ainda é noite, mas também já é manhã
canta em mim a saudade, lembrando
os passos da mãe no sobrado
a ladainha da avó rezando
enquanto à espreita já o sol pelas frestas do telhado.
a vida já não tem o mesmo sabor,
nem aos meus ouvidos vem o rumor
do rio, quando ainda é noite, mas também
já é manhã, e ele corre com destino certo
e eu de sono esperto
com as ideias em trampolim,
sonhando, tentando descobrir ao que vim.
o sol continua a espiar-me, fazendo um bailado
nas paredes do quarto pequenino
como que a desafiar meus gestos parados
ladino, beijando-me a face
deixando o perfume no ar
e eu oiço os pássaros a acordar
com seu chilrear em festa
quando ainda é noite e a manhã já se avizinha
canta a saudade em mim de novo até à noitinha
e o sonho é tudo o que me resta.
a mãe abre as janelas ao vento da manhã
e abre-se o dia em que a gente vive e sente
que há sempre uma pedra p'lo caminho,
e na minha ingenuidade em flor
sonho e não adivinho
como fazer para acabar este poema de saudade e
de amor...
quando a noite voltar e e ainda não fôr manhã
vai a lua enredar-se, meu coração deste jeito,
continuará a sonhar.
natália nuno
rosafogo
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