palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
venho de longe
Venho sempre de longe
ainda e sempre carregada com o fardo
que é o tempo, tempo pardo...
que me põe nos olhos o cinzento
e romeira lá sigo descalça
como pastora
minhas memórias apascento,
já tudo se distancia
venho de longe
do tempo que tudo devora
trago comigo nostalgia,
e as mãos nervosas
vão semeando palavras,
rosas, que ninguém colhe
nutridas de amor, alimentadas
de esperanças, rendilhadas
de lembranças.
Venho sempre de longe
trago sonhos novos
que povoam minha mente
em noites de insónia
e eu a deixar-me morrer
apressadamente,
cansada de cismar,
do mesmo chão repisar
com passos fantasma
entre a multidão
e venho chegando em dia
de outono
à minha espera o eterno sono,
e logo se cala o coração.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
gaivotas em céu de anil
será que o poeta canta? ou só lamenta e chora?
não, talvez só suspire, entre cada verso surja um sorriso e uma lágrima, no seu coração um poema inteiro, e nos olhos a alegria e o perfume da brisa do mar a encher-lhe a alma. irrequieta a poesia surge no horizonte e vem navegando pelo oceano e não cabe no peito do poeta, então aguarda-a como a um filho sente-se fadado e faz mais uma criação perante a beleza e imensidão desse mar azul...
os versos nascem como flores enquanto as gaivotas suspensas em suas penas se embalam indolentes :
saudade amor ardente
doce vibração sem fim
nesta tarde indolente...
és aberta flor em mim.
do mar vem a maresia
em mim um sonho lindo
o sol teus beijos me envia
sinto que morro sorrindo.
natalia nuno
rosafogo
algarve 11/09/2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
ser ou não ser Poeta
a aragem perfumada da saudade, traz-me alguns suspiros, algumas lágrimas, sonhos sem fim que quase sempre esvoaçam na memória ao entardecer... surge então aos meus ouvidos como que uma revoada de aves que quase se atropelam e, qual orvalho matutino me caem na alma aquelas lembranças que me deixam a sonhar, por vezes melancólicas, é que o Poeta sente seu coração imortal, nele existe sempre esse alimento que não o deixa morrer...a POESIA. há sempre qualquer coisa que surge, que abala, que é difícil traduzir em palavras e que lateja em nós como uma ânsia, um grito, um desejo profundo, um ímpeto, ânimo, também um desânimo, nos dá ou nos tira a força. assim vou vazando a minha inspiração, não sou literata mas sinto -me Poeta, pois como eles eu canto, choro, deixo em cada verso uma mágoa, um riso, um sonho, e a cada estrofe um pedaço da minha alma.
natália nuno
rosafogo
ao pé do mar me sinto mais verdadeira!
12/09/2013 ...Algarve
terça-feira, 17 de setembro de 2013
só eu e o mar...
Hoje o mar alterou-se, sabe-se lá porquê... ficou paranóico, avassalador, mas depois, deixou-nos a fúria de o amarmos em liberdade, mais tarde passou-lhe a cólera e veio-nos beijar com paixão e delicadeza...e ali mesmo fiz um verso e foi o desvario, nele adormeci o sol , coloquei cigarras a cantar nos canaviais e acreditei que era verdade o sonho que eu, o mar e o sol sonhávamos...fiquei na quietude para sempre, sonolenta, num lugar onde me contaram lendas de um tempo passado, ali perto o mar e o sonho e eu aqui com minhas palavras, meus gestos lentos, meu sorriso, continuo viva, aguardando o outono, depois o inverno e quem sabe ainda a primavera próxima, coberta de malmequeres na ladeira das lembranças, dizendo-me adeus e cantando-me uma melodia para que adormeça num manto de silêncio...e no areal só eu, o mar e os meus versos a rimar com a(amar).
pequena prosa,
dia 12/09/2013 Fuzeta.
natalia nuno
confidências...
Hoje o mar derramou-se sobre a areia num ímpeto de paixão, como se fosse um tapete voador e eu paralizei de espanto por tão grande afabilidade...
Confidenciou-me ao ouvido, que era apenas uma cena de ciúmes feita ao sol, que amargurado resolveu esconder-se, derramando algumas lágrimas, testemunha dessa humilhação resolvi, logo ali fazer um verso de amor e saudade, deixando deslizar a imaginação, v...erso que o vento levou para outras paragens, para um lugar sem tempo nem memória, apenas imortalidade, verso tecido de sonhos insatisfeitos mas sem tristeza nem mágoa, assim o oceano tranquilizou e ficou só meu coração em silêncio com o calor do teu sorriso.
sábado, 14/09/2013
natalia nuno...
pequena prosa feita de mar, sol e saudade e duma memória que subsiste
Confidenciou-me ao ouvido, que era apenas uma cena de ciúmes feita ao sol, que amargurado resolveu esconder-se, derramando algumas lágrimas, testemunha dessa humilhação resolvi, logo ali fazer um verso de amor e saudade, deixando deslizar a imaginação, v...erso que o vento levou para outras paragens, para um lugar sem tempo nem memória, apenas imortalidade, verso tecido de sonhos insatisfeitos mas sem tristeza nem mágoa, assim o oceano tranquilizou e ficou só meu coração em silêncio com o calor do teu sorriso.
sábado, 14/09/2013
natalia nuno...
pequena prosa feita de mar, sol e saudade e duma memória que subsiste
presença perturbadora
louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta,
apenas este silêncio mudo
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me
e a vida sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu
de rosto corroído a verdadeira
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
deixo um letreiro...
fechei-me dentro de portas
como concha adormecida
fechei todas as janelas
à tempestade da vida
detive todos os passos
coloquei pensamentos em ordem
dei um nó nos sonhos
no amor também fiz laços,
e pelo sim pelo não
tranquei o coração.
no caso de aparecer alguém
deixo um letreiro
hoje não estou p'ra ninguém.
dou o tempo por perdido
a vida flutua indecisa
tudo o que escrevi está dito
e o que vivi, a Deus agradecido.
falei a quem me ouvia
só o poema está aberto até
ao sol posto,
o sol que
ainda bate em meu rosto.
hoje não estou para ninguém
deixo um letreiro
no caso de aparecer alguém.
refugio-me antes que seja tarde
antes que esqueça quem sou de verdade
deixo a cortina entreaberta
para a distância encurtar
e a saudade não aumentar.
natalia nuno
rosafogo
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