palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
refúgio...
é ao espelho que entendo
o passar do tempo
no silêncio, olhando o rosto e vendo
o cansaço reclamando através dos
meus olhos
e a recordação quase soterrada,
cansada de chuvas e ventos
que assolam meus pensamentos.
olho o espelho como uma estranha
que segue num reino de negrura,
acolhe-me a palavra tamanha
que chega até mim... e é ternura
sinto-me um ermo, fico ausente de mim
meu rosto permanece sombrio
e não há calor nem frio,
nem sentimento algum nesta hora
que me conforte, o coração chora,
o vento agita minha memória
e logo me refugio no esquecimento
como uma criança para quem a alegria
é imortal, esqueço a estranha, e a
realidade, deixo-me de volta na saudade...
palpita de novo em mim um mundo
de esperança
e eu prolongo o meu voo
por espaços onde não há dor...
o peito salta, sabendo-se vivo.
natalia nuno
uma luz matinal
pequena prosa
vou fatalmente falar de lembranças, pois que mais poderia ser!?
a luz matinal já ilumina as águas do rio que se precipitam açude
abaixo, como uma lágrima imensa derramada
nos nossos rostos como uma canção que nos deixa uma promessa de
frescura cristalina, o aroma que palpita no ar essa embriagadora essência é da
flor de laranjeira, de tanta laranjeira que perfuma a aldeia…nas paredes
brancas da casa uma buganvília persiste e não quer desistir, prossegue o seu
destino e em cada primavera se agarra à vida, apesar da tristeza que vem de
dentro dessas paredes, e eu tão inteira assisto a tudo isto com um silêncio de
medo que me aprisiona a alma crendo com pesar que já nada é o que era, os
salgueiros contam-me coisas incríveis, eles que assistem a tudo que se passa durante
quatro estações, que veêm nascer e morrer, que amanhecem em lágrimas de
orvalho, que olham a terra e se precipitam sobre as águas do rio, eles os loureiros tão velhos quanto eu falam-me do
passado, fazem parte de mim como o sangue que me corre nas veias e estão sempre nos meus sonhos, contam-me
mágicas histórias como em criança, quando
a vida ainda era um poema d’amor…os pássaros hoje estão ocultos e eu orfã de
mim mesmo…
natalia nuno
rosafogo
aldeia 4/2015
sábado, 26 de setembro de 2015
em busca da felicidade...
pequena prosa poética
como chuva de luz entram agora os raios do sol por entre os ramos despidos de folhagem,
também a vida vai diluindo a alegria antiga do nosso viver, como se fosse o único destino esta corrida contra o tempo...
na tranquilidade dos meus lábios vão-se as palavras calando, enquanto no meu corpo corre aquele rio de amor antigo, que jamais deixará de correr e que fiel amar-te-à ...
anseio por uma palavra que me abra uma porta de saída e procuro-a de pálpebras cerradas.
sair desta mentira de que sou testemunha silenciosa, e que assim vai gastando meu tempo... falar para quê, ninguém me ouve!
parece não haver saída, para a procura da felicidade, mas busco a vida no aroma frondoso da natureza, nas aves, no vento, no perfume das flores e nos meus olhos há luz, ternura e paz, meus lábios uma avalanche de beijos, o coração acolhe de novo com ânsia o amor, e no meu querer rutilantes flores de jasmim,
desvanecendo-se num aroma intenso que vem até mim.
natalia nuno
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
O beijo...
pequena prosa poética
O beijo
Quanto tempo diz-me?! O mito dum amor silencioso que nos envolve, que corre como águas felizes e brisas de mil sombras...em plenitude no mais amplo aroma da juventude, como se ontem fosse hoje... diz-me quanto tempo levarei a acostumar-me à tua ausência e à ansiedade em que a minha alma navega... a folhagem do outono que cai, talha esta tristeza em mim e deixa-me alucinada e só...cai a lua sobre a buganvília, nas videiras o vinho, na ramada as borboletas e faz-se noite, ouço ao longe sussurros de flautas e sinto uma presença como se estivesses de volta, assomo à varanda do sonho onde a terra é jovem, solta-se já o esplendor da manhã, abandono-me à alba deste dia novo e recordo o teu beijo...com saudade!
natalia nuno
natalia nuno
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
UM ROSÁRIO DE PENAS
Como te afundas coração de menina
na dor da tua saudade
de lembranças e luas
amores e solidões só tuas
no peito um rosário de penas
e sonhos que ao vento espantas
em versos que choras e cantas.
Em delírio e fantasia
tanto tempo perdido
é agora tempo de outono tardio,
tempo que digo e desdigo
morro pois nas ruínas do tempo
tempo fugaz e eu de asas presas
tempo que levo por castigo
O tempo traça o arco do destino
deixo-me levar pela roda do tempo
meu raio de sol é agora, fino...fino!
Se eu fosse uma calhandra voaria
nas pálpebras do vento
onde nem a morte me acharia
até me perder no esquecimento.
rosafogo
natalia nuno
enamorados de esperança...
pode o amor ser uma garra
ou uma terrível desdita
muita uva pouca parra
primavera que em nós habita.
estando longe é saudade
lonjura mesmo estando perto
a ausência do amado uma eternidade
e a vida é solidão, é deserto
voltar lá a outras primaveras
decoradas com amor e ilusões
e desenhados corações c' heras
p'las paredes dos caramanchões
enamorados de esperança, ali de pé
nos recantos que o tempo favorecia
logo a lua audaciosa, também ali se perdia
a observá-los no seu amor louco,
passando vagarosa, como se da noite
se tivesse esquecido, até que pouco
a pouco, surgiam os gorgeios e o
aroma da manhã e, se fazia dia
o amor é como a água...livre
é bom enquanto dura...enquanto vive!
e só o esquecimento é uma garra
e uma terrível desdita
só comparado à morte súbita
ou à reduzida cinza duma brasa aflita
natalia nuno
rosafogo
O Poeta e a Poesia...
O Poeta e a Poesia
No meio da solidão
o Poeta tem a noção
do muito que pode amar
do que tem e pode partilhar,
na solidão cria
uma cumplicidade com a Poesia
profunda.
Ilumina-se lhe o sorriso
na jornada,
na Poesia estão suas asas
êxtase da sua loucura
uma guerra entre a dor e o prazer
entre o existido e o caminho a
percorrer...
O vazio, a solidão,
eterna e fiel companheira
a Poesia é orvalho, é lua
é sonho , é ilusão,
alguém e ninguém
é rosa e espinho
é do Poeta o caminho.
O Poeta entra numa bebedeira
mesmo acompanhado está só,
e os sonhos em fileira
se cruzam em chama
enquanto o coração do Poeta
a Poesia ama.
A alma sofre trovões de vento
e o tormento
é a palavra
A vida então, ou é aurora
ou sol-pôr
no viver de cada hora
sempre maior o amor
até que seu sonho quebre
e se ouça apenas um breve rumor.
natalia nuno
rosafogo
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