palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 28 de julho de 2019
meus versos nus...
trago os versos vestidos de velhos panos
o rosto a disfarçar as emoções rendido aos anos,
a vida vai-me emprestando sonhos
pedaços vividos na mocidade
sentidos tão intensamente.
são música p'rá alma, são benção
tudo que o coração sente.
depois de ter andado tanto
chegar aqui mais que viva,
alegra-me e me espanto
de ainda, do sonho andar cativa.
o pior é que há palavras que me doem
nos versos que escrevo, nem sei se devo
falar de felicidade... são terra de flores?
serão chegados à perfeição?
só sei neles a infinita saudade,
genuínos de verdade, são minha criação.
versos nus de não sei quê
horas sem fim, momentos tais,
ânsias, venturas e não sei que mais!
o amanhã que mal se antevê
os dias não me dão escolha
vão-se e eu aqui fico nesta saudade estranha
porquê... ela sempre me acompanha?
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
sexta-feira, 26 de julho de 2019
pássaro louco...
deixo-me a fingir que tudo é verdade
como o beijo que me dás ao amanhecer
quando os teus braços me acolhem e afagam
e eu me sinto florescida, a renascer
entra o sol pela janela em rodopio
e é ali a certeza de tudo certo,
depois o quarto vazio,
da tua presença
deserto...
deixo-me na ilusão de que é verdade
e o pensamento parece um mar encapelado
e lá volta de novo a saudade
e ali se senta a meu lado
assim me sinto na distância
pássaro louco em voo
nun céu de bonança.
deixo-me nos sonhos infantis
e meus pensamentos rasgam o espaço
e a memória como um bailado me deixa feliz
arredando pedras do caminho por onde passo.
e o sonho deixa-me menina rica de alegria
e folgança,
tal como em criança...
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
terça-feira, 16 de julho de 2019
a dança dos sentidos...
como a lembrança se aviva agora
ela que levanta poeira do caminho
silêncio de q' escuta e espera a hora
alheada de tudo, menos de teu carinho
sinto o teu hálito no meu pescoço
um tocar meus céus dos teus dedos
por dentro um calor, a tua voz ouço
coniventes, loucura nossos segredos
vai a tarde avançada, desejo sedento
ilusões desfeitas crescem agora no peito
e o jogo do amor... não quer adiamento!
sopras a meiguice aos meus ouvidos
fico mar sedento alterando sem jeito,
tarde em declínio, na dança dos sentidos.
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
segunda-feira, 15 de julho de 2019
orgia...
para onde irá o vento tão apressado
que nem me vê só eu o vejo
deita-me um olhar dissimulado
e deixa o meu com um verde já desbotado
vai numa orgia sem começo nem fim
e num bailado, descompõe-me os cabelos
ao passar por mim
vento que me faz andar e é tempestade
sonhando sou barco à vela levo saudade
ouço-o agora ao longe nos caniçais
no lugar onde m'alma é peregrina
trazendo-me o odor dos laranjais
como quando já velho e eu menina.
para onde irá o vento quem é que sabe
que me deixa saudades distantes
e o pensamento num bater de asas d' ave
águia cansada, com desejo de voar
puder partir sem lágrimas no olhar
vento que passa por mim apressado
passa às vezes com silvo forte
pousa por instante no meu seio esmagado
como a avisar-me da morte.
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
sexta-feira, 12 de julho de 2019
rondam dias incertos...
rondam os dias incertos,
dançam cortinas de névoa no caminho
morre o sol na minha face aos pedaços
meu pensamento em torvelinho.
são agora inúteis os passos.
já nenhum espinho me fere nem choro
que me dilacere,
meu riso em botão, é estrela apagada
meu olhar é fogo-fátuo
e há lírios místicos na minha garganta
calada...
agita-se a memória,
já o estio nela habita
rondam sombras de desalento
tapo os ouvidos, não quero saber
se a morte me grita,
trago as asas mutiladas, e esforço-me por entender
porquê, o tempo as consumiu na voragem
deixou meu vôo, sem me reconhecer.
não me falem de nada, deixem minha lágrima fria
e esta cortina cerrada, em mim, noite e dia,
e nesta imobilidade, apoderar-se de mim a
saudade!
natália nuno
rosafogo
imagem pintarest
quinta-feira, 11 de julho de 2019
segunda-feira, 8 de julho de 2019
adeus ao que não volta mais...
hoje lembrei os medronhos
enquanto o sol se punha no horizonte
acesos ficaram os sonhos
no doido intento de me levar à minha fonte
talvez saudade dos que a morte levou
saudade a vou escrevendo e é tudo que ficou.
saudade que não se mede
tristeza que não se pede
voz do silêncio no coração apertado
ficou por lá o campo de giestas
e a terra vestida de verdura
pulam as searas em festa
e o meu destino ansiando por ventura.
hoje lembrei os medronhos
como se acordasse dum sono profundo
como não hei-de guardar estes sonhos?!
se foi ali enquanto o sol se punha que vim ao mundo
ali dei os primeiros passos
ali num frenesim dei os primeiros beijos
ocultos, em segredo, suspiros e abraços
num pecado aceso de desejos
vi passar a procissão devagarinho
gente com o coração cheio d'amor
de todas as idades,
e o cheiro a flor do andor
me traz saudades
hei-de voltar a pôr os pés de novo
lá onde cresciam os medronhos,
porque sou menina do povo
e ainda trago acesos os sonhos.
natalia nuno
rosafogo
poema repescado de 2001
Subscrever:
Mensagens (Atom)






