segunda-feira, 14 de outubro de 2019

prosa poética...



é o passado que se desenha na aura deste pensamento em vôo nas minhas mãos... enquanto os meus olhos riem, treme a água no açude e eu criança, com um tremor de asas no sangue...no reino da minha infância o silêncio, e o vento rondando nas ramas, logo o chilreio lânguido do pássaro, ignoro quem voa melhor, se ele, se eu... juntos pelo acaso deste sonho meu.


natalia nuno

pequena prosa poética





hoje não lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia... mas, hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas no silêncio, a noite morreu e eu não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim e a boca cheia de silêncios...
natalia nuno
rosafogo

sábado, 12 de outubro de 2019

pequena prosa poética...



ando à procura de sonhos onde possa abrir caminhos aos salpicos de sol, aos sorrisos vestidos de branco, à imagem escondida no recanto da memória, aos fios brancos de cabelo da minha fisionomia, e à minha velha ânsia que continua a debater-se...antes que tudo me sufoque...
natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 1 de outubro de 2019

dou voltas à solidão...



dou voltas à solidão
deixa-me avara de palavras
que me sobem à boca e morrem
no soluço desta solidão louca.
sabem que dentro de mim é escuro
e no canto do olho uma lágrima aflora
na viagem sem regresso
tudo aqui deixo e minha alma chora
uma ameaça velada e
a noite, deixa-me apavorada.

o tempo deita-se e acorda comigo
sua intenção é clara não pára,
se a vida é um milagre, porquê
este vôo breve?
e porquê tanto nos esconde?
que a terra me seja leve
ao partir não sei quando nem pra onde.

os sonhos enchem-me a imaginação
a solidão é velha companheira
e a palavra é doce e cheira a alecrim,
digo de mim para mim,
és boa conselheira!
alguma coisa me diz,
apesar do travo amargo
a menina em mim, ainda existe e
- é feliz!

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

poema só para mim...



na tarde avançada
é já sol-pôr
no pensamento uma lembrança
adormece a terra
fecha-se a flor
a noite avança
o silêncio toca o meu deserto
a solidão o sossego da alma
e o futuro tão perto
já tudo se acalma
já, já e, tudo será fim
não estarei, é a lei
ausento-me deste jardim
onde criei
este poema só para mim.

Santa Justa/Setembro 2019



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

passa o tempo com pressa...



tem tanta pressa
este tempo que me persegue
que mal tive tempo de viver
e este corpo que não quer que eu sossegue
não vê que o tempo tudo lhe tirou
e entretanto a primavera acabou
agora uma pequenina luz bruxuleante
e a vida segue adiante...

passa o tempo com pressa
e uma incerteza deixa
que a vida mal nos conhece
abre-nos os olhos e os mesmos nos fecha
quem dera viver sempre adolescente
o tempo em que se sente
e se descobre o prazer de amar
o doce da entrega,
o amor feito e pronto para recordar

um dia a vida se quebra
já não se sente o que é sentir
nem o tempo que passa a correr importa
pode até sumir, nem o reflorir
de alguns pensamentos que batam à porta
nos trarão o tempo perdido
alguns sonhos teimarão em dizer-nos vivos
mas num longo olhar de eternidade,
haverá apenas um leve fumo a saudade.

natalia nuno
rosafogo



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

sonhos fantasiosos...

neste pedaço de céu que me cabe
sou estorninho que bate a asa
ao sabor da saudade


na verdade há sonhos dentro de mim
a amadurecer,
coisas simples que às vezes gosto de escrever
a minha arma é a palavra, palavra nua
com a nudez que me impressiona tanto
ora alegre, ora triste,
não pára de me causar espanto

vou batendo asa sobre o mar,
que a terra já fica para trás,
levo estes sonhos fantasiosos
e olhos para observar
tanto faz...levo a vida a estalar
e mil ideias a soçobrar!
o acaso coloca-me um sorriso triste
e eu já nem sei se existe
palavra para falar de vida
e deixo-me a reflectir como se ela
algum dia fosse nutrida,
desvio o vento, que altera meu caminho
e coloca minhas asas em desalinho

apresso-me a chegar algures
não sei eu e nem sabe ninguém onde,
talvez, nenhures, ou mais além
onde o coração se encha de perfume a flor
e eu encontre paz no meu interior
já avisto os azuis do arco-íris
reluzem já as estrelas, e logo a lua
amanhã voltarei a escrever a palavra nua
para veres e sentires que a vida, ainda pode florescer

natália nuno
rosafogo