palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Ai de mim...ai de mim!
Surge orgulhosa a rosa
no roseiral
quis a sorte
que não tivesse rival
há sempre um perigo eminente
o vento que a faz tremer
razão mais que poderosa
para a rosa desfalecer.
é bonita segundo uns
segundo outros é formosa
talvez pareça vaidade
vantagem ou desvantagem
ou apenas a saudade
que ela traz da sua imagem.
Traz a alma enriquecida
de amor...que é sentimento e vida
amor não é palavra banal
da vida é o maior festim
ai da rosa do roseiral!
Ai de mim ... ai de mim!
A afrontar a tempestade
do tempo que lhe traz saudade
palavras são ventura
que esmola por caridade...
natalia nuno
rosafogo
domingo, 7 de junho de 2015
Rasgado gesto
Teu tacto fica surpreendido
com a leveza da minha mão
que te procura
apesar do gesto tão conhecido
que milhares de vezes vai rasgando com
doçura...
E nem uma palavra, nem um aviso
sentir é a única ideia
às cegas minha mão sem juízo
o teu corpo serpenteia...
Uma oscilação aqui e ali
um sussurro inquieto
como se fosse um gemido
perdido entre si
verte-se sobre nós súbita
loucura
são momentos de vida. únicos
de explosão e doçura
como o grito dum relâmpago
a estourar
assim é a loucura
do nosso amar...
E é como se o tempo flutuasse
entre a noite e o dia
ou sobre o muro de mais um sonho
que se anuncia...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 21 de maio de 2015
a memória das coisas
Tudo ao redor
é frescura e suavidade
duma pureza angélica
tudo se reflecte no meu estado
d'alma,
esta paz idílica
que me traz saudade,
natureza luminosa
que irradia serenidade
tanta flor colorida,
perto correndo o curso d'água
e tão efémera que é a vida.
Como quem escreve aos ausentes
trago ao presente coisas do passado
lembranças das gentes
dos lugares sem semelhança
memória das coisas
de quando era criança.
Todas as coisas que se desejam
sempre tardam demais,
a primavera chegou,
- Meu Deus, tanta beleza me dais!
É a lembrar de quem já partiu
que de tudo faço lembrança,
esta, remedeia o meu frio
e veste meu coração de criança.
Sol claro, calma ardente
navego em confiança...
Há no meu olhar gratidão
por este tempo de primavera
e trago o gozo no coração
de quem... por um novo dia espera.
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 13/03/2014
terça-feira, 5 de maio de 2015
no fervor do sonho...
Vão morrendo as estrelas
na madrugada já se ouve o galo e seu clarim
a manhã gloriosa, já tanta claridade
e tu alheio nem dás por mim
termina a noite em saudade.
amei-te inda menina era aurora venturosa
amar-te, ainda é minha sina
e esta noite tão misteriosa...
Quero ainda ser a flor do teu olhar
incendiar-me no teu fogo
no fervor do sonho que nos faz sonhar,
e logo tu seres a emoção
com que escrevo, nestes breves momentos de ilusão
Não adormeças ainda dá-me a tua mão
que as palavras sejam luz em nossa vida
farei com elas versos belos e intensos
e no teu amor me sentirei protegida,
imensos são os anos que nos levam
vamos morrendo como as estrelas...
e eu esculpindo versos tentando detê-las!
inventando esperanças, acalmando o vazio
esquecendo a sombra do olhar
e deixando-me no teu coração habitar
hoje, escrevo sonhos como estrelas cadentes
e escuto o amor com infinito desejo
dum beijo d'amor
que eu sinto... e tu sentes.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Desce a sombra...
Duvidosa é sempre a morte
é destempero da vida
anda em nós arraigada
certa, disposta a fazer-nos a cilada
e ainda a mostrar-se compadecida.
Desce sombra sobre nós
sucumbe-nos o pensamento e a voz
não somos mais donos da vontade
inquieta-nos o rosto, fatalidade,
retira-nos dos pés o tapete
faz em nós o estrondo dum foguete.
Golpeia a cortina dos nossos olhos
espia-nos noite e dia
o pior está por vir, que ironia!
Como foi que sempre nos iludiu
o pulso já bate descompassado
o destino traz tudo determinado
...traçado! Sei que ela virá um dia.
natalia nuno
rosafogo
( homenajeando um amigo seciliano TóTó Lombardo que faleceu aos 58 anos inesperadamente)
domingo, 3 de maio de 2015
condenação da poesia...
posso queimar todos os poemas
há só um senão
nada restará, nem o sonho
que vem dar-me um dormir doce
às vezes,
e que a seu tempo acabará
quando a respiração for sustida
ao final desta alameda que é a vida.
aos poemas dou nova oportunidade
retiro a condenação,
mas há um senão,
que faço da saudade?
poemas ilusões por mim geradas
fazem parte de mim mesma
são mais fortes que todas as razões
são minha carne, meu pão
meu prazer, minha paixão
ilusões? pois que sejam ilusões!
o bálsamo com que mitigo a dor
o azevinho com que enfeito o natal
a quietude e o vendaval
a corda que me prende ao cais
custa-me a acreditar
que os queimaria e não os sentiria vivos
jamais...
vou mantê-los em liberdade
como o perfume das flores pela campina
e dizer-lhes da minha saudade
desse tempo de menina.
as flores encherão a terra
os versos flutuarão alheados ao tempo
só restará o eco da adolescência passada,
virá ao ouvido ainda...derradeiro eco
neste poema que finda.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 21 de abril de 2015
eu e os sonhos...
pequena prosa
vou tecendo imagens pensando poder recuperar aquilo que não poderá mais
voltar a não ser à minha mente, chove-me na alma gotas de nostalgia e também de agonia, há memórias onde certos rostos já não
possuem identidade, desse passado que não pretendo esquecer que é meu e que ainda
me pertence… vou cedendo, mas não me permito na queda perder a dignidade, e não
me nego à esperança que a vida ainda me oferece, às vezes me embaraça a tristeza, trespassa-me o âmago, mas só às vezes, deixa cicatrizes que eu vou curando com
as palavras e lá passa o medo daquilo
que por enquanto desconheço, o esquecimento…o tempo é ave de rapina, que se abate sobre a memória, deixa os olhos nublados e todo o corpo em
desassossego. Mas eu agarro-me a tudo que está perto do coração, às melhores e
mais felizes recordações, esqueço pressentimentos maus, deixo-me ir lá atrás à
casa da infância, onde a grande lua
amarela me fala de sonhos, deixa-me o coração palpitante e eu fico ditosa julgando-me dona do mundo…e no meu fugaz paraíso, nimbado de sonhos d'ouro, ao compasso duma melodia que só eu escuto, consigo reencontrar a felicidade, até que a luz clara da manhã dum novo dia que se ergue talhado pelo sol faz comigo uma aliança d'amor e nas horas que se seguem percorremos a praia da infância num desejo que nos leva ao delírio... nas águas felizes o aroma da saudade onde minha alma navega ainda como uma ave levada pelo vento num vôo livre, elevando-se por onde cresce o céu...dos meus sonhos.
natalia nuno
rosafogo
aldeia 4/2015
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