palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 17 de outubro de 2015
madresilvas e alfazemas
a vida desabrida e repentina
a noite cai nas redondezas
virá a lua cristalina
não tarda bate a meia-noite.
atarantado o pensamento,
por perto o eco do sino
trazido pelo vento
em notas melodiosas,
e eu segurando as rédeas da vida
acautelando o que não posso prever
o tempo que virá a enpardecer,
e tudo esboroar-se em cinza.
qualquer coisa que não se deixa adivinhar
neste sonho meditativo,
só uma palavra lenta a obstar
e um sentimento vivo
de saudade, saudade que é fado
ou maldição,
a mais límpida claridade que fui
quero em mim sempre o pulsar do verão
mas fico melancólica
e dói-me a recordação...
madresilvas, alfazemas e de repente
das giestas o fervor
traz-me uma subtil melancolia
sinto-me de novo gente
com o coração cheio de amor.
natalia nuno
rosafogo
a paz longínqua...
tinha sede de amar
inventava sonhos
era relâmpago a faiscar
agora nada procuro, nem espero!
apenas quero,
recordar...
deleito o pensamento em
madrugadas frescas e azuis,
escalo sonhos com agilidade
e num belo seguimento
logo o sorriso do destino
me traz a saudade
sonho, sinto-me uma gazela
livre e ágil, corro na praça, numa ruela
e a vida sonhando torna-se fácil
a mesma praça, o mesmo poço
o mesmo sol do meio-dia
a mesma saudade que alivia
e a sair a procissão
é dia de festa
hoje não há roupa posta no sabão
o rio vazio, a aldeia vive de alegria
e exaltação...
mas já tudo me escapa,
já pouca a memória, pouca
ou mesmo nada
o riso e o pranto fresca madrugada
o destino a prender-me, há muito domina
e eu a querer-me... para sempre menina.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
lusco-fusco...sentimentos
O passado é já só lembrança, um caminho sinuoso de caminhantes cansados, no pensamento trazemos ainda vozes e risos, traçados no escuro, como segredos nossos...no presente a esperança germina devagarinho, vai rompendo como um raio de sol que traz um pouco de luz deixando o desânimo nos escombros ao lusco-fusco, hoje não quero nada nem sequer pensar no futuro que eu espero não seja uma noite de tempestade...é que tanto me encanto como me confundo com a loucura que vai neste mundo...já vi nascer tantas madrugadas, que em mim, nasce uma saudade infinita, é certo que o tempo tirou um pouco de luz aos meus olhos, mas eu faço força e não me deixo adormecer pelo caminho...
natalia nuno
natalia nuno
sentimentos...
sentimentos
passeio para esticar as pernas...companheirismo
uma vida a dois é muito tempo, tanto que se esquecem as agruras passadas, se recordam os tempos bons, felizes, e se pensa agora na entreajuda e no aconchego...no inverno ainda há beleza e um poema por conquistar...
passou o esplendor da vida
extinguirão-se as forças
mas esta esperança obstinada
desliza no peito
a voz um pouco quebrada
o coração um violino e ondulação
e uma mão,
sempre espera que outra mão
a acaricie...
o relógio golpeia os dias
e o corpo se afunda
e daquele tempo quase esquecido
melancolicamente já confundido
é agora apenas saudade...
natalia nuno
rosafogo
passeio para esticar as pernas...companheirismo
uma vida a dois é muito tempo, tanto que se esquecem as agruras passadas, se recordam os tempos bons, felizes, e se pensa agora na entreajuda e no aconchego...no inverno ainda há beleza e um poema por conquistar...
passou o esplendor da vida
extinguirão-se as forças
mas esta esperança obstinada
desliza no peito
a voz um pouco quebrada
o coração um violino e ondulação
e uma mão,
sempre espera que outra mão
a acaricie...
o relógio golpeia os dias
e o corpo se afunda
e daquele tempo quase esquecido
melancolicamente já confundido
é agora apenas saudade...
natalia nuno
rosafogo
sentimentos...
O AMOR é mais velho que o mundo, é fascinação, tempo sem tempo, amor é o sol que sempre regressa à sua fonte de aromas breves ou perenes, quando se contempla o «outro com os olhos do coração», quando se sonha até à alvorada e se tem sede de absoluto abandono, os dias são sempre azuis e a felicidade corre nos corredores da mente....
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
nos versos abandonados...
dispo as palavras
e deixo-as solitárias
sem memória,
assim nenhuma me interroga
e nas minhas lágrimas há sempre
uma que se afoga
deixo-as sós ante o vazio, ignoradas,
entre pensamentos azedos
fechadas, numa ânsia rendida
de medos, sussurrando na solidão
sem que possam encontrar outra paixão
que não procurem piedade!
nem decifrem o tempo de morrer
acalmem antes a saudade
da minha alma...
deixem-me o caminho percorrer.
nos versos abandonados
haverá rasto de meus passos
que é todo o consolo que me resta,
e palavras nuas lançadas no lodo
para encerrar esta vida
que não presta...
que não foi a escolhida.
natalia nuno
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
absoluto abandono...
o sol já se deita sobre os arrozais
os pássaros insistem em cantar
seus madrigais
mais um dia passa no calendário
da minha vida
um desafio de vencer ou perder
dias brancos de sombras e vazio
e a morte no meu encalço
de uniforme com galões dourados
olhando-me com olhos de cobiça
e raiva embutida
querendo levar-me a vida
magoa-me a sua frieza
caprichosa, de encanto estouvado
e a certeza de que irei protestar
ainda que debilmente
resistindo às suas investidas,
baterá inesperadamente
à minha porta
partirei sem animosidade
silenciarei em mim a saudade
serei o sol que regressa à fonte
a sombra ou a brisa que desliza
gaivota a caminho do horizonte...
natalia nuno
rosafogo
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