palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 25 de março de 2015
dou asas ao meu voo...
arde em mim um fogo alto
ora de paixão, ora de desassossego
a esta força me apego
força que cresce faz-me sonhar
dá asas ao meu voo
talvez venha do passado
ou do futuro pra onde vou.
há um aroma que recordo
daquilo que já perdi
fragrância forte
sempre que rio, ou me lembra
a morte...os que se foram.
desprezo a lágrima que
vem das minhas nostalgias
nas noites, nos dias
de incerteza
numa confusa dualidade
entre o sonho e a realidade
vivo, com o coração fechado
entre sorrisos e esquecimentos
entre velhice e a juventude
o pensamento sobressaltado
tão amiúde...
invento esperanças, numa aventura
excessiva, quero-me viva
sem o fastio de viver por viver
sem ser pedra que se afunda
viver até o fogo deste meu coração
perecer...
natália nuno
rosafogo
sexta-feira, 20 de março de 2015
transparências...
guardo palavras num frasquinho
como se fossem doce ou vinagre
as vou espalhando pelo caminho
vivendo esp'rança em tempo agre
e assim entre beijos inacabados
o olhar repouso, acalmo o desejo
trago os sonhos com nós atados...
e a esperança na promessa d' beijo
é já na hora tenra da madrugada
q' gritam os pássaros com ternura
na luz que avança leitosa azulada
a gente se ama, é nossa a ventura
amor me fio, janelas escancaradas
deixam entrar os ventos da aurora
e as vestes p'lo chão amarrotadas
é hora do amor... é do amor a hora!
tudo que tem sombra é sombrio
quando não se alcança o sol à mão
e a vida ás vezes presa por um fio
e aí nos amarra d' dor e solidão
no pomar tão brilhantes as cerejas
nas moitas sol aceso nos azevinhos
brilham mais m' olhos se os cortejas
acolho o cortejo dos teus carinhos
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 11 de março de 2015
a vida corre...corre
desliza a tarde procurando o colo da noite
há tufos de flores que exalam
leva-lhes o odor o vento com seu açoite
e a vida corre, corre...
não querendo ficar para trás!
tudo é claro como água
só eu a realidade e o sonho
morrendo de mágoa...
quando escrevo estou só
como as águas do oceano,
onde gaivota sigo ao engano.
dos que partiram,
vem-me a saudade
nas palavras escritas procuro serenidade
adivinham-me o pensamento
o que faço e não faço
a cada instante, cada passo
que eu própria nem sei,
ah...jovem para sempre me julguei
quando escrevo não me sinto de hoje
talvez de ontem ou de anteontem
dos sonhos sonhados
dos passos dados.
hoje a memória é um rio
cada vez mais estreito
com imensa neblina
onde flutua a imagem da menina
que trago sempre no peito...
natália nuno
rosafogo
domingo, 15 de fevereiro de 2015
bailam os pensamentos...
o relógio sempre bate as horas
sejam elas
de felicidade ou de desgraça,
por onde andará o sol na imensidão
do céu,
agora que a noite cai?
bate o coração com indiferença
nem se ouve um ai...
o relógio e eu,
e as horas a cair...
chora meu olhar mudo
voltar atrás?
fundas saudades de tudo!
podem até estranhar
mas não há como voltar.
avisto já a lua
aqui da minha janela,
não é outra, é aquela
que lembro se é que a memória
não perdi
quando me entreguei a ti.
e o relógio continua a bater
o tempo me asfixia,
passa a doer,
hora a hora, dia após dia.
os beijos que te dei
ainda me põem a cismar,
já não lembro, já não sei
se foi de noite ao luar.
foram por acaso...talvez!
ou quando chegava a vontade!?
se eu gostava? pois assim crês?
é verdade sim, me dá até saudade!
Saudade dessas horas,
em que o relógio parava,
quando o desejo em nós despertava.
rosafogo
natalia nuno
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
íntimo sossego...
o sol faz sorrir a paisagem
brilha bem vivo, com esplendor
e uma estranha alegria
também meu coração sorri ao amor
neste solarengo dia...
na surdina do verde que avisto
alguns cantos harmoniosos
de pássaros vistosos,
nos campos confusão de colorido
flores que baloiçam ao vento
docemente sussurrando
enquanto meu coração segue
amando...
numa vertigem de volteios
andam as libelinhas em vibração
perdida nos meus devaneios
meu olhar de admiração
os lírios juncam a terra soalheira
o coração pu-la-me do peito em alvoroço
sinto-me uma desengonçada cegonha
no rosto trago a poeira,
e o bom humor deste dia que seduz
masgestoso, opulento,
em mim o triunfar do sentimento
tolho lágrimas, sou forte!
sou floresta de abraços
esqueço cansaços
hoje não falo de solidão nem de morte
nem da vida o dissabor
entrego-me ao manso labor
de ouvir a natureza, numa embriaguês
musical...suaves gorgeios
à vez à vez....
até ver escapar o dia a fumegar
d'alfazema outra vez.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 31 de janeiro de 2015
reflectindo...pequena prosa
às vezes fico numa espécie de quietude a reflectir sobre as minhas interrogações, procurando tranquilidade de espírito e libertando-me de certas angústias e vou descobrindo força necessária e energia tamanha para prosseguir o dia a dia levando a vida amenizada, embora sentindo as consequências do caminho andado, no caminho há muros que desabam e outros que se se vão reconstruindo, por instinto vamos superando quase tudo, já fomos jovens apressados, agora sabemos que o passo é mais apertado, porém eu gosto de me desafiar de me multiplicar naquilo que faço, sinto o fogo da energia para amar, viajar, e assim me recuso envelhecer, quero prosseguir viagem subindo o mais agradável possível, quero olhar o sol de frente como fazia em criança, quero ficar em silêncio na natureza quando me apetecer, redobrar os momentos felizes... e ainda que a estrada seja poeirenta e me sujeite a rudes provas, ainda assim, caminharei procurando o meu pedaço de céu e encorajarei as palavras, as mais simples a fugirem-me dos lábios, directas às minhas mãos que as deixarão felizes assumindo a sua importância...
natalia nuno
rosafogo
reflexão
A vida serpenteia por entre nossos olhos e às vezes é difícil seguir o caminho sem que haja desvio, o pior é quando ficamos desterrados de afecto, entre sombras... ameaçados pela solidão.
natalia nuno
rosafogo
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