segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

cativa...



meus versos trazem palavras de sol
às vezes são nevões de pavor
tempestade que me leva à obscuridade
onde só se ouve o sopro e o rumor
que ainda sinto e é saudade
meus versos são um mundo de palavras
despidas de perfeição
todos eles de efémera glória
sonham ser palavras de eleição
sementes criadas ao crepúsculo
quando o sol guarda a mantilha
e aparece a lua e brilha
hora das recordações, das emoções
carregadas de doçuras
meus versos são inventário
de lamentações...
são rajadas de vento por entre as urzes
do meu pensamento
escadarias que me levam ao infinito
relâmpagos que me rasgam a mão
o grito que me sai, a ferida, a respiração
a obsessão...
meus versos são furor nascido em mim
quando escrevo sinto-me livre
enquanto houver vida vai ser assim
assim, até ao fim...

natalia nuno
rosafogo

emoções...




viajo ao fundo de mim
em marés de tanta melancolia,
a resgatar a imagem que trago na memória, 
para alegria de voltarmos a estar juntas,
abro a janela da esperança e
festejo a vida com a emoção destas pequenas coisas
que tocam o meu coração,
abraço com intensidade esta viagem
onde me atrevo a sonhar, 
ambas temos a mesma história, 
o mesmo tempo que nos envelhece
a mesma nostalgia que não nos abandona,
as mesmas palavras que nos fazem sonhar 
com a felicidade 
e os mesmos anos que passaram
sem que dessemos conta...
ouvimos a mesma música e nada,
nada nos pode separar...
ela traz nela a juventude
........... e eu trago em mim a saudade
e a desmemória batendo com implacável
rancor...neste sonho baldio
onde ainda ressoa o amor....

natalia nuno
rosafgo


sábado, 9 de janeiro de 2016

o sonho vive em mim...



embriaguei-me  nos aromas
que me chegam aos sentidos
na minha mente os zumbidos,
bailam giestas ondulando
e a flauta do vento vai murmurando
rosas são paixão em chama
mais dia menos dia desfolhadas
pelos cravos amadas
fica-lhes do amor a chama

vida tão fugaz
ter nascido flor
e ao olhar para trás
os olhos vão fazendo a despedida
a paisagem é uma aguarela
esvaída...
mas o passado é minha pertença
gira na memória feito catavento
é eterno como eterna é a lua
é como doce alento
quando a vida me faz medo

trago em mim lembranças
guardadas em segredo
palavras que gemem
adormecidas na garganta,
pulam as minhas veias,
roseiras que ao vento tremem.

lembranças são estranhas flores,
estevas e rosmaninhos
que encontrei pelos caminhos
de tantas noites e dias
meus olhos foram delas vigias.

tão claro tudo vejo
o sonho vive em mim
feito da minha nostalgia.

natalia nuno
rosafogo









segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

se a primavera esperar...



solidão sem sentido,
se abeira de mim
a que já me rendi.
longos silêncios,
tempos enclausurados
onde a vida se vai diluindo
junto a ti...

deixo-me ir numa lembrança
mas hei-de voltar!
quando o esquecimento abrir
passagem, depois do inverno
se a primavera por mim esperar

e em cada tempo hei-de reconhecer
no latejar do coração
se valerá a pena viver...ou não!

vazia a minha mão é nada
já não escreve como outrora
mas continua aqui, pelo sol acariciada,
trémula, como a flor dos laranjais ao vento,
vento que uiva lamento que se espalha
p'los canaviais.

nesta hora,
de solidão, aos versos vazios
sem palavras felizes e sem solução,
me rendo sem condição.

ignoro donde vem esta solidão
se do dia que está a morrer
ou da rosa que não chegou a nascer
aperta-se o coração
o dia não vai regressar
a noite está p'ra chegar
vai decidir do meu sono
resta-me a esperança para não
me deixar naufragar no abandono,
desta lembrança saudosa.

no céu...
uma constelação sombria
o dia sem esplendor,
mas amanhã é outro dia.
e eu....falar-te-ei de d'amor.
e da memória duma vida em seu ar distante
onde foste namorado, marido e amante.


natalia nuno
rosafogo

passou mais um aniversário de casamento (49) anos para relembrar...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

o sonho que me comanda...


grande é a ânsia que me vem de ti
e neste meu desmesurado coração
existe o fogo e a magia  que vivi
que é rio de amor, hoje recordação

procuro-te, num espaço fechado
e basta teu olhar para me alegrar
invento sonho com final dourado
d''amor, sem limites a me entregar

o tempo foi passando deixou ferida
peço agora à esperança mais vida
calar o tempo onde o rosto obscureci

esquecer a  inquietação do outono
deter a alegria, e despertar do sono
e no final o delírio que já conheci.

natalia nuno
rosafogo


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

vôo transparente...



a simples lembrança duma festa
um arco-íris que penetra na memória
não é só data nem história
é a grinalda de rosas caída do ramo
o coração exultando de paixão
e sílabas soletrando...te amo, te amo.

a alegria natural da juventude
no dia um resplendor que canta
nas nuvens uma gaivota que surge
do sonho brota uma música que encanta
foram horas que abraçámos
que abrem ainda com suas chaves
os sonhos que sonhámos...

amar-te é então lembrança
é guardar em mim o cheiro do alecrim
é ser parte de ti, voar no teu sangue
num contínuo pulsar, é ser teu rio,
teu mar, tua segunda pele
a tua manhã de sol ofegante
o teu diamante ...

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

velha lenda...



faço agora o caminho de regresso
deito um último olhar de despedida
faço o caminho de volta... já tropeço
mas peço à morte o resgate p'la vida

uma quantia avultada despenderia
como se vida fosse jóia verdadeira
só com punhado de trocados viveria
iniciava caminho novo... aventureira!

mas meu caminho... é peregrinação
não sei se por destino ou por quimera
trago no rosto ainda a mesma expressão.

este rosto por sentimentos tão marcado
o tempo, pintor mágico assim quisera
fazer dele, um retrato único e inacabado.

natalia nuno
rosafogo