quarta-feira, 2 de julho de 2014

pensamento



Uma melodia triste enche o ar e traz uma saudade indefinida d'outras épocas, emoções vêm à flor da pele e ao pensamento pálidas recordações... deslaçam-se os nós dos dedos e surge a nostalgia no peito essa que só os poetas conhecem.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 1 de julho de 2014

nos meus versos...



nos meus versos há folhas
engrinaldadas
e trepadeiras em busca de luz
esperanças esverdeadas
onde se projecta a sombra
da minha cruz...
nos meus versos há chuva de
outono,
e o tempo divide-se em pedaços
por lá meu coração deprimido
fiadas de pequenas flores
que cercam meus passos.

nos meus versos, há um saboroso
tempêro
que transformo em deliciosa
guloseima
voltar a lê-los sempre espero
logo que a saudade teima
os meus versos ostentam meu amor
por Deus
para mim misteriosos
são os desígnios Seus...

nos meus versos há pedacinhos de
arbustos, mimoseira em flor
e passarinhos a chilrear
há amor, muito amor
e mais vontade de amar...
nos meus versos há um caminho já
estreito
onde o tempo corre e conjura
e um riacho em cujas águas me deito
e olho minha terra com ternura

natália nuno
rosafogo


segunda-feira, 30 de junho de 2014

pensamento...




No fundo duma gaveta há sempre uma fotografia amarelecida, nela a ilusão da eternidade, ao olhá-la as lágrimas rolam pelo rosto como um orvalho tranquilo, puro, como se viesse caído do céu.

natalia nuno
rosafogo

pensamento


a vida passa como uma sombra, nada restará da passagem, a morte trará uma misteriosa e indevassável paz, ficará apenas a palavra escrita, com a graça duma noiva que se entrega.

natalia nuno

quinta-feira, 26 de junho de 2014

reino da fantasia...



Amiúde me ausento do mundo
ergo-me qual borboleta liberta
num desapego da realidade,
nesse vácuo a felicidade
é certa...
ali fico como se não fosse
nascida,
 lá encontro a juventude
perdida,
o rosto num quê de frescura
com a fronte desenrugada
na flor da idade,
com que ternura me chega
a saudade!
vinte anos, sê-lo assim por toda
a vida,
esplendor de ilusão
que sustenta meu coração

mas a borboleta vai-se definhando
ao tempo insaciável,
reclamando sem esperança,
só o amor lhe dá vontade de viver
de resistir, e a cada lembrança
batalha por não esquecer.

sentada aqui na noite crescente
tempo morto,
sem sopro de vento
escrevo em papel velho esmaecido
esboroando-se a forma, o sentido
e qualquer significado
em sentida saudade
leio e releio, penso e repenso
não vá ter esquecido
o inesquecível dia de noivado,
o gozo do amor e da vida
a felicidade,
e em tudo há um prazer
que me embriaga, me extasia,
então... ausento-me para o reino da fantasia.

natalia nuno
rosafogo





terça-feira, 24 de junho de 2014

ao Deus que nunca vi...




dedilho o terço
ao Deus que nunca vi
mas que sei que está aqui.
aqui, nas macieiras floridas
nos ramos das nossas vidas
nas igrejas e catedrais...
caem meus pecados ao chão
sou humana,  vou pecar sempre mais

florescem arbustos no peito
viro terra sem mácula
crescem em mim os lilázes
viaja em mim a primavera
Deus quer-me ser perfeito
saber-me anjo quem dera!
mas faço parte da terra,
nem sempre a ventura me espera

Jesus me olha da parede
e eu com o terço na mão
ébria de sonho e de sede
nem vejo se me sorri ou não,
elevo meus olhos ao céu
pesa-me o peito o Seu rosto é triste
misericórdia...triste está agora o meu...

Há pregos espetados na nossa solidão.

natalia nuno
rosafogo





sexta-feira, 20 de junho de 2014

o esquecimento abre passagem...



Corre o dia,
e uma luz coada entra pelas cortinas
antigas, a solidão me faz
companhia,
adensa a noite
e desarruma a minha mente
e assim a flor desfolha até às
pétalas finais, como o sol
que se apagou, derramando
um vazio que a destrói.
Transporto sonhos ante um inverno
que me espera, a solidão dói,
o esquecimento abre passagem
e cada lembrança é já indelével
imagem,
como casa desabitada, mofenta
arrasada, onde já ninguém responde
minha alma, anda não sei por onde!
Minha vontade, ainda
inventa versos como comida suculenta
que me faz bater o peito, e a saudade
traz-me de volta a menina
dizendo-me que sou a mesma d'outro tempo.

o tempo que vai e nada o pode deter
fica a palavra feita nada,
a vida voando para o poente
como a água, que não volta à nascente

natalia nuno
rosafogo