o coração não desfalece, vive em inquietude vigilante e vai batendo sem vacilar ainda com o calor do fogo que lhe resta... esta força tamanha e incessante permite-me sonhar, devolve-me um pouco de alegria, e faz com que minhas palavras voltem a ter voz, de modo a urdir aquilo que não se apaga nem com o tempo, e que continua no bosque da minha memória...assim surge o sol, com uma remotíssima fragrância a frutos maduros, a perpectuar em mim o valor da vida, sorrio no sonho, leve e claro, ouço o som das folhas que caem soando entre meus versos escritos em cansados papéis, para lá das janelas o vento passa esquecendo as horas, deixando sonhar o olhar neste dia de outono, cujas brasas ainda aquecem corpo e alma, as memórias me acalmam eu lhes quero tanto como a mim mesmo...uma sombra que procuro ignorar, vai-me seguindo e trazendo um pressentimento de nostalgia, como que a dizer-me que não desiste do caminho até ao final triste do inverno...
natalianuno
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