palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 9 de março de 2013
à sombra da saudade
Óh tristeza...oh... agonia!
andam meus olhos tristes
chorando de noite e dia
a alma anda caída
a vontade a morrer
anda a vida sofrida
e pouco posso fazer...
ai como me lembro de mim!
desterrada na saudade,
sou sombra a chegar ao fim
minha mágoa é de verdade.
Óh nuvem esmaecida
oh sol que não me aqueces
que fizeste da minha vida,
que minha alma anoiteces?
sou sombra de mim saudosa
a sonhar a vida inteira
já tive a graça da rosa
já fui flor de laranjeira.
todo o sonho se desfez
tudo entregue à sorte!
olhos sem nitidez
adormecendo...
esperam a morte.
natalia nuno
rosafogo
imag-net
sábado, 2 de março de 2013
mergulhada no sonho
enquanto a vida passa
e não sei para onde me leva...
olho o poente,
a voz ausente
o coração sinto-o maior,
como um dançarino poderoso
ou um arauto promissor
de promessas de amor.
misturam-se perfumes no ar
tudo é efémero apenas sonho
sinto o aroma da terra ... saboreio,
e o coração bate sem freio...
vou desfiando segundos
regresso a mim com lentidão,
acredito em ventura... pura ilusão!
o tempo nunca me devolve nada,
e nesta mornidão sentida
o coração bombeia
a vida
que parece em trevas
mergulhada.
embalada no cansaço
afundo-me de novo na inconsciência,
ao sonho...me abraço.
natalia nuno
rosafogo
imag-net.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
volto-me para mim...
Nas águas tranquilas deixei meus
traços...feitos nostalgia
e a paisagem estranha é agora
fugidia.
traz-me amargor,
foge-me da lembrança,
não retenho o rosto e a harmonia,
tudo é agora noite sombria.
Olho-me no luar que é mudo
luar triste mas reluzente do mês de Junho
juventude que era tudo...
poema escrito p'lo meu punho?!
Não é mais que descrição de saudade
grito que é necessidade,
do meu eu mais profundo.
Minha alma é emotiva
fico na recordação
de olhos apagados, parados,
em êxtase ouço então,
o som do rio que não pára
no meu pensamento...
e é ferida que não sara
por um só momento.
sento-me na margem
ao pé do choupo erecto
à espera de ver a imagem
que traz meu coração inquieto.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Poema da Poeta Karinna
HOJE COLOCO UM POEMA DUMA POETA AMIGA
sim, minha palavra é medíocre
como é meu olhar n'outro
minhas razões são infinitas
pois afetos partilhados
são imensuráveis
-mesmo que eu nada seja-
ou talvez sofrível
-um poema mediano-
tenho partilha nos olhos
e entre os dedos letras que sorriem
pois a morte me circunda
me impulsiona
ao ser insignificante
sim, minha palavra é medíocre.
Karinna*
medíocre
Obrigada Ka, tuas palavras são bem a imagem da tua alma grande.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
lembranças miúdas IX
pequena prosa poética
Esqueci a fórmula mágica de a agarrar, corro atrás dela, mas ela não pára, corro ainda mais
mas ela não espera por mim...decido então passear entre as árvores, entre os arbustos em flor,
não me sujeito ao tempo...! E aqui está a felicidade sem correr atrás...
À chama da candeia, nasceram minhas primeiras palavras, com a limpidez da água, o vermelho das amoras, o chilrear dos pássaros e o rio era a travessia entre o sonho e realidade, dele nunca me afastei, ainda hoje é lugar no pensamento, ele é a voz da felicidade que me transporta ao passado, por entre o nevoeiro e as tílias, ali, corre entre o céu e a terra, como se estivesse à minha espera. Bate-me o vento na memória, as palavras são agora as pegadas onde me reconheço, soltam-se como cinzas na terra que pisei, e ali meus olhos de criança vão morrendo aos poucos. Já o sol declina, e meu coração fica preso à água que canta e corre sem retorno, tal qual esse olhar à espera de morrer...
O entardecer me conhece, tantos entardeceres passaram, tantos murmúrios ecoaram, tantos dias e noites vencidos, que o pensamento adormeceu...e o silêncio se instalou, nem uma folha mexe, nem um sussurro do vento, morrem minhas palavras inacabadas e assim...saudades de mim.
natalia nuno
rosafogo
imag-net
lembranças miúdas VIII
pequena prosa poética
Movem-se os ramos das árvores numa infinita liberdade, sorriem parecendo humanos, ao lado, aqui ao lado direito da estrada, uma casa abandonada, castigada pelo tempo, porta e janelas escancaradas, no interior crescem arbustos que se debruçam na janela, espreitando o sol, também a chaminé continua erecta, no cimo orgulhosamente duas cegonhas conservam o ninho, aguardando a descendência que chegará breve, já na primavera. Afinal a casa vive! Só os que partiram não viverão jamais...
Ali corre uma ribeirinha, indiferente, corre noite e dia sem respirar, numa corrida perpétua, abandonou a memória dos que nela bebiam sofregamente e agora apenas um falcão ou uma águia real, cortam a distância para beber seu conteúdo que é vida.
Sigo viagem, bem aconchegada, olhando o manto verde que se estende perante meu olhar, onde as pequenas margaridas já espreitam, sonhando abrir logo que o oculto sol reapareça, e eu vou sonhando com as alcachofras, com o céu, com a terra, com o destino dos humanos, e na mente levo a casa e o que no oculto ela esconde...
No regresso volto a avistar tudo de novo e meu coração acelera, a imaginação cresce à minha medida, e no lusco-fusco do entardecer, ouço os passos, as gargalhadas, os choros, e até sinto a fome de pão destas gentes que aqui viveram e morreram. Ali, na tristeza, também as árvores de fruta reclamam ser tratadas, ainda assim não se negando a florir.
E daqui a pouco a lua que tudo observou, está aí, com ar triunfador, pois só ela resiste...
esgotei a palavra, não consigo ordenar a desordem do pensamento, fecha-se o meu ângulo de visão, embebeda-se minha memória, já me perco entre vivos e mortos, como planta de caule frágil que aguarda erguer-se e sorver a vida... neste tempo levo assim... saudades de mim.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
PARTIDA
Faleceu repentinamente o amigo Poeta jornalista brasileiro Júlio Saraiva amigo que sempre estimei, ele me considerou também amiga, elogiando minhas simples palavras, e desabafando comigo através de mensagens, é portanto um dia triste, fui apanhada de surpresa tal qual a morte o apanhou a ele...
Ainda dia 18 deste mês concordávamos os dois que exageram na venda dos livros e nos pedidos de leituras daquilo que escrevem diáriamente, o que se torna cansativo e mais parece um site de mercadoria e de empurra...penso eu tal como ele pensava que as pessoas têm de ser livres, ler quem querem e o que querem...
Deixo aqui para recordá-lo enquanto andar por cá sua última resposta ao comentário que lhe fiz.
Ainda dia 18 deste mês concordávamos os dois que exageram na venda dos livros e nos pedidos de leituras daquilo que escrevem diáriamente, o que se torna cansativo e mais parece um site de mercadoria e de empurra...penso eu tal como ele pensava que as pessoas têm de ser livres, ler quem querem e o que querem...
Deixo aqui para recordá-lo enquanto andar por cá sua última resposta ao comentário que lhe fiz.
Julio Saraiva Natalia Nuno, não é, minha amiga. convidar para o lançamento, participar, acho importante. agora tem pessoas que transformam seus livros em mercadorias. acho que esse tipo de coisa vulgariza a obra e o autor também. beijo e saudade, minha boa amiga. j.
Natalia Nuno Retribuo o beijo...desejo tudo bom para si meu amigo... agora acrescento, até sempre amigo Julio Saraiva.
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