domingo, 28 de outubro de 2018

mariposas no meu sentir...


olha-me sempre que quiseres
com essa demasiada chama
eu serei a tua presa, aquela que te ama
pousa a mão no meu ventre
e sentirei uma delícia extrema
adivinha meus pensamentos
adoça os meus lábios sedentos
e busca neles meu amor ardente
abre tu a porta a estas devotas carícias
ver-me-ás de pálpebras cerradas
e coração a palpitar...
mariposas no meu sentir,
a minha língua navegando na tua
e a esperar-nos, o melhor que há-de vir.

não deixes que minhas pétalas caiam
ao chão, levadas p'lo vento negro
faz de mim teu desejo, tua paixão
e ama-me em segredo
é esse amor que me ergue viva
teço teia, prendo meus braços aos teus
e elevo-me aos céus...

nossas mãos unem-se felizes
pensamentos ao abandono, nosso mundo é de prazer
tudo é triunfo e ternura,
enquanto o amor dura
e nos sente a envelhecer
hoje fizeste-me sonhar nesse abraço terno
neste ofício de amar
esquecemos o inverno da vida, a chegar.

natalia nuno
rosafogo


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

saudade das madrugadas em que me tinhas...



trago no rosto o tempo
no olhar o deserto árido
anos de solidão, como se cada um
pudesse trazer uma réstia de esperança
para continuara viver....
farta de tudo e de nada, a alma desorientada
tudo inútil, tudo ilusão
há sentimentos sempre em contradição
e o cansaço me empurra para onde não há saída
fico sem chão, só o meu coração
faz o que pode p'la vida...

quando a tarde cair, e o sol se afundar no horizonte
escreverei meia dúzia de linhas
onde misturarei emoções, deixarei
os pássaros cantar em meus lábios a saudade
das madrugadas em que me tinhas
e antes que o sono me vença
faremos amor, nem uma nuvem cobrirá a lua
só o luar fará presença, trazendo-me o calor da tua voz
e até o dia nascer, entre desejos e memórias
seremos só nós...

ficaremos no sonho antigo onde nos deixámos
- nesse fim de tarde em que nos amámos.

natalia nuno
rosafogo









segunda-feira, 22 de outubro de 2018

mil pensamentos galopam...




tardes plácidas em que tudo sorria,
- bela era a mocidade
ingénua flor, à procura do amor
hoje sinto desse tempo saudade,
vão meus olhos
suportando da vida os escolhos
já a vida soçobra,
acabou o roseiral que em mim havia,
e as estrelas do céu que me beijavam
e abraçavam, levaram com elas minha alegria,
hoje rio e choro de saudade
ao lembrar-me ainda criança de tenra idade
tempo de ilusão e sonho
mágica fragrância, rosto risonho
tamanho alvoroço, emoção tamanha
asas de ave, o sol na voz
como é bom ter pra recordar, neste tempo
já sem surpresas, atroz!

deixo-o passar indiferente
fico na imensidade deste meu silêncio
chegaram os dias melancólicos
dum tempo inclemente
mil pensamentos galopam
a arrancar-me da solidão
agita-se o coração, sou ainda essa menina
que me fascina e me faz viver do sonho,
agora serena, com alguma esperança viva
o sonho dolente e a vida fugitiva...

trago nas mãos tulipas delicadas
e no olhar rosas desfolhadas
o tempo me abalou, mas meu caminhar é sereno.

natalianuno
rosafogo





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

os crisântemos vão morrendo...



procuro apoio, o sono já me dobra
e o sonho já me convida
dou por mim jovem, sentada à lareira
e minha avó mexendo o café
na cafeteira.... o outono vai adentrando
como a querer chamar o frio,
e ela mulher do seu tempo
no rosto mantém o desgosto e
no olhar o vazio
assaltam-me as saudades destes momentos
dias cinzentos, com a chuva a bater no telhado
e eu com um ar descuidado, libelinha sempre
a crescer, na esperança de voar
tudo em meu redor se aquieta
apenas dos galhos secos o crepitar
lá fora os crisântemos vão morrendo
enquanto eu vou dizendo, o padre nosso a
avé maria, e minha avó agora o terço dedilha

acabada a reza, um ténue suspiro de alento
escutamos a noite e uma solidão sem par
no céu nem uma estrela, o povo recolhido
e eu desenho no bafo do vidro
sonhos de encantar
estou bem acordada ainda
e minha avó sempre com esta tristeza que não finda
degrada-se a lembrança do tempo que foi feliz
e como pomba sem ninho, a felicidade
ficou pelo caminho.
na parede quase nua, apenas um retrato
do homem jamais esquecido
em seu coração de sombra já vestido

à luz da candeia ali ficámos depois da ceia
mais um serão se passou e eu durmo na minha lembrança
adentro-me em mim mesma, vou onde posso sentir-me
escondo-me atrás das horas, deito a cabeça no regaço da avó
e nunca me sinto só...................no sonho deixo-me afundar
e apalpo palavras para a saudade embalar...

natalia nuno
rosafogo




segunda-feira, 15 de outubro de 2018

chega a hora...



a noite envolve a terra cobre-a em breve com manto de escuridão, já a harmonia da tarde se quebra, dormem os vivos, e minha alma erra, canta o rio com voz clara e sonora, enquanto no peito bate lento o coração, chega a hora, recolhem-se os pássaros nenhum ficou de fora, o ar é morno e à escrita retorno... o vento fala-me da saudade e aqui me deixo diante da vidraça enquanto ela me abraça, a noite chega silenciosa, só o vento em desalinho senhor da liberdade faz subir o perfume da última rosa, é então que finjo que existo e no sonho persisto, sacudo o sono dos dedos, invento-me pássaro, poiso nos teus olhos, cruzo-me com teus sonhos, mas não me atrevo a pousar os pés por não saber mais quem és! 

natalia nuno

domingo, 14 de outubro de 2018

a noite morreu...



hoje não lembro onde deixei as mãos, queria tanto baloiçar nelas os sonhos, lapidar ilusões, deixar sentimentos ao rubro, acreditar que o sol ainda é sol, que no meu peito ainda há fogueira, soltar gritos, disfarçar as rugas desta casa velha... a minha cabeça é um baú de memórias, que as minhas mãos vão bordando no silêncio, no frio da insónia... mas, hoje minhas mãos não têm poesia, ficaram paradas no silêncio, a noite morreu e eu não as reconheço, talvez queiram que enlouqueça em paz, com a saudade a viver dentro de mim e a boca cheia de silêncios...

natalia nuno
uma pequenina e muito singela prosa, feita aqui e agora, neste domingo soalheiro, e que ofereço a todos a todos os meus amigos que gostam de ler.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

um sonho após outro...



habita em mim a angústia dos dias
e a frialdade das noites
as lembranças são brasas frias
que arrefecem nas horas desertas
dum tempo cinzento,
o relógio parou os ponteiros
ouvindo meu lamento.
é agora outro o meu silêncio
e eu como se outra fosse,
aguardo na solidão, um outro tempo,
uma quietude mais doce  que seja
recompensa duma vida cheia de nuvens e aragem
que venham novos sonhos, e promessas maduras
falando ciciosamente ao meu ouvido, acariciando o peito,
e o tempo me deixe ilesa nesta minha passagem

empurro o cansaço dos passos e sigo
trago em mim um cheiro a saudade
poiso borboleta num sonho antigo
um sonho após outro, traz-me felicidade


natalia nuno

rosafogo