terça-feira, 24 de setembro de 2024

um dia comovido...


partiu o calor do verão
precipita-se a chuva em ondas
de vento
em delírio as sombras das ramas
agarradas em lamento.

calaram-se as cigarras, cresce
a nostalgia
tocado por um último raio de sol
morre o girassol,
- ao fim do dia!

vibrante e redentor, novo sonho,
distancia-se do tempo
e da dor.
e a felicidade é o último pássaro
procurando resplendor

já é pura a geada
surge uma agitação de cores
reúne sonhos e amores
outros, se perdem pela calada

fica o poema ao abandono
em modesta tristeza, 
sente-se subitamente
a última ave
- perdida no poente.

natalia nuno

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

canto confidente...




minha alma murmura
enquanto meus dedos escrevem,
o que meus sonhos lhe pedem

meus olhos aguentam a secura
galgam distâncias como luas
brilhando, com saudades tuas!

trago lírios brancos, 
nos dedos de solidão
ficam as paredes do coração,
em floração

sonolentas as palavras amontoam
nos meus lábios roxos de rapariga

e os pensamentos doem pois que
doam!
que os pássaros já entoam no jardim
nostálgica cantiga

também eu canto com veemência
para que a poesia nunca silencie
que a sede inteira
 passe por mim, e por ti
enquanto a vida não nos passe
uma rasteira.

natalia nuno
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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

flor de jardim...


estou aqui
longe do princípio
perto do fim
e assim,
é pouca já a mobilidade 
vivo do sol que me aquece
como se fosse flor de jardim,
da primavera com saudade!

saudades vividas na solidão
abrigadas no coração
alguma poesia
alegria, voltar aos charcos 
da infância

de noite e de dia
num morrer devagarinho
vive em mim a utopia
sonhar voar
com asas de passarinho
na ondulação veemente
da rosa ao vento

viver nas bordas da madrugada
e ser eternamente
poeta apaixonada.

natalia nuno
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(poema com algum tempo
quase tão velho quanto eu.)


segunda-feira, 16 de setembro de 2024

na solidão da hora



a saudade tem pressa de ouvir
os pássaros que virão na primavera
e de me fazer sentir
a fuga do tempo, esquecendo
quem eu era...

um monte de sonhos me vem
à mente, ainda não esquecidos,
haverá sempre algum alento
nos nossos rostos esvaídos



nesta diáfana aventura
onde a luz já é intermitente
amargura,
a gente sente
e saudade noite e dia!

saudade do sol no reposteiro,
atravessando por entre o rendilhado 
sem pressa!
enquanto o amor acontecia, 
uma vez, outra vez, mais essa...

quando ainda as gaivotas dormiam 
agigantava-se em nós o desejo 
como um corcel de fogo e vento
sem pejo, nos envolvia
até ao esquecimento.

nevoeiros caídos,
vão apagando nosso mundo
num céu cinzento
ou incolor
que vai emudecendo em silêncio
profundo, o nosso amor.

natalia nuno
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sábado, 14 de setembro de 2024

quem se dá conta?



um dia tudo faz sentido
logo n´outro a vida é mar
em rebentação

vêm ondas ao ouvido
e saudade ao coração

um dia reina a tranquilidade
faz-se o percurso sereno
num outro há tempestade
logo o desassossego é pleno

escapa-se a felicidade!

há sempre um dia que corta o voo
e a realidade inferniza o sonho
mas volta o sol ao peito,
e deste jeito, de novo
o céu de nuvens, limpou!

natalia nuno
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terça-feira, 10 de setembro de 2024

nas noites de solidão ...




às vezes fico sem chão
deixei o tempo passar
nas noites de solidão?!
não sei como me encontrar

dilema de ser ou não ser
um mundo em mim escondido
perdida nesta cegueira
sem desistir de querer
pensar d' outra maneira

tantas noites mal dormidas
tantas palavras caladas
que foram causando feridas
perguntas sem respostas dadas

nem o silêncio me elucida
poderia eu ter feito mais?
amedronta-me a partida

sem caminho de saída
quem ouvirá os meus ais?!

meus olhos veem mais além
e ora tristes, ora risonhos
trazem sempre saudade de alguém,
que sempre vive em meus sonhos.

natalia nuno
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domingo, 8 de setembro de 2024

apego das palavras...


as palavras dizem das dores
e das lágrimas a correr,
olho o passado e o futuro,
e vejo tudo a escurecer!

as palavras dizem da ameixeira
que floriu,
do canto do pássaro que p'la manhã
se ouviu, 
do desassossego das negras cotovias
no ramo,
da celebração da vida
falam das pessoas que amo
e, como vai ser dura a despedida

as palavras dizem do sombrio dos anos,
da velhice que submerge nos olhos
da menina, da saia aos folhos,
dos sonhos sublimes da flor
dizem as palavras que tudo que se foi
- e do que resta d' amor!

as palavras
- pedem-me para conter,
as lágrimas a correr!
elevam-se naquela esperança
de não me perder.

natalia nuno