sábado, 24 de janeiro de 2026

quando o sol vai a pico...

 


há palavras implorantes que surgem e me atormentam, que embaciam e apertam-me os dias, deixando-me em vulnerável negação, fundem o medo à minha pele, e se olho para trás cresce a ânsia e a solidão...a memória aguça-me ainda a cada instante, e eu procuro calar a minha mão que por vezes apaga a face amável que tinha da última miragem, mostrando-me a outra que o tempo tanto maltrata...o inverno cruza-se à minha frente com um ruído de vento e o odor da desolação, e em mim uma turva incerteza chega-me ao coração...


a mente por vezes fica como uma casa às escuras, ou com a luz mortiça do sol a pico, e poucas são as lembranças que gotejam, somente obscuridade, e logo a inquieta escrita permanece trémula, balanceando entre a vontade e a saudade...um duro motivo, um passar de horas tão frias e obstinadas, tão iguais à morte

- quando tento livrar-me, forjo os primeiros versos, com decidido traço, o silêncio dita, e cada palavra grita no pulsar dos versos.

natalia nuno
imagem Pinterest

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