domingo, 17 de abril de 2022

sinto que...



poisou o acaso em mim
deixou-me de sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.

natalia nuno
da querida amiga Mª João Sousa
«com tristeza a soçobrar.»
Foi-se o acaso condoendo
E, depois, foi-se plantar
Como uma haste de aloendro

À beira da tua boca:
Espera agora algo indeciso,
Muito quietinho, à coca,
Pla graça do teu sorriso! :)

*Mª João



sem cura...

 




 por entre a intermitência do caminho,
 sento-me a pensar em ti
 com carinho 
 o vento bate na janela da insónia
 a única coisa que não entendo
 é este silencioso grito que me vai na alma
 esta loucura, este amor frenético
 sem cura...



(rabiscos)

natalia nuno

pensamentos que desato...



mãos que trago ainda atadas pela vida, que importa isso agora, vêm de longes ignorados, só as palavras vivem o prazer de conhecer seus desejos incontidos, às vezes vazias, adormecidas no regaço, alheadas de tudo...quando deste pelas minhas mãos? - sôfregas, desenhando carícias em teu corpo, na melancolia duma qualquer tarde doce...como o tempo voa, são agora mãos cheias de nada!

natalia nuno

sábado, 16 de abril de 2022

os dias todos iguais...








volteiam asas de borboletas
dentro do meu pensamento
pairam sobre as violetas
do jardim do meu lamento,
enquanto passa por mim a aragem
e a vida sobra, da que levo já vencida
e no anseio da viagem
sinto a vontade perdida.
sinto as horas a correr
e à noite pela calada
é a tua ausência a doer.

é como se não se passasse nada!

os dias todos iguais
penso eu com insistência
que nada valem meus ais...
do que foi minha existência
embalo ainda o que me basta
para a vida ter sentido,
mas o coração não se afasta
de andar p'lo teu tão perdido.

há sempre um sopro que corta
o vôo dos pássaros em sintonia
ao passarem rente à minha porta
acalentam o sonho por mais um dia,
e quando a noite cobre de escuridão
há sempre um pouco de luar
neste meu coração
que tem por vício te amar.

natalia nuno
imagem pinterest

asas do silêncio...



nosso jardim tem uma palmeira
que ao sol estende os braços...
voam pássaros mansamente à sua beira
enquanto morro na voragem dos teus abraços
que loucura nos invade?
de tanto sonho perdido,
resta em nós só a saudade.

natalia nuno
imagem pinterest

quinta-feira, 14 de abril de 2022

saudade...



recordei este pequeno e modesto poema... escrevi-o,  teria os  meus 16 anos, quando os rapazes da minha aldeia morriam na  desastrosa Guerra do Ultramar,  tal como a que a Rússia provocou agora na Ucrânia.



Calado este entardecer!
não se ouve nem um rumor
alguém acabou de morrer
não voltará a ver seu amor,
nem terá beijo de despedida
porque a guerra de horror...
lhe tirou a vida!

A chorar fica, 
quem o amou na vida
cultiva uma rosa branca,
no seu coração ele vive
do lá ninguém lho arranca,
de dor agora sobrevive!

Prá morte a guerra lho levou.
o matou sem dó nem piedade
ela tanto por ele chorou
e hoje morre de saudade.

Restam-lhe as juras de amor
e lágrimas dos olhos caídas
as lembranças são de dor!
recorda horas d' amor vividas.


natalia nuno
imagem pinterest


quarta-feira, 16 de março de 2022

que louco engano é viver...



rua longa é a vida
caminhada breve e logo perdida...
lembranças presas na retina
lembranças que deslizam 
na memória, de menina
que esqueceu seu rosto... a vida
é já sol posto
a vida correu tão rápido como o desviar
dum breve olhar,
há sempre um fio no pensamento
pronto a desdobrar
a memória dos verdes anos,
a verde idade da que trazemos
saudade.

que louco engano é viver!
a quem tão depressa há-de partir
quem sonhos quiser escrever
com  labirinto vai coexistir
sonhando-se em difusas recordações
que não passam agora de ilusões.
sob uma indiferente solidão
na despedida sem retorno,
pulsação, após pulsação
vai esperando, enquanto a tarde declina
e seu rosto de menina, adormece
olhando o poente morno.

natalia nuno
rosafogo