domingo, 9 de setembro de 2012

sonho de amor





a noite estremece ao redor
da nossa cama,
o amor ainda fulgura,
ainda por nós chama
é grande a ventura,
apesar da memória já obscura
povoa-se de fantasia
enquanto eu sou
e tu és
a minha força, a tua força,
dia a dia.


o fogo é esse,
ainda temos muito prá andar
deixa nos teus braços descansar,
do cansaço que o inimigo tempo
em mim plantou
quero sempre voltar a te ofertar

o amor
que em nós nunca se recusou.

entra a lua pelas frestas
esquecemos o mundo á nossa volta
afecto é o que nos resta
só o tempo me traz revolta.
e o sono sem saber
se deve ou não aparecer
assim nos amaremos
até Deus querer.

natalia nuno
rosafogo








nasce sempre mais uma rosa



Dou valor novo
a cada dia que passa
encontro sempre motivo
no que me rodeia
a tristeza calei-a!
E a alegria de novo se incendei,
soltam-se-me das mãos os queixumes
os dias morrem aos molhos,
de longe chegam pássaros da infância,
Trazendo a incerteza nos olhos.
E eu sinto-me hoje
e a cada dia regressada
vinda nem sei de onde,
talvez do nada
ou de tudo o que me foge

sacudo a cinza da lembrança
fica de novo a descoberto
e no azul do céu leio a esperança
a céu aberto.

Minha alma é um rio
onde a chuva cai generosa
mesmo estando a vida por um fio
no seu solo sempre
nasce mais uma rosa.

natalia nuno
rosafogo

calou-se a saudade...





encerro meu coração
enquanto o sol se esvai
no horizonte...
o corpo fica a descansar num tempo
vindouro,
a tarde é de ouro,
ouço de Deus a mensagem
perco o temor, fica a coragem.

chegam-me as lembranças
da infância adornada
e crescem em mim as esperanças
que não deixam meu sonho afastar-se
amanhã haverá nova alvorada,

serei toutinegra ou rouxinol
farei do olhar um girassol,
amadurecerão os frutos
cairão folhas pelo chão,
o fim da tarde chegará,
tudo chega ao fim...
a saudade cala em mim!
só o sonho não findará.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 8 de setembro de 2012

Quietude
















Jamais a morte!
Vislumbro minha estrela do norte
teço-lhe confidências,
também ao mar,
dos caminhos que percorri
das pedras e conchas que galguei
o que na alma senti
tudo o que sei e não sei
e que palpita no meu seio em flor...

falei-lhes de amor,
o que nos braços embalei
e o que em sonhos sonhei,
continuo a olhar a estrela
no céu da minha ansiedade
dia e noite tenho o condão de vê-la,
se a perco por instantes
fica o meu sonho em suspenso
em nuvens de azul infindo.

é grande a liberdade
do pensamento,
ainda que dia a dia a desmoronar,
ouço o marulhar do mar,
seu bulíçio a contrastar
com a quietude que no coração me vai
onde não se ouve um ai!

Um dia amei, amor jurei
amor gigantesco como o sol e a lua
a que meu coração deu guarida
amei e sonhei
e este amor continua
só assim a vida merece ser
vivida!

rosafogo
natalia nuno






 

domingo, 2 de setembro de 2012

subindo degraus...



cantam os pássaros nas águas critalinas
e o vento traz-me recordações
que chamam do pensamento a atenção
estórias pequeninas
o céu de emoções
o que me diz o coração

sempre o medo me aprisiona
mas vou subindo os degraus
levando o peito reconfortado,
a fé não me abandona,
uns dias bons outros maus
trago o sonho a Deus confiado


sinto o perfume duma fresca maresia
levo  direcção ignorada
já avisto o porto a alcançar
o coração em perfeita sintonia
a solidão atravessada,
da vida, o preço a pagar

olho e vejo uma flor
enquanto morre
perdendo o fulgor
negando-se a continuar,
é o tempo de repousar.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

Meus amigos leitores, vou de férias voltarei em breve, agradeço a todos a presença, bem hajam.

sábado, 1 de setembro de 2012

Pesam-me as mãos vazias



minhas mãos vazias de nada
olhar cego, poço sem fundo
calando angústias
neste resto de vida sobrada
neste meu quinhão de mundo
Nos meus dedos, há pássaros
silenciosos
no pensamento trago medos,
e um deserto de solidão
nostalgia...essa escondo no coração.

a vida feita em mil pedaços
mas dela não abro mão
a acolho em meus braços
apesar dos cansaços
a retenho no meu chão.

e se ainda tiver sorte
poder olhar lua e sol novamente
não me levará a morte!...
nas grades da sua prisão,
seguirei em frente!
não querendo nada, quero tudo
nas minhas mãos que outrora
foram mãos de veludo.

Pesam-me as mãos vazias
na escalada dos meus dias
ficam meus braços a aguardar
mais um sonho de embalar.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

nosso amor é louco




Partilhamos silêncios!
A ele nos remetemos...
Falo à toa...
mas, o silêncio que se abate
me magoa.
Plantamos o jardim
na esperança de o ver florir
dissipam-se as brumas do desassossego
és alívo para o meu mal
a sorrir
numa flor pego
ligados pelo mesmo pensamento
surge um estranho fulgor no olhar
é hora de amar.

Não é possível alterar
o curso do nosso rio
nem desviar dos olhos
lágrimas mornas e delicadas
nosso amor é velho como o tempo
tão velho como nossas passadas.
É velha canção de embalar
que levamos a vida a entoar
balada cheia de ternura
que cura
a minha tristeza.
Sou rosa caída no chão
te baixas a apanhar
a luz esmorece um pouco
a lembrar...a hora de amar.

Nosso amor é louco
como um bater de asas
e estremecimentos
guardo ciosamente os pensamentos
o porquê do silêncio esqueço agora
meu corpo tremeu!
Oh meu Deus...e o teu!

natalia nuno
rosafogo