quarta-feira, 17 de maio de 2017

amor dávida plena...



esperava um pouco de amor
palavras ditas com ternura
só... neste silêncio de inverno esperava uma mão,
um sorriso, recuperar recordações desaparecidas
e murmurava...mergulhada na escuridão.
através das cortinas impelidas pelo vento
deixava que entrasse a esperança secreta e imconfessada
e queria muito de novo ser amada,
esquece o que há muito foi
continua um pouco triste, porque a verdade dói.

o coração ainda lhe transborda d'amor
deixa-se a meditar para aquietar a dor,
as palavras vão perdendo seu significado
aguarda o sono em vão de pesadelos povoado

é quase a frescura da manhã
ainda traz o sonho da juventude
espanta o frio que chegou à sua vida
sente a liberdade dos rouxinóis que vivem em si
na alma um bem-te-vi
canta a cada instante o fogo da felicidade,
espera um pouco de amor
e no bosque nocturno do seu corpo
com um fervor quase de adolescência
vive abraçada à saudade.

natalia nuno
rosafogo







segunda-feira, 8 de maio de 2017

lembranças ditosas



à noitinha o último canto da cotovia
e no meu coração como flor,
o amor nascia
os sons nostálgicos da tarde não morrem
vivem na memória de verdade
sou a jovem que recorda, o adulto que me ouve
sou a razão do meu coração pulsar
e aquela que com a saudade se comove,
trago ainda o odor do tomilho, o cheiro
da madrugada,
que são essência em mim enraizada
trago lembranças seduzindo-me com doçura
perfeitas, ditosas,
que são trinados de melros
com ternura...
abrem as portas do passado
trazem-me a brisa do salgueiro
o marulhar das águas do rio amado
e o sonho dum amor... o primeiro!

rememoro cada fruto silvestre
cada um com sua sensual fragrância
o êxtase de cada dia, o sol que ainda hoje
me veste enamorado, como quando eu era criança.
vive em mim toda esta felicidade
estremece a brisa quando me vê,
quando toca meu ouvido,
o tempo ficou longe, andam imagens rasgadas
sem sentido... mas será sempre eternidade
que levanta a primavera no meu coração
ajuda a sair desta saudade sem portas
até que minhas mãos estejam mortas.

o meu silêncio põe e dispõe
e assim me vai enclausurando
enquanto um cisne branco ma minha memória flui
e um lago de palavras vai murmurando
sedução que ao coração aflui...

natalia nuno
rosafogo








quarta-feira, 3 de maio de 2017

sonhos...



beijos quentes e derramados
em bocas murmurantes
girassóis abertos na noite
aromas de corpos gritantes
agora... só na imaginação
foi-se o tempo da aurora
resta a recordação

perdidos como um grito no vazio
os corpos murchos,em total obscuridade
o peito frio, e nele a saudade...

e na esperança contínua do desejo
vai-se acabando a vida, aceita-se o nada
vai-se quebrando o medo com beijos
com ternura reforçada
com palavras que se perdem
alguma ilusão, a mesma loucura
o mesmo sonho e ainda
alguma paixão, a mesma loucura
que não finda
o mesmo amor, neste amplo corredor
que é a vida,
e assim o destino se cumpria,
em harmonia
e eu de mim esquecida...


natália nuno

escoam-se os dias



Como um rosário de contas
escoam-se os dias sempre iguais
como é inconveniente pensar demais!
o coração é uma hera que sobrevive
ao tempo, à geada,
trago ainda o aroma a terra molhada
e a saudade como recompensa
galopando no meu peito...imensa!

o tempo passa resmungando
escapa-se por entre os dedos
enquanto o coração se apressa
a bater palpitando...
aos ouvidos,
surgem meus medos
emoções, nostalgia dolorosa
momentos de alheamento, desprendimento
passa por mim a brisa morna do outono
morre-me a voz na garganta
fica ermo o pensamento.

ao despertar do sono
é como se tudo, não existisse mais
escoam-se os dias sempre iguais
eu pássaro sem orientação
perdido, voando até à exaustão
ainda assim vou sonhando, pois
do sonho não posso nem quero abrir mão.

natalia nuno






momentos...




Quando olho minhas mãos, apercebo-me das fadigas por que passaram e olho a sofreguidão dos meus dedos em agonia por não saberem ainda estar parados, lembro as vidas que dependeram delas e hoje vejo que são mãos cheias de nada.

natalia nuno
rosafogo

pensamento...



às vezes fecho os olhos para ver melhor...
a VIDA é amarga, mas o sonho continua e é mediador entre os momentos menos bons e as dávidas que ela sempre acaba por nos oferecer...

Momentos...III




Olho a Lua fria e repousada, num céu onde é rainha há milénios, tudo parece tranquilo, como se a Vida corresse sobre rodas. No meu pensamento renascem lembranças de tempos ídos, mas fácilmente se adivinha que apenas a Lua é rainha, enquanto eu, esmoreço no lusco-fusco da noite com as palavras em silêncio... perdida na memória do tempo.

natalia nuno
rosafogo