segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

passa a vida...pensamento



a vida é areia que escoa por entre
os dedos por mais hábeis que sejam,
é na verdade uma desolada estrofe difícil de
soletrar...

natalia nuno
rosafogo

domingo, 14 de dezembro de 2014

o fulgor do sonho



sou como o fogo não me detenho
trago comigo a força do vento
no peito uma trepadeira a florir
a memória renascendo, donde venho?
dum sonho maior quase a ruir
venho do tempo sem tempo
da noite e do dia
da memória e da desmemória
do mundo da utopia...

sou labirinto de palavras usadas
arco íris de metáforas esquecidas
desolações que trago caladas
agonizo mas renasço
sempre em outras vidas
não sou navio encalhado
trago sim no coração a negação
dum destino malfadado

sou a noite e o dia do meu corpo
trago o canto consumido na voz
a cada dia  me olho, realidade atroz
sou fogo sempre a arder mais alto
rajada de vento no arvoredo
trago a vida em sobressalto
mas encaro o futuro sem medo...

sou a que ama a natureza e a liberdade
o sol que se abre na planície
vou ser assim até morrer
dou asas ao meu vôo e levo saudade
e a abrasadora sede de mais viver

natalia nuno
rosafogo

sábado, 13 de dezembro de 2014

meu chão...



vejo meu chão a distanciar-se
minhas pernas já não voam
só as palavras ecoam
das searas do meu peito
a aconchegar-se, a jeito...
é inútil recordar
já nada vai voltar
os braços estendo à saudade
que me dá sinais de verdade
meus pés, viajam pelo outono
no peito um grito de socorro
o esquecimento e sono

inclemência que este tempo 
que não pára, forjou!
e esta ferida não sara
e é inverno que chegou...

morri de cansaço
é dia chegado ao fim
o desenho de mim...

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

poção...



súbitamente tantas ideias
vindas não sei de onde
parecem teias
e eu arrebatada pela emoção
deixo falar o coração
de onde vim, para onde vou
o que fui, o que sou
o meu melhor, o meu pior
o desvendar dos meus segredos
os meus medos
tudo deixo nestas folhas sem fim
que são para mim
uma poção, ou um aroma
que me sustenta
labareda que me incendeia
o fogo que me alenta, me ateia.

quanto mais escrevo
mais descontente me sinto
nem sei se devo...
deixo-me de alma despida
deixo o sorriso murchar
podem dizer que minto
escrita é abrigo onde posso chorar

ideias desprendidas, às vezes sofridas
talvez, aparente loucura, sem cura
onde me deixo inconsciente
pois ser-se Poeta também é bravura.

natalia nuno
rosafogo






terça-feira, 25 de novembro de 2014

palavras...apenas palavras



o que há nestas palavras singelas
que não têm graça nem arte
que podereis achar nelas
depois que de mim as aparte?
andam os meus olhos tristes
no coração trago lembrança
se hoje trago tormenta
amanhã trarei bonança
os males que o Poeta tem
os vai cantando ou chorando
com ventura ou desventura
só ele os sente tão bem

quem não as quiser sentir
seus olhos nelas não ponha
a vida é breve e se não se sonha
não vale a pena existir...

estas palavras singelas a que nenhumas
se igualam
falam de mim, delas falam
e se escrever mais algumas
espero não as enjeitem
deixá-las-ei de vontade
oxalá as aproveitem
pois são naúfragas de amor
e saudade.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 22 de novembro de 2014

meditação




Coitado do meu País, as vergonhas por que o fazem passar, dobro as lágrimas quando oiço a Portuguesa, creio que ainda há muitos como eu que apesar de simples, amamos e respeitamos o chão que nos viu nascer, já outros letrados e afins que o des(governam),deviam ter vergonha na cara, para além de o fazerem tapete dos outros países se abotoaram, encheram os bolsos e nos retiraram o pouco que tínhamos e levámos a vida para o conseguir. Malditas criaturas!


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

minha doce inimiga...



é cinzenta minha inquietação
saudade é chuva que me inunda
o coração...
como o silêncio agora pesa!
ribombam trovões distantes
lembro a reza de menina,
a Santa Barbara Bendita
«que no céu está escrita com
papel e água benta
livrai-nos desta tormenta»,
relâmpagos serpenteiam
por instantes o céu, pelos raios lacerado
que me fascina,
o dia agonizado,
um fragor de granizo
surge sem aviso,
sacode o chão, vindo dos céus,
eu me entrego a Deus

nuvens negras de corvo
luz macia e lenta
e meu coração experimenta
o amor p'lo verso
que surge súbitamente,
vindo dum recanto da alma
inesperadamente a escapar-se por entre
os dedos, apagando os medos
neste fim de dia
negro, de sombras e nostalgia.

por detrás do vidro embaciado
abstracta, olho o arco-íris
imagens me vêm do passado
me arrastam num deambular de sentires
meu coração sente  e despedaça
enquanto a morte se aproxima ... a vida passa.

natalia nuno
rosafogo