terça-feira, 29 de março de 2011

TEMPO DE SAUDADE FEITO



Prendeu minha alma este dia
Cantarolei uma balada inocente
Quiz vencer esta minha nostalgia.
Deixei-me numa ilusão de calmaria.
Mas logo chorei o tempo presente.

Tempo de saudade feito
Onde adormeço no pasmo
Inconsolável meu peito
Sofrendo deste jeito
Rio dos dias de marasmo.

Ah...mas é tanta a ansiedade
Nestes dias insatisfeitos
Que canto canções de liberdade
Sangram meu peito  de saudade
E crio poemas imperfeitos.

Não suporto do tempo as algemas
Nem  ouvir o som do sino triste!
Deixo-me sem inspiração e os temas?
Os temas são meus dilemas!
E só em mim a tristeza existe.

Sinto-me p'lo mar afogada
Sem rumo certo, sem esperança
A vida barca naufragada
Nesta noite malfadada
Quando me chega a bonança?

Aconteça o que tiver de acontecer!
Viva eu este meu tempo já tão escasso
Que todo e qualquer tempo que vier?!
Seja eu sempre a mesma Mulher
Quero sentir-me jovem a cada passo.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 28 de março de 2011

AQUI ME DEIXO SONHANDO



Vi nascer a madrugada
Já a noite me fugia
Minha vontade quase nada
Para enfrentar novo dia.
Esperei...desesperei
Meu corpo guadava doçuras
Meus olhos cansados
De imaginar-te às escuras.
Meus lábios calados
Sorrindo para ti
Lembrando beijos roubados
Feitiço em que me perdi.

Na noite de breu
Uma estrela riscou o céu
Trouxe-me um recado,
com gosto ri...ri...ri
Uma carta!Lembranças de ti.

Um bem querer eu sinto
Caiu a sombra da amargura
Pressinto!
Que todo este sonho é loucura.

Mando-te outra carta
Que te a leva o vento
Já a Vida me farta
Traz-me esquecimento.

Na poeira do tempo
De lamento em lamento
Pela estrada longa
É o sonho que a Vida prolonga.
Sonhando é estar diluída numa bebedeira
Dormitando nesta velha cadeira.
Já nasceu a madrugada
E eu no meu horizonte fechada.

rosafogo
natalia nuno

AINDA QUERO SER POETA



Aberta à chuva e ao vento
Vive minha alma a nu
Tudo se passa num silêncio amordaçado
Num surdo lamento
A cru!
O tempo é o ladrão, passa calado
Como paisagem morta, me deixa
Ah...este maldito fado
Que já a Vida me fecha.

Este caminho traçado
Seria por minha mão?
Trago o sonho descuidado
Quase à beirinha do chão.

Dura a Vida,
Mas que Vida!
Possa ela florir!?
Quero ser ainda fruto
Duma arvore do porvir.

O fruto, e a semente!
Dum amanhã em meu viver
Trago ainda o sangue quente
Boca p'ra gritar e dizer
Que a Vida não é nenhum degredo
Só às vezes me traz inquieta
Mas persistente e sem medo
Quero muito ser Poeta.

Minha Poesia, anda descalça p'la rua
Meus poemas não sofrem de aflição
À noite sorri-lhes a Lua
Pobres sem nada exigir,
florescem em meu coração

Se dão ...sem condição
sem nada em troca pedir.


rosafogo
natalia nuno

domingo, 27 de março de 2011

A MIM JÁ TANTO ME FAZ



De penas minhas o Sol se veste
E como minha alma se sente,
Escondeu-se para lá do azul celeste
Triste como eu já se rende.
Passa p'la Terra com desdém
Meus olhos deixou em vâ procura
Agora ao pôr-se é que tem
Um pouquinho de ternura.

Passa por mim como um amante
Passa e fico enternecida
Olha-me com olhar penetrante
Mas me esquece ele e a Vida.

Viro à esquerda e à direita
Está triste a Natureza
Também minha vida se estreita
Tenho o peito nu ferido de incerteza.
Mas não houve do Sol indício
Deixei-me em mole tranquilidade
Perdi até o doce vício
De me lembrar com saudade.

E nesta ociosidade
Talvez até seja capaz
De esquecer que a idade
A mim já tanto me faz.

E o Sol se deita inocente
Cansado de largos anos
Não tem o brilho de antigamente
O tempo nos causou danos.
Trago intacta a minha fé
Este foi só mais um amargo dia
Vou fazendo finca pé
a esta Vida sombria.
O tempo tudo mudou!
Já nem sei se a mesma eu sou.
Mas amanhã se o Sol vier?
Que se levante insolente!
Que eu ainda vou querer
De novo sentir-me gente.



rosafogo

natalia nuno

sexta-feira, 25 de março de 2011

INIGMA DE VIVER



Este enigma de viver
Esta vida feita em pedaços
Este rio sempre a correr
Este apavorar dos passos.
Um olhar que se defronta
Uma sombra no espelho
Verdade que me põe tonta
Desvalia dum tempo velho.

O tempo o trago guardado
Num tesouro escondido
O medo enfrentado
Do não se sabe,
medo instintivo.

Este enigma de viver
O susto de estar, do pode ser
Dum dia que pode ser o fim,
Dum futuro e passado, dentro de mim.

A vida foge do território de mim
Deixa-me solitário faroleiro
Sabidamente procura o fim
O momento derradeiro
Onde me sinto submersa
Invadida p'la torrente
O que foi tempo de remanso
Leva agora pressa
Na corrida me canso.

Chego ao fim do curso
Onde não há retorno ou refluxo.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 23 de março de 2011

O BATER DO CORAÇÃO



Quem acabou com o meu alento?
Que hoje me sinto,
Pouco mais que nada?
A mesma vida
o mesmo tormento
A mesma luz tão fatigada.
Na memória com intensidade
Resta silêncio e a saudade.

Vai a vida muito para lá de meio
Já o amanhã me treme no peito
O hoje me aguardou com receio
Já não resta dia perfeito.
E assim cheguei como viva- morta
Gasta e desencantada
Sempre o tempo batendo-me à porta
Me deixo por ele levada.

E meu coração arrebatado
Olha a sua existência sombria
E num batimento ainda arraigado
Tem esperança num outro dia.

domingo, 20 de março de 2011

LUTA RENHIDA


Não fiz as pazes com a vida
Nem com a alegria de viver
Da vida me sinto banida
Perdida num sítio qualquer.
E há um rumor atroz
Que corre como um boato
Deixa-me a vida feita em nós
Que não ato nem desato.

Faz-me reviver as memórias
Lembro passos apressados
Já poucas são as histórias
Hoje os passos estão parados
A cabeça continua erguida
Meus olhos são dois soldados,
caídos.
Após uma luta renhida?!
Por terra os sonhos mal paridos.

Resta uma esperança cega
E uma bala no peito
Uma dor negra que se nega
A sair de qualquer jeito.

Estas palavras
não servem para ninguém
Apenas para disfarçar sentimentos
A vida já vai aquém
E só me oferece acontecimentos.
Trago a saudade
Num altar no peito a arder
Saudade da mocidade
Única felicidade!
Única a não esquecer.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada-blor imagens para
decoupage