O AMOR é mais velho que o mundo, é fascinação, tempo sem tempo, amor é o sol que sempre regressa à sua fonte de aromas breves ou perenes, quando se contempla o «outro com os olhos do coração», quando se sonha até à alvorada e se tem sede de absoluto abandono, os dias são sempre azuis e a felicidade corre nos corredores da mente....
palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
nos versos abandonados...
dispo as palavras
e deixo-as solitárias
sem memória,
assim nenhuma me interroga
e nas minhas lágrimas há sempre
uma que se afoga
deixo-as sós ante o vazio, ignoradas,
entre pensamentos azedos
fechadas, numa ânsia rendida
de medos, sussurrando na solidão
sem que possam encontrar outra paixão
que não procurem piedade!
nem decifrem o tempo de morrer
acalmem antes a saudade
da minha alma...
deixem-me o caminho percorrer.
nos versos abandonados
haverá rasto de meus passos
que é todo o consolo que me resta,
e palavras nuas lançadas no lodo
para encerrar esta vida
que não presta...
que não foi a escolhida.
natalia nuno
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
absoluto abandono...
o sol já se deita sobre os arrozais
os pássaros insistem em cantar
seus madrigais
mais um dia passa no calendário
da minha vida
um desafio de vencer ou perder
dias brancos de sombras e vazio
e a morte no meu encalço
de uniforme com galões dourados
olhando-me com olhos de cobiça
e raiva embutida
querendo levar-me a vida
magoa-me a sua frieza
caprichosa, de encanto estouvado
e a certeza de que irei protestar
ainda que debilmente
resistindo às suas investidas,
baterá inesperadamente
à minha porta
partirei sem animosidade
silenciarei em mim a saudade
serei o sol que regressa à fonte
a sombra ou a brisa que desliza
gaivota a caminho do horizonte...
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
o meu quinhão de céu...
o meu quinhão de céu
quem nunca teve a minha idade
escusa de demandar inutilmente
porque entre o sonho e a realidade
há caminho, longo mar existente
que venho da nascente a poente
criei asas que soltei ao vento...
asas e sonhos de tecido tranparente
e resignada, sobra-me ainda alento.
a alegria escondeu-se, é coisa rara
ou talvez dentro de mim...a tenha!?
mas se fugiu meu coração não pára
coração feito de sede e terra lavrada
e esta força remendada donde venha!?
é a força de amor que me traz regada!
natalia nuno
rosafogo
solidão crescente...
este poema traz palavras de sol
e delas nasce vida,
e há uma linha azul onde sobrevoa
uma gaivota sobre o mar
já se afasta, e o poema apenas a começar
mas a palavra é audaz e tanto lhe faz
vai continuar...aproxima-se a onda
molha-lhe o vestido, ai quantos sonhos
terá ela tido!?
menina, mulher, triste ou ferida?
desiludida, gélido o olhar!
e o poema a querer conquistar.
mas a palavra é um astro iluminado
e o poema prolonga-se decidido a ser partilhado
é a solidão crescente
e não há palavra que aguente
continua numa forjada procura
de querer alegrar a menina mulher
susssurra-lhe ao ouvido
mas é tarde, para ela já nada faz sentido.
deita-se na corrente, assim
não há poema que aguente.
natália nuno
rosafogo
outono da vida...
nem a fuga da luz, nem o último abandono
nem a sombra que não é noite nem dia
apenas a melancolia do outono
cria um vazio carente
que nos envolve de saudade
já nada acontece, só no olhar
as lágrimas são humidade
a mente jardim de memórias
vozes distantes, que nos golpeiam
o peito...
é outono, e as minhas artérias estão cheias
e o meu signo é perfeito...
vivo bem com a nostalgia
traz-me um odor a laranjeira
e a paisagem dos meus primeiros passos
e na névoa do sonho, os abraços
a luz e a força para continuar
com uma acha de ternura no olhar.
o tempo de outono embrumado
reúne os restos dum passado perdido
no silêncio que se distancia
cansado, muito cansado
mas lembrado dia a dia
continuo como um leito que procura
seu rio...a remendar a força
dos meus olhos tristes, choro e rio
e nem tudo é solidão!
assim, o outono me dá consolo e protecção.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
nem pássaros, nem risos...
ali, só a desolação
ali... onde já nada acontece
em cada palpitação um grito
aflito...tudo se esquece
já não há medo nem nostalgia
acabou o dia, agora é noite
os morcegos sobrevoam o lugar
onde a vida é inexistência
dos telhados caem goteiras de angústia
é tempo de sombras e silêncio
é o vazio...
apenas o marulhar do rio
que há séculos corre, só ele
não morre, meu sonho hoje é negro!
negro de carvão, como se fosse condenação.
vá-se a noite obscura, que tanto dura
abutre que traz a morte,
corte em mim esta obscuridade
não atordoe a minha saudade.
meu coração se agita,
é ele que grita como encrespado vento,
porque a vida o leva no arrastamento
nesta noite sem fim, o sonho é dono de mim
fez-me saber que estou numa rua estreita
onde a morte me espreita.
natalia nuno
rosafogo
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