palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
grato é recordar...
o passado vai caindo para um lugar que é o esquecimento, estilhaçado em bocados, numa névoa perdido...extinto no nada, conto agora com um futuro incerto e um presente inquietante entre a luz e a tristeza... lembro noites de ternura e o meu sorriso detém-se enquanto o sono não chega, na memória cruzam-se e inquietam-se os pensamentos, vendo-te deslizar de súbito pelos lençóis, o teu olhar a reflectir-se no escuro e o contínuo desejo de nada perder, perto dos sonhos ébrios ainda a vontade de me deixar quebrar entre teus braços...
natália nuno
domingo, 4 de setembro de 2016
borbulhar de ideias...
não sei quem me encurta a passagem, quem me deixa aturdida, só sei que em mim, ainda assim, ascendo por entre o uivo dos pensamentos, e num instinto de sobrevivência consigo sempre despertar e voltar a amar, a harmonizar-me com a vida, a reviver os momentos doces deste caminhar imenso e intenso...
natalia nuno
meu grito...
ninguém me ouve, meu tempo vai-se gastando e eu vou emergindo do vazio com as mãos afogadas num rio de águas turvas, um dia distante elas foram vida, já não há saída para este labirinto, ninguém me ouve, ninguém, eu sinto que nem meus risos e nem minhas lágrimas, busco uma palavra, uma mão por entre a multidão... o peito permanece frio de mágoa, na água turva do rio, que não volta a ser água...
natalia nuno
ansiedade...
minhas pulsações são dum ser vivo...vivo, mas que vive às vezes na obscuridade, na solidão daquelas páginas de penumbra onde mora a saudade, ouvindo um sopro que me chega dum poema indizível com o qual procuro renovar meu sol...
natalia nuno
momentos...II
é na noite que levanto asas nas minhas mãos e olho nas minhas entranhas o mundo de palavras que as faz mover, e aí encontro o enigma do jamais escrito... e nos vestígios que escolho, brota sempre a saudade do instante, de todos os instantes.
natália nuno
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
assim te quero...
assim te quero...apesar da proximidade, morro de saudade...
um sol pequenino desprende-se do teu olhar e vem aquecer a sombra outonal do meu peito,
e num abraço, um delírio percorre a nossa pele,
neste sentimento firme só nós o silêncio e o desejo sedento de mel...
nada se desperdiça deste amor que fala a nossa língua,
que traz o cheiro dos nossos corpos,
a ternura dos nossas mãos,
os sonhos e afagos, num perpétuo suceder....
que dá sentido ao viver!
um sol pequenino desprende-se do teu olhar e vem aquecer a sombra outonal do meu peito,
e num abraço, um delírio percorre a nossa pele,
neste sentimento firme só nós o silêncio e o desejo sedento de mel...
nada se desperdiça deste amor que fala a nossa língua,
que traz o cheiro dos nossos corpos,
a ternura dos nossas mãos,
os sonhos e afagos, num perpétuo suceder....
que dá sentido ao viver!
natalia nuno
sábado, 27 de agosto de 2016
amar-te é lembrança...
amar-te é lembrança,
é guardar o cheiro do alecrim
é abrir os braços, qual criança, a mesma
que inda habita em mim...
amar-te é ouvir música no coração a
pulsar, a cada trinado da passarada
multiplicar nos sentidos perfumes de paixão,
é seguir-te com passos de gazela
numa noite enluarada.
amar-te é sair do vazio que sentia
trazer a fornalha do amor acesa
é como um milagre que se anuncia
sonho enorme, anunciado por mil sóis
é ver na noite crescer rosas e girassóis
e voar à lua colher orquídeas de beleza
amar-te é soltar as alegrias uma a uma
ouvir o tocar das trindades nos campanários
é matar saudades do ventre do passado
tudo inventar...ou coisa nenhuma!
ou será beco sem saída? onde estou
sempre do outro lado, onde só eu amo
e por amor clamo?
e o que me resta é no coração a doçura
são pedaços esfiapados de ternura
é um pouco de incenso a alecrim...
é a criança que inda habita em mim
e este outono que cai ao chão
como a luz duma vela
que se apaga e me desnorteia na escuridão...
natália nuno
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