quinta-feira, 21 de maio de 2020

parti por não ter chão...



parti por não ter chão onde semear sonhos, cerro as palavras na boca, deixo-as na terra adormecida do meu âmago, talvez que as sementes germinem mais tarde em horas de saudade e, docilmente se entreguem em versos chorosos que embaciem os olhos, ou suspendam a tristeza e o vazio do tempo e venham dourar o verde onde a minha esperança cresce... é verão, mas, estranhamente o dia é de penumbra a memória apaga-se lentamente e eu fico de morte ferida, mas ainda vivo, ainda é meu tempo de viver...exausta parti de mãos vazias, levo os desencantos, vou palmilhando o chão e levo por companhia a solidão, voltarei quando fôr lua cheia, se ainda fôr capaz de aprender a primavera, e as folhas em mim caídas voltem a reverdecer em meus sonhos, eu possa moldar de novo as palavras a meu jeito, e nada impeça que me tragam a promessa de ser gaivota na planície...com olhos de madrugada.
natalia nuno

4 comentários:

chica disse...

Lindo e profundo e triste quando não vemos mais chão pra semear sonhos...Lindo dia! Tudo de bom, bjs, chica

Beijaflor disse...

Olá Natália

Para quem sabe semear palavras em qualquer das suas vertentes, (como é o caso) o que aparentemente parece triste, acaba por ser de uma beleza extraordinária!

Nunca esqueças: a escrita, para ti, será sempre uma verdadeira fonte de vida!

Quanto a mim, cada vez aparecerei menos. Tudo tem um tempo, e o meu tempo na escrita está a esgotar-se.

Que a vida te continue a sorrir. Tudo de bom.

Beijinhos do amigo de sempre.


orvalhos poesia disse...

Obrigada amiga pela tua presença na minha modesta escrita, desejo que continues bem, e que possamos todos sair do pesadelo rapidamente.

Um grande beijinho

orvalhos poesia disse...

Olá João

Senti falta das tuas palavras, és um amigo que não se esquece, um bom amigo, não gostaria de perder-te, nem que seja para que me digas «olá», de vez em quando para saber se está tudo bem.
Também eu já pensei tanta vez em desistir, mas sempre que o faço a solidão (ainda que acompanhada), é maior, daí ir resistindo, mas há alturas em que o empenho não é tão grande. Tenho pena que desistas, mas és jovem estás sempre a tempo de realizar outros sonhos e voltares sempre também às tuas trovas.
Espero não te perder de todo, tenho pena de não nos chegarmos a conhecer pessoalmente, embora que o meu sentir é como se de facto nos conhecessemos de sempre.Vou lembrar-te sempre e reler as palavras amigas que sempre me dirigiste e me fizeram, muitas vezes continuar.

Também te desejo toda a felicidade do mundo João
Beijinho e obrigada por seres sempre esse bom amigo