sábado, 30 de março de 2024

Páscoa Feliz

 Para todos os amigos que visitam este meu BLOG.... Um abraço


quarta-feira, 27 de março de 2024

horas de incerteza...


agarrei na palavra
e neste jogo que é a vida,
morria a humanidade
desiludida, 
com tantas vidas por dentro
ouvia a música do vento
que me trazia saudade 

a noite descia, 
e horas de incerteza
me faziam companhia!

outra que também sou
talvez indefesa,
escutava todas as minhas  acções
sepultava as minhas desilusões,
partilhava dos meus sonhos
e atravessava as pontes da minha mente

mas logo a outra que também sou 
mais ardente,
cheia de felicidade
cantava até à desmemória
poemas d' amor e a saudade

assim prendi em mim a palavra
e com solidão e arte
pus-me de parte...
consenti às minhas outras que sou, 
falar, falar, falar
sem escusar-me de as deixar
todas elas em mim habitar.

natália nuno

sexta-feira, 22 de março de 2024

evoco memórias...



olho este poente cinzento, sem fim
e sinto a vibração da poesia
tão íntima e intensa em mim

sussurra-me ao ouvido
que entre névoas, chegará,
para que eu fique cativa
e possa continuar viva
com a certeza que meu coração 
sempre a albergará

às vezes ela se ausenta
deixa-me assim com o destino
dos meus passos
outras vezes ela comigo se senta
nas horas difíceis me acolhe em seus
braços

com os meus versos fico então,
como que escudada da dor
desafiam-me e levam-me p'la mão.

nada me quebranta então
evoco memórias
esqueço a solidão.

natalia nuno








o que agarro se nada possuo?



prisioneira, abraço a solidão
que chega, sempre que vai a noite alta
e me sobressalta,
fico folha trémula, trémulo o coração
prestes a cair, 
morra ou não!?
apanharei os destroços caídos
no chão

ampara-me, dá-me a tua mão
estou cansada e nada levo
deixo a cama quente
do corpo que arrefeceu
quebro  palavras vivas,
 já nada é meu!

com letra que nunca foi cantada
e  com a noite  a apagar,
- ainda hei-de cantar,
quando vier a luz duma nova alvorada.

natalia nuno







segunda-feira, 18 de março de 2024

nau que no mar se agita...



os poemas passam neste mar da vida
como naus perdidas na bruma
tal como a minha vida que se consumiu
e em meus olhos adormecidos, coisa alguma,
agora que o tempo sepulta tudo o que me iludiu

hóspede de mim mesmo é a nostalgia
reclamam de mim os sonhos que não levei
avante
e a tristeza de tê-los abandonado, um dia
já distante.

o papel vazio toca o meu coração
nele vislumbro um milagre incerto
os pássaros pressentem esta minha solidão
e vão-me cantando hinos d' amor, por perto

contam-me minhas vitórias de criança
em sonhos de luz e fragrância,

choram  agora os orvalhos nos trevos
- que deixei à distância.

natalia nuno
rosafogo


terça-feira, 5 de março de 2024

uma candura que me traz uma lágrima e um sorriso

 Enviado por: agniceu  Publicado: 04/03/2024 23:08:27


Parabéns Natália!

Mais um poema daqueles que faz sacudir os corações de emoção!

Seremos crianças até partirmos, e se a madeira não arde é porque ainda é raiz, e se os passos não calam o chão é porque ainda temos algo de especial a fazer.

Vou contar-lhe a história de uma poetisa reconhecida, tão igual a Natália e o menino autista, para demonstrar que a idade não atrapalha quando deixamos que as palavras levem o melhor de nós. Quando aquilo que fazemos com o coração pode ajudar até os mais pequeninos.

Um menino autista e seus pais resolveram participar num concurso de declamação poética para pequenos jovens que iria acontecer na cidade. Iria declamar um poema com o título 'Nada Altera a Mágoa…', mas foi recusado a participar por ser autista. Alguém não percebeu que autismo não é doença. Quem tem autismo é único, com suas próprias necessidades, habilidades e desafios. O menino ficou muito desiludido e triste, mas seus pais não desistiram. Resolveram realizar um vídeo onde aquele menino declamava aquela poesia. Assim foi. Depois, enviaram para a própria autora e, por milagre, a autora respondeu agradecendo. Esse menino ficou muito contente, porque pôde declamar o poema escolhido e ainda sentiu-se especial em homenagear uma poetisa tão especial. Moral da história: nunca é tarde para semearmos bondade.

Um abraço e obrigado por continuar a semear…

A história do menino que me homenageou, lendo o meu poema Nada Altera a Mágoa , é contada pelo pai, Poeta do Lusopoemas, deixo aqui o meu abraço e um beijinho a este menino de ouro.

natalia nuno

Homenagem à poetisa Natália