quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

meus olhos seguem-te...


trago os olhos em busca
de ti
a boca sorri 
quando te vê
eu sei que estás aqui
aqui, tão perto
no fundo do meu peito
a noite desce
e na escuridão te sinto
em meu coração,
nele a chama não morre
deste amor adulto
que é loucura
sonho farto que sempre dura

é já campo de estio
este coração que sangra
onde a semente ainda germina
e os pássaros sempre regressam
trazendo desejos,
e o som da tua voz até mim
lembrando os teus beijos
e o aroma do teu corpo
que odora a giestas e alecrim.

natalia nuno
rosafogo

sou nada...


és sempre aquele sol que me falta
trazes de calor as mãos cheias
és a minha saudade
a razão do meu poema
hoje és o meu tema
me entrego a ti insaciada
nesta embriaguês que sinto
nesta estranha força continuada
nestes versos que não calo
amor que me faz mover sem tino
e faz do meu coração dançarino.

olho-te vivo com gosto
sigo sem medo, vou em frente
meu céu sereno é teu rosto
teu sorriso é meu presente
sem ti o dia é longo e penoso
este estado põe-me louca
sou nada, ou coisa pouca
e a chorar trago o coração
de ti desejoso...

só o tempo deste bem querer
me privou
o mesmo tempo que tanto amor
me ofertou.

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

sem palavras...


são de vidro minhas palavras
trazem desejos de poesia
uma tardia vontade
em ventos sem direcção
a relembrar o passado
com saudade
mas sem perder o cuidado
de machucar o coração
os sonhos, amores, venturas
já foram e já não são!

se a mim me fosse dado
daria a vida de bom grado
para voltar a viver
ao teu coração me entregava
com aquele amor estremado
que trago em mim a sofrer

palavras que um tempo me contenta
de vidro quebram e, logo o tempo
de novo me desalenta...

natalia nuno
 rosafogo

soluço...


resgatei o espanto
cresceram em mim as asas
e enquanto
a morte dorme
recolho-me na infância
trazendo até mim a lembrança
e os sons aos meus ouvidos
incentivam meus sentidos

vá a vida para onde vá 
já nada me espantará
nem a morte se vier
pode vir quando quiser
mesmo que seja tempo perdido
pois espanto não vou ter
serei louca senão a olvido?
mas um dia vai, vai ter de ser
minha esperança é escusada
nem vou suspiros gastar em vão
a vida é curta para viver
e curta para chorar ou viver em solidão

natalia nuno
rosafogo


ao que vim?...


o passado não regressa
nem os sonhos que criei
só a lembrança me namora
para que não esqueça
quanto amei

o passado é minha viagem
meu espelho e minha
imagem,
donde venho?
não vou dizer...sou maré
que foge de mim...
ao que vim?!

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

o despertar...



Será luz a nova flor que se abre? Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.
natalia nuno

sei de mim...




o pensamento assegura-me um mar de sonhos com aromas arrancados de vermelhas rosas, e nas sombras das palavras viverás para sempre nas areias desse mar, hei-de despir-te com a ponta dos meus dedos e, nesse instante de fogo, quero-te na inquietude desta minha sede, quando o sangue brota e o coração pulsa...há begónias que florescem na minha saudade, e açucenas tristes que olham meu rosto,  trago teu nome escrito no meu peito, quero um abraço forte e tudo o que vem de ti aceito!... diz-me o pensamento que te  mereço, mas sem um mar de sonhos, enlouqueço! solto um grito de verdade, quero morrer, renascer e voltar a amar-te, para de novo te perder... nesta magoada saudade.

natalia nuno
rosafogo