palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 17 de setembro de 2013
só eu e o mar...
Hoje o mar alterou-se, sabe-se lá porquê... ficou paranóico, avassalador, mas depois, deixou-nos a fúria de o amarmos em liberdade, mais tarde passou-lhe a cólera e veio-nos beijar com paixão e delicadeza...e ali mesmo fiz um verso e foi o desvario, nele adormeci o sol , coloquei cigarras a cantar nos canaviais e acreditei que era verdade o sonho que eu, o mar e o sol sonhávamos...fiquei na quietude para sempre, sonolenta, num lugar onde me contaram lendas de um tempo passado, ali perto o mar e o sonho e eu aqui com minhas palavras, meus gestos lentos, meu sorriso, continuo viva, aguardando o outono, depois o inverno e quem sabe ainda a primavera próxima, coberta de malmequeres na ladeira das lembranças, dizendo-me adeus e cantando-me uma melodia para que adormeça num manto de silêncio...e no areal só eu, o mar e os meus versos a rimar com a(amar).
pequena prosa,
dia 12/09/2013 Fuzeta.
natalia nuno
confidências...
Hoje o mar derramou-se sobre a areia num ímpeto de paixão, como se fosse um tapete voador e eu paralizei de espanto por tão grande afabilidade...
Confidenciou-me ao ouvido, que era apenas uma cena de ciúmes feita ao sol, que amargurado resolveu esconder-se, derramando algumas lágrimas, testemunha dessa humilhação resolvi, logo ali fazer um verso de amor e saudade, deixando deslizar a imaginação, v...erso que o vento levou para outras paragens, para um lugar sem tempo nem memória, apenas imortalidade, verso tecido de sonhos insatisfeitos mas sem tristeza nem mágoa, assim o oceano tranquilizou e ficou só meu coração em silêncio com o calor do teu sorriso.
sábado, 14/09/2013
natalia nuno...
pequena prosa feita de mar, sol e saudade e duma memória que subsiste
Confidenciou-me ao ouvido, que era apenas uma cena de ciúmes feita ao sol, que amargurado resolveu esconder-se, derramando algumas lágrimas, testemunha dessa humilhação resolvi, logo ali fazer um verso de amor e saudade, deixando deslizar a imaginação, v...erso que o vento levou para outras paragens, para um lugar sem tempo nem memória, apenas imortalidade, verso tecido de sonhos insatisfeitos mas sem tristeza nem mágoa, assim o oceano tranquilizou e ficou só meu coração em silêncio com o calor do teu sorriso.
sábado, 14/09/2013
natalia nuno...
pequena prosa feita de mar, sol e saudade e duma memória que subsiste
presença perturbadora
louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta,
apenas este silêncio mudo
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me
e a vida sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu
de rosto corroído a verdadeira
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
deixo um letreiro...
fechei-me dentro de portas
como concha adormecida
fechei todas as janelas
à tempestade da vida
detive todos os passos
coloquei pensamentos em ordem
dei um nó nos sonhos
no amor também fiz laços,
e pelo sim pelo não
tranquei o coração.
no caso de aparecer alguém
deixo um letreiro
hoje não estou p'ra ninguém.
dou o tempo por perdido
a vida flutua indecisa
tudo o que escrevi está dito
e o que vivi, a Deus agradecido.
falei a quem me ouvia
só o poema está aberto até
ao sol posto,
o sol que
ainda bate em meu rosto.
hoje não estou para ninguém
deixo um letreiro
no caso de aparecer alguém.
refugio-me antes que seja tarde
antes que esqueça quem sou de verdade
deixo a cortina entreaberta
para a distância encurtar
e a saudade não aumentar.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
rio da lembrança...
vou ao aroma da infância
procurar-me, onde andam
meus cabelos de azeviche?
procurar a brisa, o calor do meio dia,
e em plenitude tudo na lembrança,
a presença viva da criança
o coração continua pulsando
e renasço mil vezes,
tal como o sol que ressurge
e incendeia o estio
e ilumina as águas vivas do rio,
do rio da lembrança,
numa alegria que até hoje
perdura...
fio de ternura
que trago no meu silêncio.
nasci olhando o rio
cresci com o azul do céu
azuis e eternos
rasgando arvoredos...
e eu voava de ramo em ramo
sem medos
a terra me falava, só palavras
de ventura...
eu a amava duma forma terna e pura.
e hoje em cada verso, ainda me ponho
a escutar...
o som da água cristalina, e a sonhar
neste devaneio de voltar a menina.
trago em mim o seu odor
e trago estrelas nos olhos
as mesmas que se entornavam
nas minhas noites
e o seu brilho me enlaçava
e eu sonhava...sonhava.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Crédula esperança....
estou dos versos esquecida
me anima uma crédula esperança
que o que me resta de vida
é esta saudade nua e crua
que de lembrar não me cansa.
e este ânimo constante
que me vem ao semblante
que sempre assim em mim esteja.
quero que todo o mundo veja
que aos versos não ando atada
mas anda louco o pensamento
e a alma arrebatada...
a morrer sentenciada
anda a minha poesia
no silêncio e esquecimento...
se pudesse a pouparia.
já fui moça...moça ardente
já fiz versos de repente
estou dos versos esquecida
eles que foram meus amantes
deram golpes ficou a ferida
já nada é como dantes...
versos que eram raridade
onde conservava a saudade
hoje resta a aparência
nada tinham de ciência
quem sabe...a eternidade!
não deixo que nada me entristeça
a vida é cruel ameaça
só a lembrança me estremeça
para esquecer qualquer desgraça
e se a vida me consente
caminhar sem receio
a minha metade igualmente!?
então:
farei da caminhada passeio.
natalia nuno
rosafogo
im.net
domingo, 25 de agosto de 2013
repensando...
o sol me aponta o caminho
sempre que nasce novo dia
mas anda a morte tão pertinho
que já nem minha sombra se fia
repensar leva-me à lembrança
e a uma imperiosa necessidade
voltar sempre lá atrás à criança
suando na lembrança a saudade
é como se o tempo suspendesse
e suspensa ficasse a respiração
como se o tempo não perdesse
e eu o segurasse com minha mão
vive-se mais intensamente agora
assim penso, levo meus dias a fio
recordando o meu rio que chora
no interior do coração tão vazio.
natalia nuno
rosafogo
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