palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
desilusões...
cerro meus olhos a esta página vazia
o meu coração recolhe a dor da terra
goteja ele densamente amarga agonia
negras visões que o meu olhar encerra
estendo meu silêncio sobre esta linha
só os rouxinóis me cantam na memória
a brancura da página é minha, só minha
e muda fico nela, a recordar m' história
deito a mão à dor vinda da obscuridade
já minhas pupilas incansáveis com os anos
perderam o brilho, são estranha opacidade
enclausuro-me na minha eterna saudade
rostos que não encontro, são desenganos
até que m' chegue o céu com nova verdade
natalia nuno
rosafogo
uma familiar faleceu, mas uma nova vida na família está prestes a chegar...
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
versos dum poema...
caíram-me as sílabas ao chão
neste outono de morte
um cheiro a frio,
vazio o coração,
na vida que já não existe
apenas o eco dum sonho baldio.
escuto à distância um silêncio
de luto
emudece a minha lembrança
lembrando o colo que me embalava
em criança
hoje tudo morreu, só se ouve o vento
a noite surgiu com côr de cadáver
trazendo a foice na mão
e deixando a vida sem alento
caíram-me as sílabas ao chão.
não sei exactamente o que sinto
sinto, que não regressarei ao calor
do teu olhar
nada mais sei, nada mais quero saber
a morte é difícil de enfrentar.
surge a primeira lágrima de resignação
hoje caíram-me as sílabas ao chão.
natalia nuno
a morte dum familiar é sempre difícil de se entender é dor que não se explica
sábado, 7 de novembro de 2015
troço da viagem...
dias indolentes
neste troço da viagem
as manhãs azedas, frias,
as memórias pesam demasiado
a luz esmorece pouco a pouco
fico suspensa no tempo,
são incontáveis os momentos
de solidão
recordo sentimentos
guardados no coração
afasto-me de mim
na cega ilusão de que
não possuo vida
e assim o tempo vai fazendo
por mim a despedida...
a amargura na bruma fundida,
resta a lembrança de quando
a vida se fazia a quatro braços
com a velocidade sedenta
de quem por amor tudo tenta
medito...
enquanto se ouve o canto
do grilo, nos meus lábios a tranquilidade
mansos são os momentos em que
recordamos...com saudade
natalia nuno
rosafogo
etérea saudade...
Já vejo neve rodeando
o teu rosto
deu-te a vida algum desgosto
ou é do peso da idade,
da etérea dor da saudade.
caminhamos de mãos dadas
entristecia quando tu choravas,
o teu silêncio era silêncio em mim
hoje, teu sorriso partiu
a tua imagem já na minha memória se diluiu
mas une-nos ainda aquele abraço
e é na solidão tranquila
que ainda sigo o teu passo
e o teu olhar é estrela que no meu cintila.
quem rasgou nosso rosto,
quem nos deixou neste outono magoado?
nosso olhar cansado...
sol posto, ouro a derreter
coração sobressaltado
mas enorme é a força de viver.
se o coração não morreu!?
os sonhos também não!
és esplendor que ressurge no meu peito
um grito de furor contra o tempo
ouço a tua voz que se agiganta e me diz
deixa este pranto abrasado de palavras
e sê feliz....
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
porquê esta saudade...
sinto saudade sem saber de quê
talvez mitos da infância radiantes
mas, nas maçãs do rosto, é que se vê
sulcos, lembrando tristes semblantes
de velhas folhas caídas na terra fria
q' amarguram o rosto na obscuridade
são do tempo a ditadura e hipocrisia
sem saber porquê... sinto saudade!
range o tempo neste inverno hostil
se soubesse ao menos donde vem,
esta saudade que me deixa febril...
sinto que a vida é uma encruzilhada
a ilusão a maior mentira que ela tem!
e esta saudade q'me aparece pela calada
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
a DEUS nada é impossível
Conversei com a natureza
que estava triste e chorou
falei-lhe da sua eterna beleza
mas em mim não acreditou
Chegou o vento e sem dó
Derrubou tudo com indiferença
Em meus versos fiquei mais só
logo me venceu a descrença...
Também sonhos que sonhei?!
partiram ligeiros em viagem
comovida neles tropecei
no vazio instante da aragem.
caíram meus gestos de cansaço
devagar a noite em mim encerrou
árvores trazem esperança nos braços
e a manhã de sol sem moleza anunciou
que erguesse os olhos aos céus
sem pedir explicação
nada é impossível a DEUS
que assim fez nascer
o poema em minha mão.
natalia nuno
rosafogo
imag-net
13/03/2009
na aldeia
AMORES QUE TIVE
Lembrar amores que tive
Porque é livre o pensamento
Só quem não amou não vive
Eu vivo a todo o momento!
Lembro horas de paixão
Sem muros e sem fronteiras
O coração dizendo sim,
a mente dizendo não
E em meus olhos duas fogueiras.
Passou o tempo e agora?!
Memória cansada e ausente
Recorda paixões de outrora
Bem vivas!
No coração q' inda as sente.
natalia nuno
rosafogo
aldeia 14/3/2009
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