palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 15 de janeiro de 2011
NOSTALGIA
NOSTALGIA
Nos braços do tempo me entrego
Me deixo neles abrigada
Estendo-me nas suas asas e sossego
Tranquilamente, sonhando acordada.
P'lo silêncio dos vales
Passeio a minha alma
E o tempo senhor de todos os males
Hoje me devolveu a calma.
É nestes ternos momentos
Nestes instantes de alegria
Que todos os sentimentos
Povoam o meu dia!
Às vezes rio de saudade
Às vezes choro de tristeza
Saudade da mocidade
Dona de tanta certeza.
Tenho saudades, pois tenho
As tenho até de mim
Tanta a distância donde venho!
Doce lembrança sem fim!
Embalada na quietude
Mesmo que só por um intante
Ao velho tempo vou amiúde
Na nostalgia de saber-me distante.
rosafogo
natalia nuno
SEM VONTADE
SEM VONTADE
Deixo-me para aqui de braços pendurados
Esquecendo que sou gente
Sem vontade...
Parecendo adolescente
Ou a sombra da saudade.
Tenho os olhos a enrugar
Enrugado trago o sorriso
Luto sem tréguas, tenho de lutar!
Reconforto-me um pouco, preciso.
Meu espírito é agora mais lento
Mas não somos perfeitos, nem imortais
Uma alegria agora,
Uma derrota noutro momento
Espreito e reajo aos primeiros sinais.
Os meus soluços rolam no chão
Choro...criança não me deixam ser!
Meu corpo me precede uma geração
Eu me sinto uma jovem mulher.
Passo minha vida em revista
E encontro força ainda!
Fiz conquista sobre conquista
Daí a saudade que não finda.
Hoje sou criança a escrever
Alguém pega na minha mão
Da boca para o papel, tento dizer
Aquilo que me vai no coração.
natalia nuno
rosafogo
ABALADA...ABALEI!
ABALADA...ABALEI!
Abalei da minha aldeia
Para o Mundo desconhecido
Com um pequeno pé de meia
Eu, uma menina pequena
Que mal havia nascido.
Na pequena povoação
Começei a minha luta
Entreguei-me de coração
Fiz-me gente, fiquei adulta
E assim saí do meu chão.
Abalei cheia de esperança
Levando comigo saudade
De deixar lá a criança
E toda a minha mocidade
Levando tudo na lembrança.
O mundo me seduziu então
Mas onde ficou aquele sabor?
É meu sopro de inspiração
Um gosto de lágrimas, amor!
Inscrito em meu coração.
É grande a rececptividade
E um comovido afecto eterno
Terra da minha naturalidade
A recordo neste Inverno
Terra minha que saudade!
Traço sumáriamente o passado
História que a mim mesma conto
No coração trago guardado
E no pensamento tudo pronto
Pra lembrar esse tempo recuado.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
ESCREVO PARA O TEMPO
ESCREVO PARA O TEMPO
Esqueço a dificuldade da descida
Sorvo tudo que a Vida me dá
Se a trago quase perdida?
Só Deus decerto saberá!
O vento empurra a areia
E o tempo a mim me empurra
O tempo tudo afeia!
E o vento sempre murmura.
Tanto a Vida me ensinou
Que resta sempre algo a ser dito!
Partir agora? Para onde? Para onde vou?
Se eu na Vida ainda acredito.
Assim vou cumprindo sina
Neste percurso fugaz
Trago saudade da menina
Que ficou, faz tempo lá atrás.
Morro um pouco todos os dias
Vou contando os anos vividos
Minhas palavras andam vazias
Mas volto aos sonhos destemidos.
Lembro as canções da infância
Ao longe em sombras esbatidas
Nos meus olhos passam à distância
A memória as traz quase esquecidas .
Assim vou devagarinho
Vou andando e vou sonhando
Nas curvas do meu caminho.
rosafogo
natalia nuno
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
TEIMOSA LÁGRIMA
TEIMOSA LÁGRIMA
Uma lágrima teimosa que assoma
Sem se dicidir a correr
Rebelde, parecendo oferecer
resistência.
E sempre a saudade
Com insistência!
Já se enredam as horas
Parece ter caminhado uma eternidade
às vezes me dá vontade!
Ir por aí fora
Por montes e vargens
Que permanecem na lembrança
Descansar nas margens
Do rio da minha memória
Onde em criança
O salto à àgua era minha glória.
Nada do que foi volta a ser
E esta lágrima teimosa
A não querer ceder!
Tudo parece estar a ficar ausente
A vida é misteriosa...
No mais fundo de mim, se sente.
Mas irei sempre guardar com desvelo,
este apelo
que a memória me faz
Ainda que às vezes com tristeza
Voltarei sempre lá atrás.
Rever com delicadeza
toda a imensidade
sem nada apagar.
Dizendo adeus
só quando a vida
me afastar...
rosafogo
natalia nuno
MEU PENSAMENTO
MEU PENSAMENTO
Cada sonho que invento
É como ir ao encontro
Nem sei bem de quê
Mas cada vez que tento
Quase sempre me amedronto
Sem razão nem porquê.
Meu pensamento
Fica assim num desconcerto
Num Mundo que nunca vi
E sempre a saudade por perto
Como se a infância estivesse aí.
Perco-me por dentro de mim
Chego a não saber quem sou
E é a saudade que por fim
Me devolve o que se apagou.
Quando por fim me cansar
De mil razões que a vida me dê
Virá a morte meus olhos fechar
Calará de vez a razão e o porquê
Pra desta vida me levar.
rosafogo
natalia nuno
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
O MEU REINO
O MEU REINO
Lembro as manhãs orvalhadas
O pão quente das torradas
O café em pó da lata
Como esta saudade me mata!
Lembro do galo que cantava cedo
Da água correndo no açude
Lembro dos escuros do meu medo
Nem o tempo faz com que mude!
Lembro os gatos enfarruscados
Lembro a sombra na parede
Lembro da tarde, a soturnidade
Lembro da bilha de barro, da sede
Lembro tudo com saudade.
Lembro a candeia de azeite
Do cair das badaladas
Dos ninhos que meu olhar quer que espreite!
Das chaminés, das invernadas,
Do Cristo na parede cruxificado
Lembro tudo dia a dia ,
em mim ressuscitado.
Lembro do pão cozido no forno
Das cortinas das janelas
Do leite ainda morno
Das cabrinhas magricelas.
Lembro a rua ao anoitecer
E o cansaço das gentes
Do cantar dos grilos para adormecer
As crianças em colos quentes.
Lembro a hora de dormir
E das frestas do telhado
De tiritar p'lo frio sentir
Relembro e,
tenho saudade do passado.
Lembro as vidas sempre iguais
O rumor das águas correndo
Mas tenho cada vez mais
A saudade em mim nascendo.
Tão longe de mim e tão perto
Que numa passada fui e vim!
Sem memória seria um deserto
Lá tenho um reino só pra mim.
natalia nuno
rosafogo
Cada sonho que invento
É como ir ao encontro
Nem sei bem de quê
Mas cada vez que tento
Quase sempre me amedronto
Sem razão nem porquê.
Meu pensamento
Fica assim num desconcerto
Num Mundo que nunca vi
E sempre a saudade por perto
Como se a infância estivesse aí.
Perco-me por dentro de mim
Chego a não saber quem sou
E é a saudade que por fim
Me devolve o que se apagou.
Quando por fim me cansar
De mil razões que a vida me dê
Virá a morte meus olhos fechar
Calará de vez a razão e o porquê
Pra desta vida me levar.
rosafogo
natalia nuno
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