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sábado, 23 de outubro de 2010

LINHAS TRAÇADAS













LINHAS TRAÇADAS

Traçadas estas linhas
Deixo-me entre a vigília e o sono.
A estas linhas que são minhas
Agora me entrego em abandono.
A Vida corre doce,
Com alguns acessos de nostalgia
Perco-me em pensamentos
E trago viva sempre uma agonia.
Nas pedras duma ruína?!
Se solta o queixume dos ventos
E nesta saudade minha
Minha alma se inclina.

Choro minhas horas perdidas
Sobre meu peito, a paz desponta
Horas de ilusões despidas
Chorando a vida,
A vida que vai a uma ponta.
Chorando o caminho,
Tentando desviar o espinho.

Esquecer as mágoas, procurar o prazer
E na saudade que ainda aparecer
Dizer-lhe que é cedo p'ra morrer.
Lentos os anos, não precisam de correr.

rosabrava

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

MEU GRITO AO VENTO













MEU GRITO AO VENTO

Meu grito se ergueu ao vento
Grito de perda e de dor
No dia em que morrer meu pensamento
Meu grito será de furor.
Cruza-se a Vida com a Morte
Ouço seu uivo além...
Serpenteia por aí à sorte
Acordando de medo alguém.

Minha memória me liga ao tempo antigo
às minhas origens ao meu povo
Já não me conta nada de novo!?
A não ser a lembrança dum colo amigo
E as histórias contadas à volta do sono
Onde hoje em sonho me abandono.
Lanço ao acaso meu olhar
E a vista alcança o sol que ainda me sorri
Deitado no rio onde vou lavar
O rosto, este que me tráz ,atrás de si.

Declina o dia também ele sem vontade
Deixa-se morrer, jaz num desalento
E também eu me arrasto nesta saudade
Meu grito se ergue ao vento.

natalia nuno
rosafogo