quarta-feira, 1 de julho de 2015

A verdade...a verdade é que



A verdade...a verdade é que
resta um raio de esperança a luzir
no meu mundo da imaginação
deixo-me ir, não obstante o aviso
da razão...
impele-me o pensamento
a afagar o coração,
a trazê-lo em harmonia
a embelezar a vida poetizando
dia a dia
como uma tábua de salvação
a que me agarro
logo com a desmemória esbarro
sinto-me perdida,
ofuscam-se as lembranças
já é longa a vida!

A verdade...a verdade é que
brilha uma estrelinha no firmamento
assim meu pensamento não escureceu
de todo, a força de amar não desapareceu,
vejo-me entre a noite e o dia
o escuro e a claridade
e no meio da minha alegria de viver
surge como ventura a saudade...

A saudade...a verdade é que
este sentimento me domina, é amor
a que me entrego sem resistência,
com veemência e paixão
é fogo que me anima
a não cair na solidão.

natalia nuno
rosafogo






terça-feira, 30 de junho de 2015

poema triste...




não tenho mais memória
nem alento
tão perto de mim mesma  e
tão distante
com os olhos no esquecimento
numa incerteza sufocante
dentro de mim,
cresce um estremecimento
uma amargura constante
e cega
afogando-me num pranto
onde a solidão me pega.

sobrevivo por instinto
como uma labareda
que se nega a apagar
sobrevivo ao vendaval que se precipita
como o silêncio que corta o ar
como a folhagem que ferida grita
vai caindo, caindo sem parar
até ficar imóvel pelo chão
assim…assim está meu coração!
lentidão, vazio e sombra
contínuo esquecimento
sem mais memória...nem alento.


natália nuno

escrito na Fuseta
4/2015

domingo, 28 de junho de 2015

plantando palavras...


Estava aqui a pensar, ou por outra a falar com os meus botões, que preciso de umas palavras requintadas, palavras de classe, não preciso saber o significado, mas sem dúvida tenho que aprender algumas, é que as minhas são palavras de trazer por casa, palavras simples, claras como a água dum ribeiro, palavras do dia a dia, pão pão, queijo queijo, palavras de pé descalço, mas de facto com meus cabelos já embranquecidos não tenho paciência para melhorar o vocabulário, ainda assim, lá terei que aprender uma meia dúzia dessas de sair à rua. Palavras bonitas e finas entrecruzam-se no meu sonho desde a minha infância, mas o tempo se apoderou do sonho e da palavra, e eu, fiquei assim acertando as ideias, na esperança  como dizia ainda há pouco, de aprender mais algumas palavras finas. É que eu sou uma poeta louca, sonhadora, um visionária, um instante rindo, outro em pranto, e logo no outro sonhando...

Triunfal a palavra em mim nasceu,
foi o destino que assim me fadou,
assim mesmo ela em mim cresceu
deixou-me em perdidas ocasiões
criou em mim ilusões
Poeta a vida me sagrou.

Esta loucura, é passageira, estou a tentar escrever prosa, mas já vi que que não vai ser farta a minha  lavra.. 

a poesia me desencaminha
com doçura e paixão
é sonho que me acarinha
aprisiona-me o coração...

e assim há um vendaval aprisionado em mim que se chama «poesia», palpita como um salto de água com seu sussurro matinal, precipita-se extenuada, pungente, com a transparência azulada do meio dia, e sempre com a inquietude duma gazela... «poesia», magia que me traz a paz e a colheita de sonhos, certezas e incertezas na lenta cadeia dos dias ...fico ali ao canto do alpendre olhando o fundo branco de cal, as trepadeiras floridas ao céu erguidas, e num sombrio recolhimento onde o sonho sempre me espera...daqui a pouco surgem as sombras, fico eu e elas na escuridão da noite a celebrar o vazio da lágrima que nos afoga... e assim com a cegueira do silêncio a encher-me os olhos, meus lábios cegos plantaram mais umas palavras.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 15 de junho de 2015

plantando palavras...apenas



pequena prosa

a vida é clausura onde vão morrendo as recordações, vai estendendo a mão mas em breve reduzirá  a cinza aquela que aperta, vai plantando palavras na boca sem nexo ou a sua ausência, vai desnudando a memória, surge o silêncio e o vazio por detrás de cada dia,  até que o corpo é um vale árido olhando-se em ruínas...desperta a lágrima à beira do vazio, nos olhos onde o sonho ainda se revela... e de tanto sonhar caem no esquecimento de si mesmo...e o rosto fica sem vida, mas é ainda o rosto, desencadeia-se no pensamento uma névoa que vai apagando aos poucos a memória roubando-lhe o sol e só a impiedade floresce, tornando-a gaivota de silêncio como se o seu vôo azul terminasse,.. ave embriagada que tudo esqueceu e se harmonizou consigo própria e assim permanece na tranquila solidão dum sonho onde o nó não desata mais e nada pode alterar este destino.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 14 de junho de 2015

quando a noite amanhece...



repousa em mim a saudade
deitou-se aqui no meu peito
trouxe palavras de ansiedade
ficou o coração insatisfeito

trago a ilusão da calmaria
hei-de rir dos dias de marasmo?
ai... que a vida já se distancia
e eu não quero morrer de pasmo

quero que meu outono floresça
como primavera em ascensão
verde esperança em mim cresça
e venha a bonança dar-me a mão

e de todos os sonhos que sonhei
mesmo não tenham valido a pena
não perguntem nada só eu sei!
minha força é grande, não pequena.

deixem que perpectue em mim
alegrias e lágrimas choradas
quero ficar em paz até ao fim
livre sem as ideias amordaçadas

quando o rio da vida me engolir
e ocultar do céu o meu olhar
um pouco do que fui há-de sorrir
lá de onde não mais vou regressar

aperta-se-me o peito, calo a boca
e caminho...caminho sem segredo
trago o sangue a pulsar, e da pouca
vida que resta não trago medo...

natalia nuno
rosafogo






quinta-feira, 11 de junho de 2015

instantes...





O tempo é abolido,
 a cada instante é deslumbrado o olhar 
a vida sempre abre uma fuga, 
para esquecer o que vai mal no presente,
abre-nos um outro caminho
e nós acreditamos na luz da quimera,
do amor, ou de algo que nos parece bem ao olhar...
quando o sol se vai no horizonte à distância fico a decifrar
o tempo e a sombra começa a penetrar-me a alma,
então sou a aparente quietude dum lago onde a água é calma
e transparente e nada nem ninguém consegue turvar...

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ai de mim...ai de mim!



Surge orgulhosa a rosa
no roseiral
quis a sorte
que não tivesse rival
há sempre um perigo eminente
o vento que a faz tremer
razão mais que poderosa
para a rosa desfalecer.
é bonita segundo uns
segundo outros é formosa
talvez pareça vaidade
vantagem ou desvantagem
ou apenas a saudade
que ela traz da sua imagem.

Traz a alma enriquecida
de amor...que é sentimento e vida
amor não é palavra banal
da vida é o maior festim
ai da rosa do roseiral!
Ai de mim ... ai de mim!

A afrontar a tempestade
do tempo que lhe traz saudade
palavras são ventura
que esmola por caridade...

natalia nuno
rosafogo