sou alcachofra perdida
incapaz de ao vento resistir
cicatrizes trago da vida
algumas marcas da idade
mais algumas que hão-de vir
que mas trará a saudade.
não esperes mais por mim
acabou o tempo de mão dada
passaram décadas sem fim
perguntas não têm resposta
não há certezas de nada...
nem da vida faço aposta
recordo domingos à tarde
velhas fotografias desbotadas
hoje lembro com saudade
e com o coração a bater
recordações abandonadas
sombras de Outono a crescer.
não esperes mais por mim
os dias já não são dias
noites são quase nada... assim,
nem sei se as horas estão certas
pulsações batem sombrias
silêncios, pisadas incertas.
já não posso mais ousar
olhar à noite as estrelas e a lua
e nem o fogo do luar
prefiro o rumor da ventania
que me traz notícias tuas
ao coração dia a dia...
rosafogo
natalia nuno
aldeia 19/01/2003





