quinta-feira, 12 de novembro de 2015

desilusões...




cerro meus olhos a esta página vazia
o meu coração recolhe a dor da terra
goteja ele densamente amarga agonia
negras visões que o meu olhar encerra

estendo meu silêncio sobre esta linha
só os rouxinóis me cantam na memória
a brancura da página é minha, só minha
e muda fico nela, a recordar m' história

deito a mão à dor vinda da obscuridade
já minhas pupilas incansáveis com os anos
perderam o brilho, são estranha opacidade

enclausuro-me na minha eterna saudade
rostos que não encontro, são desenganos
até que m' chegue o céu com nova verdade 

natalia nuno
rosafogo

uma familiar faleceu, mas uma nova vida na família está prestes a chegar...



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

versos dum poema...



caíram-me as sílabas ao chão
neste outono de morte
um cheiro a frio,
vazio o coração,
na vida que já não existe
apenas o eco dum sonho baldio.

escuto à distância um silêncio
de luto
emudece a minha lembrança
lembrando o colo que me embalava
em criança
hoje tudo morreu, só se ouve o vento
a noite surgiu com côr de cadáver
trazendo a foice na mão
e deixando a vida sem alento
caíram-me as sílabas ao chão.

não sei exactamente o que sinto
sinto, que não regressarei ao calor
do teu olhar
nada mais sei, nada mais quero saber
a morte é difícil de enfrentar.

surge a primeira lágrima de resignação
hoje caíram-me as sílabas ao chão.

natalia nuno

a morte dum familiar é sempre difícil de se entender é dor que não se explica

sábado, 7 de novembro de 2015

troço da viagem...



dias indolentes
neste troço da viagem
as manhãs azedas, frias,
as memórias pesam demasiado
a luz esmorece pouco a pouco
fico suspensa no tempo,
são incontáveis os momentos
de solidão
recordo sentimentos
guardados no coração

afasto-me de mim
na cega ilusão de que
não possuo vida
e assim o tempo vai fazendo
por mim a despedida...

a amargura na bruma fundida,
resta a lembrança de quando
a vida se fazia a quatro braços
com a velocidade sedenta
de quem por amor tudo tenta

medito...
enquanto se ouve o canto
do grilo, nos meus lábios a tranquilidade
mansos são os momentos em que
recordamos...com saudade

natalia nuno
rosafogo

etérea saudade...



Já vejo neve rodeando
 o teu rosto
deu-te a  vida algum desgosto
ou é do peso da idade,
da etérea dor da saudade.
caminhamos de mãos dadas
entristecia quando tu  choravas,
o teu silêncio era silêncio em mim
hoje, teu sorriso partiu
a tua imagem já na minha memória se diluiu
mas une-nos ainda aquele abraço
e é na solidão tranquila
que ainda sigo o teu passo
e o teu olhar é estrela que no meu cintila.

quem rasgou nosso rosto,
quem nos deixou neste outono magoado?
nosso olhar cansado...
sol posto, ouro a derreter
coração sobressaltado
mas enorme é a força de viver.

se o coração não morreu!?
os sonhos também não!
és esplendor que ressurge no meu peito
um grito de furor contra o tempo
ouço a tua voz que se agiganta e me diz
deixa este pranto abrasado de palavras
e sê feliz....


natalia nuno
rosafogo


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

porquê esta saudade...



sinto saudade sem saber de quê
talvez mitos da infância radiantes
mas, nas maçãs do rosto, é que se vê
sulcos, lembrando tristes semblantes

de velhas folhas caídas na terra fria
q' amarguram o rosto na obscuridade
são do tempo a ditadura e hipocrisia
sem saber porquê...  sinto saudade!

range o tempo neste inverno hostil
se soubesse ao menos donde vem,
esta saudade que me deixa febril...

sinto que a vida é uma encruzilhada
a ilusão a maior mentira que ela tem!
e esta saudade q'me aparece pela calada

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

a DEUS nada é impossível



Conversei com a natureza
que estava triste e chorou
falei-lhe da sua eterna beleza
mas em mim não acreditou

Chegou o vento e sem dó
Derrubou tudo com indiferença
Em meus versos fiquei mais só
logo me venceu a descrença...

Também sonhos que sonhei?!
partiram ligeiros em viagem
comovida  neles tropecei
no vazio instante da aragem.

caíram meus gestos de cansaço
devagar a noite em mim encerrou
árvores trazem esperança nos braços
e a manhã de sol sem moleza anunciou
que erguesse os olhos aos céus
sem pedir explicação
nada é impossível a DEUS
que assim fez nascer
o poema em minha mão.

natalia nuno
rosafogo
imag-net
13/03/2009
na aldeia


AMORES QUE TIVE




Lembrar amores que tive
Porque é livre o pensamento
Só quem não amou não vive
Eu vivo a todo o momento!

Lembro horas de paixão
Sem muros e sem fronteiras
O coração dizendo sim,
a mente dizendo não
E em meus olhos duas fogueiras.

Passou o tempo e agora?!
Memória cansada e ausente
Recorda paixões de outrora
Bem vivas!
No coração q' inda as sente.

natalia nuno
rosafogo
aldeia 14/3/2009