quinta-feira, 23 de março de 2023

saudade é tormento...



anda a cotovia nos trigais,

ando eu contemplativa

e as andorinhas nos beirais

numa roda viva...

respiro o aroma campesino

nuvens agrupam-se rendilhadas

viver de saudade é meu destino

que me traz recordações tão delicadas

neste idílio enamorada

lembro os campos da minha terra

a frescura e a fragrância

que pela aldeia se espalha

lembro a criança a jogar à malha

trago uma lágrima furtiva

desperta em mim um sublime sentimento

sinto-me viva...bem viva

mas a saudade às vezes é tormento.


natalia nuno

a convite da estimada amiga Roselia Bezerra, a quem agradeço, este é o 3º poema com que homenageio o dia da Poesia. A imagem também me foi cedida pela amiga.

sexta-feira, 17 de março de 2023

palavras que preciso dizer...



o tempo é como outono que de mim
se apossou
é estranha a sua despedida,
rugas no rosto deixou
e no olhar obscuridade
tal como a vida,
fazendo-me refugiar na saudade.

percorro o corredor da nostalgia
olho-me no retrato esquecida
porquê alguém de mim, se lembraria?
só as memórias mantêm um pouco de vida

mais uns traços no rosto,
passou outro dia
o vento deixou de soprar por agora
ficou a agonia
deixou um murmúrio de ramos despidos
que o inverno entorpece,
e os passos dos sonhos perdidos
em palavras difusas onde nada acontece.
este poema foi a noite que inventou
com uma esperança que não me diz nada,
sobre o inverno que não tardou
e faz da vida água estagnada.

natalia nuno

terça-feira, 14 de março de 2023

dócil nostalgia...dia de poesia.





agitei os ares 
com palavras de vento
emudeci a chuva
ficou triste sem alento,
com a minha ânsia invoco a primavera
resgato da memória recordações
recito versos de saudade
crio ilusões,
num cântaro cheio de infância
e claridade,
é onde vive a saudade.

no alvor da madrugada
desperto um pintassilgo
ele devolve-me a terra amada
por ser meu amigo...
bate o sol nas laranjeiras
de Mozart me chega uma melodia
logo as notas...as primeiras,
adoçam minha alma vazia.

natalia nuno
a convite da estimada amiga Roselia Bezerra, a quem agradeço, este o 2º poema com que homenageio o dia da Poesia. A imagem também é desta amiga.





sexta-feira, 3 de março de 2023

dia de poesia...




doce e tranquilo este dia
assalta-me a vontade
de ir em busca dos odores intensos
de olhar as árvores que insistem em florir
há no campo zumbidos imensos
e águas cantantes, que me olham a sorrir
a folhagem que com o vento volteia,
e uma acácia que me ri
volta e meia...

num tapete de folhas
formigas esfomeadas sem parança,
deixo-me ficar pensando quando
me olhas...
ai, o que me vem à lembrança!
é como se estivesse num quieto sono
tal como a terra, sinto falta d´ amor
pétala murcha ao abandono,
derrama-se o sol sobre os arrozais
o tempo passa a repetir a trama
minhas veias rebentam de alegria
a vida não é só feita de drama, 
nem de ais!?
um sorriso novo, um sonho mais,
e mais um dia...
Dia de POESIA!

natalia nuno
rosafogo
A imagem foi-me oferecida pela Poeta Roselia Bezerra, seu Blog «Escritos d'alma», amiga que carinhosamente me convidou a participar no mês da Poesia...

sábado, 25 de fevereiro de 2023

sigo errante de mim...


há uma imensidade de lembranças
que doem na memória,
e há uma ameaça nas esperanças
que vêm trazer à vida as incertezas
sigo errante de mim
treme meu corpo, dum frio sem fim.
há lugares estranhos onde nunca estive
mas é como se tivesse o mundo em meus braços
e é na luz caída da tarde
que o sonho em mim vive
levando meus passos.

sorrio, porque é grato recordar
embora o silêncio rasgue meu rosto frio,
mas, o amor que nos uniu, não se deixa
cair no vazio.
chegou o outono e descarregou a tristeza
fez do coração estadia, com subtileza,
agora a vida é apenas esperar
melancolicamente confundidos
que o tempo apertado, talvez possa parar.
que imensas são agora as madrugadas
onde a mente não tem limite,
vagabunda percorre as estradas
longas da vida
enquanto a saudade desliza no peito
e nos olhos a esperança sem jeito
sem mais vida oferecida.

natália nuno
rosafogo



domingo, 19 de fevereiro de 2023

teço e desteço a minha própria realidade

 


teço e desteço a minha própria realidade

trago em mim um labirinto de ideias
outras vezes, trago em mim luz e claridade,
memórias e desmemórias enredadas em teias,
passa um calafrio no meu corpo esquecido
caindo em ruínas num silêncio arrebatado,
sinto passar contra ele o tempo unido.

ainda que sonhe, o sonho mais desejado
quando a noite chega, sinto pavor
quem me empurra para fora de mim?
já não sei da alegria nem do bom humor
nem do ar que me trazia as fragrâncias do alecrim.
tudo mudou mas algo inda me faz perceber
que meus versos são todos eles liberdade,
de palavras verdes,  que não me deixam morrer
dou asas ao meu voo e vivo de saudade.

natalia nuno

os dias em flor...


surgiu o dia em ebulição
cruzei com um desejo doce
não era de vinho nem de pão,
nem do que quer que fosse.
talvez a alegria no coração
ou talvez de me sentir eu,
ou do claro véu, 
que envolve a memória
trazendo-me o o sonho.

de novo os dias em flor
eis-me viva de peito a arfar,
no encontro, com a que de mim
se perdeu...disposta de novo a amar.
chega o alvor, e assim
minha manhã fica mais rosada,
e fresca, a terra e o céu!
à lembrança sempre me acode
um pouco de alegria,
e só o sonho pode 
tudo aquilo que a recordação distancia,
e quanto à vida? É neve ao sol!

(memórias)
1965/ ?
poeminhas muito singelos
escritos há muito.