segunda-feira, 15 de agosto de 2016

delírios...



o amor é tentação, um madrugar no olhar, uma fogueira em tempo de estio, um celeiro de desejos, uma festa pró coração, arco-íris de carinho, o engravidar do delírio...mas sempre prontos a vê-lo crescer dentro do peito! se ao menos de lá não saísse!?... é um jogo de cabra-cega, às vezes vacila não quer amarras, parte e regressa, e acaba por não ficar, incapaz de criar orquídeas ... florescem cardos e lá acaba o sonho, restando a ferida que é difícil de sarar... o desespero não adianta, deve correr-se para um lugar tranquilo, não importa a direcção dos passos, importante é que o caminho seja sempre o de fazer a vontade ao coração...

natália nuno
rosafogo

domingo, 14 de agosto de 2016

palavras apenas...



surge um torvelinho de palavras
de onde brotam frutos d'amor e de dor
num tremor de vida que fica distante
lá onde ficou a alegria, hoje casa vazia
cansada de inquietação, um rosto de fissuras
molhado de pranto, traçado de mansidão
conheceu risos e ternuras, e também dias
melhores...
doces quimeras, amores,
milagres em noites quentes de
labaredas ardentes,
-  hoje
são as palavras que incendeio
porque a saudade ao peito me veio.

palavras desconexas, gélidas
na noite cortante, da vida que ficou distante
ferem-me a alma, descarregam sonhos
esquecidos, incendeiam esperanças
já perdidas, palavras melancólicamente
confundidas na penumbra que as invade
e lá longe, a criança senta-se e mantém o
sorriso...e em mim detém-se a saudade.

palavras companheiras das noites
e das imensas madrugadas
que sempre encontro... sempre,
orvalhadas... dum amor que me acolhe,
onde eu serei para sempre o tudo ou nada

natália nuno
rosafogo



sem conta nem medida...



pus-me a medir a saudade e o coração quase explodia, amparo-me sempre na memória onde caminho descalça para não magoar as lembranças, depois sento-me junto do salgueiro e finjo que o tempo não passou,  estende-se à minha frente a saudade que me domina...avisto agora a árvore centenária que me convida ao jogo da malha, aquele que a menina joga dentro de mim ainda...tudo o resto me é alheio, se a vida é um pássaro a voar eu não escapo ao seu fascínio, vôo sempre para longe peregrina da saudade...

natalia nuno
rosafogo

sábado, 13 de agosto de 2016

amor saudade...


já não tenho mais palavras para dar-te. guardei-as nos teus olhos como se as sepultasse, para escrever mais tarde um poema que me amasse, me fizesse sentir viva, me falasse a tua língua e não esquecesse de me deixar ao teu beijo cativa...amor perfeito este que trago a latejar no peito, como uma festa de estio, amor que é rio, e é ponte que atravessa meu horizonte, tempestade e serenidade... amor que é saudade!

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

êxtase...




hoje a minha memória é Primavera, há um cheiro macio pelo ar, afagos e ternura...tenho até medo de quebrar...quebrar o arco-íris que avisto por entre os lírios, e corro alegremente sem parar por entre as sardinheiras donde se soltam pássaros a chilrear-me beijos que esqueci nos teus lábios de mel, no teu corpo, na tua pele...aqui e ali, nascem junquilhos lilases a lembrar-me a falta que me fazes, os cristais do orvalho correm-me nas veias...alegro-me sempre que a Primavera floresce em mim, trazendo-me um mar de papoilas e o êxtase do teu ousar...

natalia nuno
rosafogo

quem espera...alcança...


entro nas manhãs com pés descalços, caminho por entre vales de milho embandeirado, nos ouvidos o cantarolar das cigarras que são estrondo pelo meio dia, sento-me à sombra do salgueiro, respiro os cheiros das giestas que o vento me traz, e o céu fica ao meu alcance, limpo de nuvens e livre, para eu sonhar com as tuas carícias que tardam....


natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

oculta ternura...



recordação é como se alento fosse da vida
ou companheira de viagem
duma mente envelhecida...
é estrela que encandeia
que lavra versos de beleza
em sua linguagem,
e que à noite
soletra formosas profecias
dando alento aos dias...
e assim, os anos levam  meus olhos
estes, que quase ocultam a minha recordação
e me olham hoje sob indiferente solidão

fiquei na sombra dum tempo que lá vai
sem retorno, distancio-me do caminho
da estação efémera, que do pensamento
não sai...
o tempo vem me apagando como uma gota
de sombra, reenvento-me o tempo inteiro
sinto-me menina a balancear no loureiro
num sonho que só eu sei decifrar,
andorinha primaveril de sonhos mil
com pensamentos esculpidos para sonhar
e nenhum acordo com o mundo
sou pássaro livre
trago a liberdade desenhada no olhar.
e a recordação no bater do coração.

natalia nuno
rosafogo