palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 1 de junho de 2013
busco-te na ilusão
meu coração batia com força
e eu sentia o palpitar da tua mão
a vaguear na solidão,
eras apenas lembrança
que eu buscava, na ilusão
deste ambiente de fim de tarde,
onde espreita sempre a saudade.
Enamorei-me
pelo íman do teu olhar
p'los beijos que não cheguei a dar,
ou por aquele que não vou devolver
e que o meu sonho ainda vem povoar,
e dessa lembrança vou viver!
destas lembranças tenho sobrevivido
e se um dia em mim morrer tudo,
e a memória tudo esquecer
vale a pena morrer,
que meu sentir reflorescerá
no meu peito já mudo.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
loucamente me perco...
no âmago da memória
nem uma queixa
as lembranças são em cascata
nem a saudade me deixa,
e às vezes quase de alegria me mata.
assim minha sede é menos vilolenta,
me sacio na lembrança
e meu sonho é campo verde
onde sou girassol de esperança.
loucamente me perco
envelhece meu rosto pouco a pouco
sem parar...
e quando olho para trás
me encontro entre sombras e luar.
roçam meus dedos palavras apressadas
mas o coração dá horas pausadas.
alerta a imaginação...
em cada palavra o poema é explosão
continuo o caminho sozinha,
sou poeta doutro tempo, apaixonada
nesta poesia tão minha
que é pouco ou mesmo nada,
sigo segura
faço do tempo furtivo
uma aventura
e vivo...vivo!
natalia nuno
rosafogo
sábado, 25 de maio de 2013
lírios perdidos...
o outono é esquecimento
rasgo minhas vestes
solto meu cabelo
e deito-me ao lado das madressilvas
no frio mármore da madrugada
e um pássaro canta com desvelo
como se eu fosse sua amada.
amada, amante na erva fresca
orvalhada,
e o meu corpo adormece nas mãos
do relento.
povoa-se a mente de fantasia
há jasmins, rosas silvestres
lírios perdidos
rasgo as minhas vestes
e ali ao lado corre o ribeiro
e as águas bailam na entreaberta
manhã
dos laranjais vem o cheiro
e um sonho mensageiro,
me incendeia o coração
não sei se de paixão
ou duma tristeza mansa
chegam as estrelas da noite
lamparinas
volto a olhar a menina de outrora
bela de laços e fitas
olhos de archote
e faço dela o meu mote.
natalia nuno
rosafogo
poema impertinente...
envolve-me a neblina
bate meu coração apressado
caço borboletas... ainda menina
e o poema me olha admirado.
- mas que coisa feia!
- mas tanto me atrai...
olho o poema de soslaio.
olha-me ele com surpresa...
- deixa-me ser pequena
daqui não saio!
quero disfrutar,
ter certeza
que lembranças são
para o meu coração
relíquias do passado.
meu coração bate cada vez
mais apressado.
tão perto meus tempos de menina
que a alegria em mim não cabe
pobre poema acha que sou louca,
sou apenas menina ladina
e ele de mim pouco sabe.
pôs-se de permeio
entre mim e as borboletas
levanta o pé
querendo discussão...
- deixa-te de tretas
isto é apenas um sonho,
guarda a tua opinião.
e assim o poema reconhecidamente
impertinente,
distraído...foi submetido
à sua humilde condição.
natalia nuno
rosafogo
Encontro-me em Strasburg...desejo a todos os amigos um bom domingo, bjs.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
se ainda pudesse encontrar-te?!

olho o cimo da nespereira
ali bem rentinho ao céu
esquecer-te não há maneira
este amor ainda é teu...
apagou o lume na lareira
na mesa o pão e o vinho,
vazio... criado à minha beira,
rasto de memória no caminho
o chão dos pés me fugiu
último anseio me abandonou,
arranca de mim um frio,
rimam palavras com furor
e ainda é teu este amor.
para sempre me afastei,
já bastou a vida inteira
olho o cimo da nespereira,
tanta vez para ti olhei
mas o encanto turvou
e eu...já a mesma não sou.
deixo de olhar desisti,
já não podes dar-me nada!
por isso hoje morri
morri nas horas parada
a olhar o céu,
ali por cima da nespereira,
a relembrar tu e eu
se ainda pudesse encontrar-te?!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 7 de maio de 2013
tenho sede de tempo...
cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.
lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!
quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.
dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia
e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.
natália nuno
rosafogo
quinta-feira, 2 de maio de 2013
solfejam andorinhas
anda o coração assolado p'lo vento
minha alma enfeitada de solidão
a voz campainha de porta avariada
lamento, vazio,
ao alcance da mão
quase nada...
é assim que me vejo
soprada p'lo vento norte
prossigo calada
com medo do tempo
e da morte.
solfejam andorinhas
vêm vestidas de negro
óh saudade onde ando perdida!
fincada no coração em segredo.
palavras minhas
que habitam da minha alma
o chão,
lembranças minhas
que são minha condição.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
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