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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PARA ALÉM DO TEMPO












PARA ALÉM DO TEMPO


À Vida me agarrei por mais um dia
Contei segredos ao travesseiro
Chega a tarde e me põe sombria
A sós com lembranças d'algum dia
E o passado na memória por inteiro.

A fazer-me lembrar mais um ano
Perversa a Vida, me leva ao engano.

Sempre igual parecendo diferente
E sempre o sonho morrendo com a gente.

Quando tudo parece a chegar ao fim
Há uma raiz que não desprende
Um pressentimento d'outro tempo em mim
O acolher dum sonho que ninguém mais entende.
E é como se meu corpo de novo se tivesse erguido
Liberto do tempo e da idade
E em minhas palavras um sonho estremecido
Este sentimento que em mim se aninha a SAUDADE.



natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 26 de outubro de 2010

QUERO Á VIDA







QUERO Á VIDA

Às vezes fraquejo um pouco
Parece que a vida me escorrega
Espavorido o tempo, corre como louco
Indiferente, impassível já me pega.
Deito no papel este mal estar
E a vida se apazigua então.
Corro o ferrolho ao coração,
Deixo a saudade amainar.
Arranco a tristeza, desafio a solidão.

O destino prediz amanhãs sem brilho
O corpo vai dando sinais estou atenta
Quero à vida como uma mãe quer ao filho
Mas vai-se a côr, a vida fica cinzenta.
Há dias em que o meu céu é pardo pesado
E as palavras se baralham na mente
A voz se quebra num som magoado
Cai sobre mim um crepúsculo bruscamente.

Por mais que o tempo me desfolhe!?
O meu coração continua perseverante
Que sejam hoje as ultimas estrelas que olhe
Caminharei com sentimentos novos, confiante.



rosabrava.
natalia nuno

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SAUDADE ONDE ME ANINHO














SAUDADE ONDE ME ANINHO

Tanto sonho!Sonhos em vão!
Tão mortos como este meu peito
Onde ao de leve bate meu coração.
Batidas já sem sentido, sem jeito.
E já todo o sonho é em vão.

Saudades me acompanham neste dia
Saudades onde me aninho
Da obscuridade, nasce a nostalgia.
Que me faz sombra p'lo caminho.

Aos anos, somam-se os anos
Levo lembranças e cansado meu coração
Palavras quebradas, e alguns danos
E instantes de esperança que são ilusão.

Perco-me na confusão do pensamento
Refugio-me na saudade é o meu jeito
Vivo embalada a cada momento
Se pára a vida, pára o coração no peito.
Quero viver e amar, amar a vida ainda!
Mesmo definhando a existência pouco a pouco
Quero viver e amar porque a vida é linda
E zombar de mim, achando-me poeta louco.

Cantarei sempre até morrer
Meus versos ficarão!?
E a quem os queira ler, pode crer!
São feitos de sentimentos nobres
Assim nobres eles são!

rosabrava

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A LÁGRIMA MOLHA A FOLHA












A LÁGRIMA MOLHA A FOLHA

A lágrima molha a folha com saudade
Ela me sobe do coração ao olhar
Despediu-se faz tempo de mim a mocidade
E as primaveras que o tempo soube roubar.
Agora o sol se põe, pálido, triste, quase distraído
Deixando-me prisioneira a pensar, em tempo ído.

Longe, como quem impede minha razão
Querendo deixar-me num poço às escuras
Onde meus olhos se perdem nos rios do coração
Procurando ainda por restos de ternuras.

Ah... eu sei que não escrevo com finura
Nem ponho pó de arroz no rosto
Mas tenho ainda do povo a ternura
Falo tal como ele, tanto a meu gosto.

E há em mim uma torrente de vida
Imensa, onde o sonho é poesia e se  faz rio
Os sentimentos são riso, ansiedade, luz embravecida
São bagos de romã, amadurecidos em campo bravio.

rosafogo
natalia nuno