palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 1 de julho de 2015
A verdade...a verdade é que
A verdade...a verdade é que
resta um raio de esperança a luzir
no meu mundo da imaginação
deixo-me ir, não obstante o aviso
da razão...
impele-me o pensamento
a afagar o coração,
a trazê-lo em harmonia
a embelezar a vida poetizando
dia a dia
como uma tábua de salvação
a que me agarro
logo com a desmemória esbarro
sinto-me perdida,
ofuscam-se as lembranças
já é longa a vida!
A verdade...a verdade é que
brilha uma estrelinha no firmamento
assim meu pensamento não escureceu
de todo, a força de amar não desapareceu,
vejo-me entre a noite e o dia
o escuro e a claridade
e no meio da minha alegria de viver
surge como ventura a saudade...
A saudade...a verdade é que
este sentimento me domina, é amor
a que me entrego sem resistência,
com veemência e paixão
é fogo que me anima
a não cair na solidão.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 30 de junho de 2015
poema triste...
não tenho mais memória
nem alento
tão perto de mim mesma
e
tão distante
com os olhos no esquecimento
numa incerteza sufocante
dentro de mim,
cresce um estremecimento
cresce um estremecimento
uma amargura constante
e cega
e cega
afogando-me num pranto
onde a solidão me pega.
sobrevivo por instinto
como uma labareda
que se nega a apagar
sobrevivo ao vendaval que se precipita
como o silêncio que corta o ar
como a folhagem que ferida grita
vai caindo, caindo
sem parar
até ficar imóvel pelo chão
assim…assim está meu coração!
lentidão, vazio e sombra
contínuo esquecimento
sem mais memória...nem alento.
natália nuno
escrito na Fuseta
4/2015
domingo, 28 de junho de 2015
plantando palavras...
Estava aqui a pensar, ou por outra a falar com os meus botões, que preciso de umas palavras requintadas, palavras de classe, não preciso saber o significado, mas sem dúvida tenho que aprender algumas, é que as minhas são palavras de trazer por casa, palavras simples, claras como a água dum ribeiro, palavras do dia a dia, pão pão, queijo queijo, palavras de pé descalço, mas de facto com meus cabelos já embranquecidos não tenho paciência para melhorar o vocabulário, ainda assim, lá terei que aprender uma meia dúzia dessas de sair à rua. Palavras bonitas e finas entrecruzam-se no meu sonho desde a minha infância, mas o tempo se apoderou do sonho e da palavra, e eu, fiquei assim acertando as ideias, na esperança como dizia ainda há pouco, de aprender mais algumas palavras finas. É que eu sou uma poeta louca, sonhadora, um visionária, um instante rindo, outro em pranto, e logo no outro sonhando...
Triunfal a palavra em mim nasceu,
foi o destino que assim me fadou,
assim mesmo ela em mim cresceu
deixou-me em perdidas ocasiões
criou em mim ilusões
deixou-me em perdidas ocasiões
criou em mim ilusões
Poeta a vida me sagrou.
Esta loucura, é passageira, estou a tentar escrever prosa, mas já vi que que não vai ser farta a minha lavra..
a poesia me desencaminha
com doçura e paixão
é sonho que me acarinha
aprisiona-me o coração...
e assim há um vendaval aprisionado em mim que se chama «poesia», palpita como um salto de água com seu sussurro matinal, precipita-se extenuada, pungente, com a transparência azulada do meio dia, e sempre com a inquietude duma gazela... «poesia», magia que me traz a paz e a colheita de sonhos, certezas e incertezas na lenta cadeia dos dias ...fico ali ao canto do alpendre olhando o fundo branco de cal, as trepadeiras floridas ao céu erguidas, e num sombrio recolhimento onde o sonho sempre me espera...daqui a pouco surgem as sombras, fico eu e elas na escuridão da noite a celebrar o vazio da lágrima que nos afoga... e assim com a cegueira do silêncio a encher-me os olhos, meus lábios cegos plantaram mais umas palavras.
natalia nuno
rosafogo
a poesia me desencaminha
com doçura e paixão
é sonho que me acarinha
aprisiona-me o coração...
e assim há um vendaval aprisionado em mim que se chama «poesia», palpita como um salto de água com seu sussurro matinal, precipita-se extenuada, pungente, com a transparência azulada do meio dia, e sempre com a inquietude duma gazela... «poesia», magia que me traz a paz e a colheita de sonhos, certezas e incertezas na lenta cadeia dos dias ...fico ali ao canto do alpendre olhando o fundo branco de cal, as trepadeiras floridas ao céu erguidas, e num sombrio recolhimento onde o sonho sempre me espera...daqui a pouco surgem as sombras, fico eu e elas na escuridão da noite a celebrar o vazio da lágrima que nos afoga... e assim com a cegueira do silêncio a encher-me os olhos, meus lábios cegos plantaram mais umas palavras.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 15 de junho de 2015
plantando palavras...apenas
pequena prosa
a vida é clausura onde vão morrendo as recordações, vai estendendo a mão mas em breve reduzirá a cinza aquela que aperta, vai plantando palavras na boca sem nexo ou a sua ausência, vai desnudando a memória, surge o silêncio e o vazio por detrás de cada dia, até que o corpo é um vale árido olhando-se em ruínas...desperta a lágrima à beira do vazio, nos olhos onde o sonho ainda se revela... e de tanto sonhar caem no esquecimento de si mesmo...e o rosto fica sem vida, mas é ainda o rosto, desencadeia-se no pensamento uma névoa que vai apagando aos poucos a memória roubando-lhe o sol e só a impiedade floresce, tornando-a gaivota de silêncio como se o seu vôo azul terminasse,.. ave embriagada que tudo esqueceu e se harmonizou consigo própria e assim permanece na tranquila solidão dum sonho onde o nó não desata mais e nada pode alterar este destino.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 14 de junho de 2015
quando a noite amanhece...
repousa em mim a saudade
deitou-se aqui no meu peito
trouxe palavras de ansiedade
ficou o coração insatisfeito
trago a ilusão da calmaria
hei-de rir dos dias de marasmo?
ai... que a vida já se distancia
e eu não quero morrer de pasmo
quero que meu outono floresça
como primavera em ascensão
verde esperança em mim cresça
e venha a bonança dar-me a mão
e de todos os sonhos que sonhei
mesmo não tenham valido a pena
não perguntem nada só eu sei!
minha força é grande, não pequena.
deixem que perpectue em mim
alegrias e lágrimas choradas
quero ficar em paz até ao fim
livre sem as ideias amordaçadas
quando o rio da vida me engolir
e ocultar do céu o meu olhar
um pouco do que fui há-de sorrir
lá de onde não mais vou regressar
aperta-se-me o peito, calo a boca
e caminho...caminho sem segredo
trago o sangue a pulsar, e da pouca
vida que resta não trago medo...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 11 de junho de 2015
instantes...
O tempo é abolido,
a cada instante é deslumbrado o olhar
a vida sempre abre uma fuga,
para esquecer o que vai mal no presente,
abre-nos um outro caminho
e nós acreditamos na luz da quimera,
do amor, ou de algo que nos parece bem ao olhar...
quando o sol se vai no horizonte à distância fico a decifrar
o tempo e a sombra começa a penetrar-me a alma,
então sou a aparente quietude dum lago onde a água é calma
e transparente e nada nem ninguém consegue turvar...
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Ai de mim...ai de mim!
Surge orgulhosa a rosa
no roseiral
quis a sorte
que não tivesse rival
há sempre um perigo eminente
o vento que a faz tremer
razão mais que poderosa
para a rosa desfalecer.
é bonita segundo uns
segundo outros é formosa
talvez pareça vaidade
vantagem ou desvantagem
ou apenas a saudade
que ela traz da sua imagem.
Traz a alma enriquecida
de amor...que é sentimento e vida
amor não é palavra banal
da vida é o maior festim
ai da rosa do roseiral!
Ai de mim ... ai de mim!
A afrontar a tempestade
do tempo que lhe traz saudade
palavras são ventura
que esmola por caridade...
natalia nuno
rosafogo
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