palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
JÁ TE FALEI DE SER FELIZ?
JÁ TE FALEI DE SER FELIZ?
À minha amiga e poetisa Natália Nuno.
Já te falei hoje das flores e do riacho?
Do chapinhar saltitante das rãs e do seu coaxar sincero?
Do zumbido franco das abelhas e das libélulas,
rondando de cá para lá como se à face da terra
não restasse tempo para a monotonia?
Do latido indistinto do guarda-mor a olhar os passantes
e a abanar o rabo quando um da família chegava?
Já te falei do calor dos dias sob a sombra queimante
dos figueirais, quando Agosto pingava o mel
dos frutos e a agonia da canícula?
Do fuga rastejante das cobras e da azáfama penitente
das formigas, carregando o futuro nas mandíbulas,
enquanto no canavial um melro compõe uma melodia encantatória
absorto no desaviso das horas?
Já te falei de ser feliz? De ser muito feliz?
De ser eternamente feliz e grato?
De ser puto com asas invisíveis e sonhos inflamados
de girândolas de foguetes e tantãs de tambores guturais?
De ser pássaro como os pássaros e avião como os aviões,
para galgar muito além das nuvens e conhecer os lugares
inóspitos e os jardins plantados à beira dos rios serenos?
Se já te falei de tudo isto, deixa que te diga, finalmente,
que ainda há constelações por descobrir
e mundos para além do mundo ao meu redor
que não conheço e que anseio encontrar ao virar da esquina.
Talvez nos teus olhos de ver mais além ou no teu coração
de surfar as ondas do oceano e a escuridão das noites de insónia.
Vamos plantar canteiros de estrelas no cimo da serra?
Regalas-e-mos com as nossas lágrimas de alegria.
E amanhã veremos mais longe o arrebol da aurora!
Está na hora... É agora!
Em 25.Ago.2014
PC... Poeta amigo Paulo César
Foto pessoal
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
pensamento
Tudo tem um limite, até as lágrimas que se derramam por amor... logo a mais obscura penumbra no coração se torna claridade.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
a porta permanece fechada...
a porta permanece fechada
cá dentro os sonhos, restos de vida
espelhos tristes e a alma esquecida
a memória doutros dias pouco ou nada
a solidão não dá tréguas
na janela sem cortina
uma fosca neblina
uma ou outra voz distante
de quando em quando uma lufada de vento
e é neste dia após dia
que a hora de amar gela e esfria
atrás de mim um desejo a germinar
como o vento que desperta
e me grita...amar...amar!
sem que eu entenda nada
a porta permanece fechada
por detrás dos vidros molhados
restos, restos de vida com ardor
os corpos pelo tempo profanados
mas nos corações um tenaz amor
e é o amor que nos ocupa ainda
cá dentro o universo só nosso
onde teus braços me enlaçam com ternura
neste sentir que não finda
que é felicidade, tempestade, loucura.
natalia nuno
rosafogo
marcas de nostalgia...
Esta noite permanece surda
só o silêncio se faz ouvir,
e esta Saudade que não muda
que dispara e incendeia e escreve
o que só eu sinto,
que serve para tudo e para nada,
com letras mágicas, da minha fonte
apaziguada...
Saudade que traz marcas vestidas de nostalgia
um olhar altivo de desdém
o riso e a lágrima solitária
e os sonhos que em maioria
se agigantam, e vão mais além,
e a vida me desafia...
Doce e amarga, cruel paradoxo
traz-me recordações em turbilhão
fecho os olhos. deixo o coração
pulsar, vagabunda fico à deriva
nesta Saudade audaz, que espelha meu céu
e me satisfaz...
Nesta noite, lamenta-se o verão fugaz
estremece a minha mão e o meu sorriso
só uma árvore se agita, nesta quietude
enquanto a minha vida inteira se consumiu
perdendo-se na bruma...
Desce a noite imensa
e eu não preciso mais de coisa alguma
a não ser desta sede que me rodeia
este inferno ou paraíso, esta Saudade que é teia
centrada no coração e que volta e meia
me sobe ao pensamento num voo em chamas
É então quando tu POESIA me chamas.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
à terra que não se esquece...
Como é difícil, às vezes já
nada se imagina,
apenas a fascinação e os aromas
que gritam em mim e trago
desde menina...
procuro a claridade que fui um dia
o olhar... como se conseguisse lá chegar!
Ao lugar onde o sol cantava para mim
as nuvens me davam a mão
e o rio adoçava -me o coração.
As árvores vinham de há séculos
sentia que me queriam bem
explodiam de frutos e me sorriam
é esta a felicidade da lembrança que me
sustém...
Hoje a solidão é densa
e o tempo passa
a saudade embacia o olhar
e a terra, essa terra natal, continua
nos meus sonhos, me abraça
com braços e mãos de espanto, fulgor,
toca-me o coração com palavras de amor
e uma estranha sedução...
natalia nuno
rosafogo
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