quinta-feira, 17 de junho de 2010

REGRESSO SEMPRE AO POEMA
















Regresso sempre ao poema

As palavras vão nascendo sem destino
Companheiras constantes na noite que dura
Saem prodigiosamente da minha boca e são mimo
Que semeio e colho com ternura.
Irradiam luz, são claras como água!
Ajustam-se às alegrias e às tristezas
Dizem não haver só felicidade, também mágoa
Acompanham-me nos dias felizes e nos de incertezas.

De insónias e do silêncio são surgidas
Da erosão da memória, que já se aquieta
Do santuário do meu íntimo saem polidas
Palavras mágicas sonham poesia e o poema é meta.
Nelas já não ouço a toada do meu canto,
Nem vejo a alegria do meu olhar
Ao rio feito saudade entregaram meu pranto?!
Às montanhas o eco do meu grito, foram levar?!

Misteriosa pandora que trago comigo
Obsessão que teima em não desarredar e me alucina
Caixinha pronta a guardar o tempo que é meu inimigo
Também a coragem, sem coragem que é minha sina.
Regresso sempre ao poema, como se fosse meu cais
Aqui neste lugar de parir poesia na despedida
Já ouço os trovões, mas apesar dos temporais?!
Farei com que o barco, volte sempre ao ponto de partida!


natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 15 de junho de 2010

SAUDADE DE MIM















SAUDADE DE MIM



Não sei que fiz da alegria
Que me deixou nesta solidão
Ah, se soubesse a procuraria!?
A agarraria com minha mão
P'ra que ficasse em mim noite e dia.

Mas de nada serviria!?
Sou triste por natureza
E se a vida é tão sombria!?
P'ra que nasce o sol com beleza?
Se também morre todo o dia.

Minto, engano o coração
Digo que é manhã e já anoitece
Digo que não quero morrer em vão.
Mas já o tempo a teia tece
Levando meu dia p'ra escuridão.

Esta alegria que deixei perdida
No deserto é já só uma miragem
Não consegui dar-lhe guarida
Levou com ela toda a minha coragem
E hoje sou flor ressequida.

Hão-de vir dias novos eu sei
Campos de flores e azul no céu
Na busca da alegria perdida, irei
E de tudo o mais que a vida não me deu
E um dia, simplesmente morrerei.

Quero lembrar o azul do céu ao meio-dia
Quero a vida saudar, esquecer a idade
Esquecer que perdi a alegria
Viver de esperança, levar saudade
De mim, de tudo que em mim havia.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 14 de junho de 2010



















BAILAM-ME AS PALAVRAS

Bailam-me palavras na mente
Bailam como que embriagadas
São como água que corre contente
Fluída e fresca nas madrugadas.

E assim, por aí as vou deixando
Sigo confiante!
A tristeza elas me vão quebrando
À felicidade de tê-las, nada é semelhante.
Minhas palavras não têm fronteiras
São torrente de rio caudaloso
São meu grito, minhas companheiras
Tristes, ou alegres do meu eu saudoso.
Não calam a emoção
Deste meu pensamento livre
Nas asas trazem a ilusão
Da andorinha que em mim vive.

Minhas palavras saem em procissão
Vêm em andores de alegria ou tristeza
Palavras que me dão a mão
Têm aroma de rosmaninho, dele a beleza
Rezo-as na ermida
São labaredas da candeia acesa
Da infância perdida.

Saem do coração delirantes
Diamantes por lapidar
Às vezes gritantes
Com desejo de rimar

Trazem a raiva
O amor,a força e a serenidade
Não querem que ninguém saiba
Que estou morrendo de saudade.


natalia nuno
rosafogo


















NA MOLDURA DO SOL POSTO

Põe-se o sol mas não é noite ainda
A tarde vai levando o dia pela mão
Vaidosa se vestiu de dourado, linda!
Deixou meu olhar lembrando com emoção.

Nos derradeiros momentos deste olhar
Que sorveu tanta luz, o tempo parar.
Na moldura do sol posto
Lembrar, um sonho chamado infãncia
Os traços do rosto,
Agora esbatidos na distãncia
Ainda o verde terra nos olhos surgindo
E raios de Sol ainda a espreitar.
Na noite que vem vindo?!
Um sonho, um outro ainda sonhar.

Aconchegar-me às estrelas
Empoleirar-me em segredo,
na noite escura.
De palavras singelas,
o sonho afrontar de alma pura.
Rever-me ainda nesta moldura.

Porque o coração jamais olvida!?
Que a meninice meu olhar guarde.
Para que não seja esquecida,
Os dez réis de gente.
Estrela perdida.
E a recorde sempre
No encanto d'outra tarde.


natalia nuno
rosafogo



Dez réis de gente, me chamava com ternura minha

avó.

Todas as fotografias postas são tiradas por mim nas minhas viagens.





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sábado, 12 de junho de 2010

NÃO SEI PORQUÊ










NÃO SEI PORQUÊ

Julgam-me doida, pura inveja
Até meu pensamento, por vingança!
Louca? Não me importa, assim seja.
Sou livre, sou o vento da mudança.

Dou voltas e mais voltas com cautela
- O tempo não pára e vou morrendo!
Mas se morre até a flor mais bela?!
Também esvai a vida, a vou perdendo.

Na teia a passo largo já me enredo
Trago comigo a alma cheia de pecados
- E agora no silêncio já me quedo!

Minha vida por outra não trocaria!
Apesar dos pesares tão magoados.
Ao final desta já longa travessia.


natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

BASTA SABER-ME VIVA




















BASTA SABER-ME VIVA

Meu coração é uma gaiola dourada
Nela se solta o Amor e a Amizade
Branca, como o branco desta folha intocada
Nela um pássaro vai chilreando saudade.

Hoje lhe abri as portas
E a felicidade andou pertinho
As lembranças já mortas?!
Fui deixando p'lo caminho.
Mas na verdade me doeu
E na garganta um nó ficou
Nas lembranças,também habitava eu
Se por lá fiquei, agora quem sou?

Apago-me como flor sem sol, tanta vida lá atrás
Já pouca coisa resta, o silêncio sobre mim se deita
Nesta descida entre a saudade e o frio, tanto faz!
Mastigo incertezas, já que a Vida não é perfeita.

Deixo-me a pensar com meus botões
Enquanto cai uma chuva enfadonha
Basta saber-me viva de ilusões
Minha alma malferida, ainda assim,sonha
Insistem os chilreios em meu coração
E há largueza por onde entra a claridade
Mas quando já não restar emoção?!
Serei como raiz sem apego, sem lugar
Morrerei de saudade...
Levada p'lo tempo, deixando-me por ele apanhar



natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 8 de junho de 2010

CAEM SOBRE MIM TANTAS LEMBRANÇAS



















CAEM SOBRE MIM TANTAS LEMBRANÇAS

Hoje o Sol mudou de janela
E meu destino se esqueceu de urdir
Em meu peito pôs uma cancela
Para o coração de lá não fugir.

A tarde partiu tristonha
Deixou meu peito a gemer
Passam horas e se a gente não sonha?!
Nem mais o Sol vai ver nascer.
Emaranha-se na saudade a dor
Bruscamente cresce a solidão
E passa o tempo que é devorador
Que tudo destroça e leva p'la mão.

Mas eu sigo confiante,
Levo no peito uma força que nem sei!
Às vezes caminho um pouco errante
E a força fui talvez eu que a inventei.

Já se anuncia a morte do dia
O Sol varreu todo o horizonte
Deixa meu coração abatido de nostalgia
E deita-se na janela ali defronte
Chega a saudade de coisas perdidas
Dos olhos me cai uma lágrima represada
Na memória há coisas já esquecidas
E no rosto lê-se a idade que é já demasiada.

A tarde é agora de mel e canela
Despede-se de mim tal qual como a vida
Enquanto o Sol adormecendo muda de janela
O destino, vai urdindo a despedida.

natalia nuno
rosafogo