sexta-feira, 6 de setembro de 2013

rio da lembrança...



vou ao aroma da infância
procurar-me, onde andam
meus cabelos de azeviche?
procurar a brisa, o calor do meio dia,
e em plenitude tudo na lembrança,
a presença viva da criança
o coração continua pulsando
e renasço mil vezes,
tal como o sol que ressurge
e incendeia o estio
e ilumina as águas vivas do rio,
do rio da lembrança,
numa alegria que até hoje
perdura...
fio de ternura
que trago no meu silêncio.

nasci olhando o rio
cresci com o azul do céu
azuis e eternos
rasgando arvoredos...
e eu voava de ramo em ramo
sem medos
a terra me falava, só palavras
de ventura...
eu a amava duma forma terna e pura.

e hoje em cada verso, ainda me ponho
a escutar...
o som da água cristalina, e a sonhar
neste devaneio de voltar a menina.

trago em mim o seu odor
e trago estrelas nos olhos
as mesmas que se entornavam
nas minhas noites
e o seu brilho me enlaçava
e eu sonhava...sonhava.

natalia nuno
rosafogo



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Crédula esperança....



estou dos versos esquecida
me anima uma crédula esperança
que o que me resta de vida
é esta saudade nua e crua
que de lembrar não me cansa.
e este ânimo constante
que me vem ao semblante
que sempre assim em mim esteja.
quero que todo o mundo veja
que aos versos não ando atada
mas anda louco o pensamento
e a alma arrebatada...

a morrer sentenciada
anda a minha poesia
no silêncio e esquecimento...
se pudesse a pouparia.

já fui moça...moça ardente
já fiz versos de repente

estou dos versos esquecida
eles que foram meus amantes
deram golpes ficou a ferida
já nada é como dantes...
versos que eram raridade
onde conservava a saudade
hoje resta a aparência
nada tinham de ciência
quem sabe...a eternidade!

não deixo que nada me entristeça
a vida é cruel ameaça
só a lembrança me estremeça
para esquecer qualquer desgraça
e se a vida me consente
caminhar sem receio
a minha metade igualmente!?
então:
farei da caminhada passeio.

natalia nuno
rosafogo
im.net

domingo, 25 de agosto de 2013

repensando...




o sol me aponta o caminho
sempre que nasce novo dia
mas anda a morte tão pertinho
que já nem minha sombra se fia

repensar leva-me à lembrança
e a uma imperiosa necessidade
voltar sempre lá atrás à criança
suando na lembrança a saudade

é como se o tempo suspendesse
e suspensa ficasse a respiração
como se o tempo não perdesse
e eu o segurasse com minha mão

vive-se mais intensamente agora
assim penso, levo meus dias a fio
recordando o meu rio que chora
no interior do coração tão vazio.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

cheia de júbilo...



quero seguir sendo eu mesma
ainda que, por horas incertas e fugidias
quero sentir que me pertenço
não quero desabar
em esperanças vazias...
quero viver, deixar acontecer
já que o tempo não posso deter
não quero adormecer
no vazio das horas
quero caminhar com esperança
fazer com a vida uma aliança.

abrir-lhe o peito
deixar entrar a luz entretanto
perdida
não quero inútil a subida
meu sonho vem de longe e me segue
aqui fico, onde os instantes
me trazem pequenas sensações
onde esqueço o tempo e suas
prisões,
tempo que me prende os movimentos
e tudo degrada,
não quero mais o pranto
não estou condenada.

cheia de júbilo
olho a vida com contemplação
assim na tarde que cai
as horas me acompanharão
sem violência, sem ansiedade
numa eterna lentidão.

e num recanto do meu corpo
nascerá mais um poema
com o cantar dos pássaros
com o orvalho das madrugadas
os acordes dum violino
com a leveza de asas transparentes
e o mundo será de novo menino
a terra mansidão
e o tempo não será mais obsessão.

natalia nuno
rosafogo


sábado, 17 de agosto de 2013

esta sede...



o tempo desliza
e eu sem pressa
bem que me avisa
que parte e não regressa
esta sede de beber
e querer à vida sempre mais
parar o tempo num sítio qualquer
não lembrar dele jamais.
a alma suspensa
em doce tranquilidade,
assim me consinto
inventar felicidade.

negar-me ao medo
cingir a vida
fazer de conta que ainda é cedo
sentir cada veia viva
deixar-me da tristeza despedida
e nesta vida que ainda me tem
que o sonho vá mais além...

e diz-me o tempo mordaz
que passa e não se apieda
ainda sou capaz
de tornar mais amarga a queda

natalia nuno
rosafogo
imag.net

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

numa dança maior...



na hora em que as sombras aparecem
perdidas no crepúsculo dourado
gaivotas dançam sob as águas
serenas,
dum mar silencioso, que aguarda
a claridade da lua...
tudo é doçura na solidão
do meu sonho
e  numa aliança de amor
tu és meu, e eu sou tua.

a vida é viagem que não se detém
às vezes desço no tempo
para me encontrar de novo
contigo, mas é alucinação
onda que vai e não vem
cegueira dum instante, ilusão
dor que não desejo a ninguém.

amdam as gaivotas numa
dança maior,como querendo à noite
escapar,
vivo eu um sonho de amor
tentando o tempo parar.

natalia nuno
rosafogo







segunda-feira, 12 de agosto de 2013

o vazio das horas...


ao redor o vazio da horas,
o tempo cansado
deixando para trás o rasto
duma vida.
o sonho delapidado
é aroma de flor perdido,
indefesa na realidade
refugio-me na saudade.

as palavras são um jogo
falaz
que prometem e não cumprem
e o vazio que está por detrás
é frio na memória
onde jazem já algumas
recordações
ali prisioneiras
em sua quietude,
uma vez e outra, tento libertá-las,
quer sejam de dor ou de alegria
ou tão só de nostalgia.

até ao esquecimento de mim mesmo,
nostálgica, viverei encarando a vida,
abro as portas do olhar
de par em par
ainda que seja um breve e
ilusório tempo...tempo de despedida.

natalia nuno
rosafogo