segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FITA DE VELUDO ENCARNADO















FITA DE VELUDO ENCARNADO

Á noite a terra parece vazia
Deserta, mas de luar coberta
E em mim uma estranha melancolia
Hoje me sinto inquieta, saudosa
Num tempo infantil de pureza
Recordo minha mãe jovem, mimosa
Ah... mas é apenas um sonho concerteza.

Um sonho que depressa se desfaz
Tudo o que perdi está em mim ancorado
Neste sonho sorrio e encontro paz
Embora o caminho nem sempre de rosas semeado.
Mas o passado é fonte de vida
Exige minha atenção,
Hoje nada mais, nada mais, só há uma saída
Deixar-me neste tempo, sem duração.

Deixar-me nesta minha verdade
Recordar o bibe branco bem lavado
Os caracóis pretos, com saudade
Atados com fita de veludo encarnado.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 8 de agosto de 2010

SEMPRE À MESMA HORA



















SEMPRE À MESMA HORA

Da mesa onde escrevo
Sempre à mesma hora
Vejo o sol morrer e levo
O olhar envolvido nesse mistério, agora...

Surge a luz nocturna e fria
Bate o coração dentro de mim
Indiferente a qualquer outro sentir
Assim... apenas o ruído da vida, neste dia
É ver o Sol partir.
Saio dos meus pensamentos
E ao regressar estou renovada
Deixo para tras lamentos
Sou feliz com pouco mais que nada.

Travo às vezes duelo com a vida
Nem sempre saio vencida
Ou vencedora!?
Houve um tempo inteiro
Nada restaria se prodigiosa a mente
não fora.

Fim de tarde
E tanta ainda a luminosidade
Dou comigo de expressão parada
Num abandono quase perfeito
No meu rosto sinais de nada
Mas uma saudade presente no peito.

Senhora das faculdades minhas
Embora parecendo ausente?!
Minhas lembranças são campainhas
A embalar-me o peito docemente.



rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PALAVRAS VIGIAS DO TEMPO



















Palavras vigias do tempo


Fervilham pensamentos dentro de mim
Hoje, é a palavra quem fala
E meu rosto, minha vontade e assim!?
Também meu coração não se cala.
Minhas palavras são pobres, impotentes
Não uso palavras caras nem chavões
Defendo a poesia com calor e generosidade
Com poemas melancólicos, benevolentes
A minha poética vem de longe tráz saudade
E gritos que chegam aos corações.

Entrego-me à palavra com sofreguidão
às vezes dentro de mim adormecida
E se o pânico se apodera do coração?!
Vou perdendo a memória e com ela a vida.

Então meu sonho se desfaz aos bocados
Nada voltará a ser como dantes?
Borbulham em mim imagens de passos dados
Desafiando minhas horas amargas e inquietantes.
Trago um sentimento em mim arreigado
Sou sensível à palavra e seu rigor
No silêncio meu desejo trago amotinado
Talvez da idade, a tudo eu dou mais valor.

Meus versos se ficam sofridos, p'lo caminho
Já não querem ser lidos nem ouvidos
Talvez de afectos até façam ninho
Quem sabe?!
Não possam vir a ser versos queridos?!



natalia nuno

sábado, 31 de julho de 2010

DO QUE FUI SOU A SAUDADE



















DO QUE FUI SOU A SAUDADE

Eu,sou aquilo que sou.
Que nem eu sei descrever bem!?
Só sei que a Vida passou.
Por mim com algum desdém!
Já não sou folha viçosa.
Sou lágrima dum adeus!
Mas já fui rosa, e que rosa!?
Apagaram-se olhos meus.

Sou então aquela que fui!?
Digo sem receio nem agravo
Sou como tudo o que rui.
Mas já fui livre que nem ave!
Fui labareda ao vento,
Fui chama que ateou...
Hoje só espero o momento
De perceber quem ainda sou!

Se calhar não sou ninguém?!
Ah! Do que fui sou a saudade!
Pois se houver por aí alguém?!
Me conte do que souber a verdade.



natalia nuno

sexta-feira, 30 de julho de 2010

RECORDAR



















RECORDAR

A memória tem raízes profundas
Às vezes basta uma palavra, um cheiro
E ela nos leva para longe
Àquele tempo primeiro.

Fico calada a escutar
Um pássaro o silêncio rompendo
E meu peito não consegue calar
As saudades do meu lar
Vou lá voltar!Estou querendo.

Às vezes acerca-se de nós
Uma felicidade secreta
Mas que nos embarga a voz
 Duma tristeza fina, csaudade dilecta.
Que se vai espalhando, nos enche o peito
E não há outro jeito!
Nem palavras para descrever a sensação
Que nos vai no coração.

A noite invade-me
A àgua desliza no rio lentamente
E a boca sabe-me
A sal da lágrima que rola impaciente.

rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 29 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

DESALENTO POÉTICO



















DESALENTO POÉTICO

Se a multidão me bater à porta?!
Digam, digam que já estou morta

Que deixo minha poesia em pedestal
Para perdurar na memória de alguém
Perdi-me de cansaços nesta recta final
Morro a cada hora despida de memória
me sinto ninguém.

Como posso alguma coisa querer?
Trago minhas memórias em remoinho
Andou a vida a me entreter
Colocou a saudade no meu caminho.

Esta vida que me tolhe os passos
A minha liberdade é toda ilusão
Vale-me a força dos abraços
E o calor que ainda ateia meu coração.

Meus olhos perpasso pela extensão,
dum longo passado que amargo acaba
Pergunto com a mesma tristeza ao coração!?
P'ra quê a força com que a Vida amava?!

Pégadas deixarei por aí!
Amanhã, pode ser falso andar por aqui!
Se a multidão me bater à porta?!
Digam, digam que já estou morta.


natalia nuno
rosafogo