palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
hoje é assim que me sinto!
hoje apetecia-me ler cartas de amor que nunca me escreveram, e que ao ler me rasgassem o peito de saudade, e, me cobrissem os olhos de água, me lembrassem que já foram meus olhos verdes motivo de paixão...já me esqueço uma vez ou outra, e só a lembrança do teu sorriso me desperta os sentidos. mas hoje nem o vento vem falar-me do poema onde fui notícia, nem das primaveras de esperança, nem das rimas nostálgicas que me sussurravas aos ouvidos em noites d'amor...hoje queria que o sol procurasse meu endereço, ouvisse meus sentimentos e me desse um abraço quente, fizesse parte da minha solidão e me trouxesse de novo horas felizes já de mim distantes... fujo da realidade e embora pareça leviandade, para mim é um impulso de bom senso, deixo-me num mundo mágico onde eu e a poesia desfrutamos do aroma das giestas e do alecrim e assim, não me sinto derrotada, a vida é dura agora que está madura, mas a poeta essa é um ser inconstante ora feliz ora não, entra em contradição constantemente, seus dias são preciosos ou moribundos, seu sonho é um prado verde ou um céu cinzento, para sua ventura há velhas nuvens arredias do pensamento e hoje tudo vibra no coração lugar comum do amor, onde nasce sempre uma flor no seu chão....
hoje é assim que me sinto!
natalia nuno
rosafogo
pensamento...
o sonho são tuas mãos em sussurros p'lo meu corpo despido
natalia nuno
https://www.pensador.com/colecao/nataliarosafogo1943/
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
secam os goivos no jardim da horta...
sem fala com garganta a apertar
sigo em frente, ergo-me da solidão
e deixo-me desaparecida, vou então
tão longe quanto a minha memória
pode recuar...
provida de esperanças
albergo o sonho no coração
e a menina abismada
que caminha incerta, dá-me a mão.
numa solidão só sua,
encoberta pelas romãnzeiras
e seguida pela lua neste momento
que invento...de novo
volta a ser, a menina do povo.
deixa-se impregnar desse mundo
onde nada mais sabia, além
do que dizia o pai e a mãe
embalada pelo som do rio
olhando-se na corrente
- lá fica entre sempre e agora
numa ída e volta, lá onde o sonho mora
secam os goivos no jardim da horta
ai de mim, que o sonho é já tão baço
minha gente está morta...
chora o salgueiro quando por ele passo
no celeiro já não há nozes,
nem grãos de trigo ou cevada
estremeço ao ouvir-lhes as vozes
na noite pela calada, partiram,
- tudo agora é nada.
estas memórias guardadas
que às vezes penso esquecidas
são lágrimas dos olhos molhadas
são sorrisos e tristezas de chegadas e
partidas... de partidas e chegadas.
na terra onde nasci meu sonho já entardece
e meu coração estremece
o que tive, a memória não esquece,
mas já se esfuma...
que siga eu sempre em frente,
que terra pra mim só há uma,
aquela com que ainda sonho
natalia nuno
imagem da internet
pintarest
domingo, 12 de agosto de 2018
é poesia o que escrevo...
é poesia o que escrevo
escrevo um verso
um pássaro me cai aos pés
tenho de lhe dar um céu, onde possa voar
uma árvore para pousar
o silêncio do céu, o ruído da terra
um barco na linha do horizonte
ah...invento uma ponte
num lugar qualquer
e o poema começa a nascer
é poesia o que escrevo
é nela que vivo, ao longe e ao perto
na segurança do seio materno
felicidade, saudade, viver eterno
pôr do sol, fim do dia
tristeza. alegria
é poesia o que escrevo
tantas rajadas do céu
e eu a pensar
onde é que o pássaro se meteu?!
tanta inquietação no vôo
que presa ao verso me deixou
é poesia o que escrevo
devo ou não devo...sonhar?
arranjar de novo outro céu
. para o pássaro voar?
e já que metade de mim é saudade
e a outra metade é sonho
- é nele que vôo até ao fim!
e o pássaro cantando encontrará o ramo
o canto ecoará como uma oração
sempre que por ele chamo
ele volta, é minha inspiração
é esta a felicidade de ser
enquanto a vida não me esquecer
vou em busca duma luz que esconde
o pássaro, que tenta fugir sem q'eu saiba
pra onde.
natália nuno
rosafogo
20009/01
imagem retirada da internet
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
entrega...
quando a noite fôr já agonia
e despertar a madrugada
dentro das paredes do nosso quarto
quero ser amada.
a lua gagueja à nossa janela
dou conta da brisa na minha pele
e na noite que nos resta
matamos a sede com beijos
de sabor a mel.
o amor é a forma perfeita da liberdade
um beijo a felicidade
e se a vida é correnteza, seguirei confiante
entregando-me a ti, como mulher e amante
às vezes cerramos os olhos
ao sombrio presente
e vivemos o sonho que continua a arder
as recordações estão na alma da gente
e os sonhos não queremos deixar morrer
estremecem nos meus olhos cotovias
quando juntos viajam nossos corpos
meu desejo orvalhado de fantasias
lírios de prazer, margaridas em festa
tão único é este amor nosso
e o sol já espreitando na janela do quarto
acariciando-nos por uma fresta...
é sonho?! mas, sonhar eu posso.
deixemos jorrar o sol cantante
que eu quero ser tua mulher amante....
neste instante!
natália nuno
rosafogo
março 2002
pedaços de dor...
o sol é já uma linha esguia
a esgueirar-se no horizonte
o barco partiu do cais,
já vai além,
levando a saudade e os ais
ilusões e sonhos d'alguém,
deixou pedaços de dor
o silêncio do beijo da despedida
e no coração o amor, sem vida.
morde os lábios pra não chorar
quem sabe não se irão esquecer?!
e assim se deixa a suspirar...
suspiro entalado na garganta
o barco sumiu com o sol
já de pouco adianta...
as estrelas iluminam o tecto da noite
afogam-se na solidão,
caída a esperança
resta a memória de tempos felizes
caminho aberto à saudade
ficaram os olhos rios com o furor de tempestade
o amargo da saudade na boca,
a dor a rasgar a esperança pouca
uma lágrima a dizer não
vai acenando o adeus... a sombra já esmaecida
ficou a vida um mar encapelado
e tão longe vai o seu amado.
natalia nuno
rosafogo
1992
domingo, 5 de agosto de 2018
choro brando...
tua boca divina
onde o sol nascia
e eu tão menina
por ela me perdia
contigo noivei
e contigo fiquei
agora somos passado
dum passado encantado
saudade, alma quebrada
saudade que ninguém crê
deixo-me até de madrugada
sonhando cartas de amor
que ninguém já lê...
escrevi canteiros de poesia
para os que vierem depois
meia noite, meio dia
rouxinóis ao luar
estrelas, mil sóis.
agora aqui estou só
em farrapos os sentidos
na garganta um nó
pelos teus beijos perdidos
só minha alma resiste
e ainda enche com um pouco de sol
meu rosto de sorriso
frio e triste..................
natália nuno
velhas trovas, agora transformadas
em poema, estas nem sei a data em
as criei no papel... acho que ainda não
era rosafogo... e nem sonhava haver internet.
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